Haddad diz que havia “determinação política” no governo Bolsonaro para não taxar ‘comprinhas da Shein’.
“Um único remetente mandou 17 milhões de remessas. Ninguém fez nada. O que aconteceu quando a gente se deparou com o problema? Fizemos o Remessa Conforme”, afirmou o Ministro da Fazenda nesta quarta-feira (22).
Entendam: no Brasil, se você deu certo, não foi mérito seu, porque isso embasa a recíproca de que quem deu errado não teve culpa.
Você pode ser um eunuco participante de 7 minorias: ao ganhar dinheiro, vão investigar sua linhagem até o Homo Erectus pra te isentar do mérito.
Passados 5 anos do início da pandemia, eis aqui uma lista de posições que defendo que vão contra o lugar-comum ou não são das mais populares:
1. Vacinação contra Covid não deveria ter coerção estatal (porque não precisaria, só gerou polêmica desnecessária)
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De novo as fake news estão no centro do debate público e, sem falsa modéstia, tenho algum conhecimento por ter me engajado desmontando fakes na pandemia e nas eleições ao lado de outros data-geeks.
Segue o que penso a respeito da forma mais conceitual possível:
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Minha geração descobriu que mentiram pra gente que o Brasil é um país rico e agora tá tendo que aceitar que tem muito trabalho a ser feito com graus variáveis de sucesso (e muita crise de negação)
"Ah mas a economia do Brasil é enorme"
É verdade. Em PIB nominal somos a décima economia do mundo. Só que isso tem um problema.
Cada pessoa em uma economia produz e consome. Portanto, o tamanho da economia depende também do número de pessoas no país. E o Brasil tem MUITA GENTE.
Mais especificamente, somos a sétima maior população do mundo.
Mas peraí. Se somos os décimos em PIB mas os sétimos em população, isso significa que a nossa economia é menor que o esperado simplesmente pela população.
A forma de avaliar isso é vendo - se o nosso PIB fosse perfeitamente dividido entre as pessoas, quanto ficaria pra cada um?
Essa métrica é o PIB per capita. E, bom... 😬
Essa é a nossa turma, são os países com quem a gente se compara. Albânia, Sérvia, Montenegro, ilhas do Caribe e da Oceania... São os chamados "países de renda média".
Não estamos na pior situação possível - mas também não estamos na elite econômica.
Se te disseram que o Brasil era um país rico, mentiram pra você.
O Governo Federal divulgou com alarde que mais de 24 milhões de brasileiros saíram da fome de 2022 para 2023.
Impressionante, sem dúvida - mas... a afirmação está correta?
Spoiler: não.
Vem comigo que mostro o que os dados contam:
🧶
Quando a água começou a subir eu nem pensei em sair de casa pq eu moro em um andar "alto"
Diziam que a cheia seria maior que a outra cheia, mas maior quanto? Eu moro no 5o andar
Quando a água chegou na frente do prédio eu desci para pensar na vida e vi o síndico tirando a caixa
Você não encontra óculos na natureza
Óculos não trata a raiz do problema, só mascara sintomas
Nossos ancestrais nunca usaram óculos
Óculos não é holístico, não vê a pessoa como um todo
Forçar a vista é natural
A indústria da oftalmo esconde tudo isso de você
Parece loucura?
Computadores de Saias
Quando a equipe de Alan Turing em Bletchley Park terminou o Colossus ele era o computador mais sofisticado de seu tempo, mas embora fosse bom o suficiente para decodificar as transmissões nazistas, em termos de desempenho não era muita coisa do ponto de vista atual. Digamos assim, o framerate dele rodando Crisys devia ser péssimo.
Como todo computador da época, Colossus era dedicado, não era máquina de uso geral. Mesmo com o advento de equipamentos mais versáteis, não era possível escrever programas realmente complexos, levava-se mais tempo programando do que fazendo na mão, mas isso não quer dizer que não havia uma alternativa para executar cálculos complexos com precisão e segurança. O truque era algo que chamamos em computação de chinês.
Alan Turing tinha uma descrição mais elegante: Imagine uma sala com um escaninho onde você entra com um problema. Lá dentro um monte de chineses com ábacos começa a fazer contas, cada um lidando com parte de um problema complexo. Ao final a resposta sai em outro escaninho.
Esse conceito não foi inventado por Turing, já era conhecido e chamado de… Unidades Computadoras.
Essas unidades de computação fizeram todos os cálculos do Projeto Manhattan, e a curiosidade é que usavam saias.
Não que fosse grande desejo da sociedade da época colocar mulheres na rua trabalhando, mas a necessidade levou a isso. A maioria dos homens estava na guerra, a força de trabalho feminina tomou os espaços vazios e ainda havia o bônus de que elas eram melhores que homens nas tarefas exigidas de uma boa computadora.
Esse modelo foi usado por basicamente todo mundo, inclusive a nascente indústria aeroespacial. As mulheres não só faziam milhares de cálculos como cuidavam da coleta de dados. Não havia ainda sensores digitais, um experimento em túnel de vento, com dezenas de mostradores, tinha os valores anotados em planilhas, em tempo real e depois plotados em gráficos. Tudo manualmente, por mulheres.
Não foi um começo imediato. A NACA (National Advisory Committee on Aeronautics), antecessora da NASA foi fundada em 1915. Em 1917 construíram o Langley Memorial Research Center (LaRC), um dos mais antigos centros de pesquisa aeronáutica do país, mas só em 1922 uma engenheira chamada Pearl Young seria a primeira mulher a trabalhar lá, mas mudanças maiores ainda iriam ocorrer.
Em 1941 ficou evidente que o país não poderia prescindir de parte de sua população educada e habilitada para trabalho. O Presidente Roosevelt então assinou um ato proibindo qualquer tipo de discriminação de raça, credo ou nacionalidade nas contratações do serviço público, e os órgãos foram sutilmente estimulados a contratar profissionais negros.
O Centro de Pesquisa de Langley foi um desses órgãos, e descobriram que havia uma excelente oferta de mulheres, negras com formação em matemática, que até então se restringiam a trabalhar como professoras.
O trabalho delas era de primeira classe, mas elas mesmas eram tratadas como segunda. A segregação era ativa, ficavam em um prédio isolado e raramente apareciam em fotos. Quando o Centro sofreu uma expansão, montaram um projeto de construção de alojamentos para as “computadoras” em uma universidade para jovens negras da região. Não, as computadoras negras não tinham direito ao alojamento, era pras brancas.
Uma dessas jovens negras se chamava Katherine Johnson. Em 1953 ela soube que a NASA estava contratando jovens com formação em matemática. Aceita, ela só trabalhou duas semanas como computadora. Os engenheiros da Divisão de Trajetória e Controle a requisitaram emprestada para um trabalho e Katherine impressionou tanto que esqueceram de devolver.
Ela acreditava fielmente que não era melhor nem pior do que ninguém; não aceitava o papel que a sociedade esperava dela. Fazia questão de participar de todas as reuniões. Katherine alegava que ela havia feito o trabalho, então era função dela participar da reunião. Que nunca uma mulher, muito menos uma mulher negra havia feito aquilo, era irrelevante para ela e para seus colegas homens.
Em 1961 a NASA estava com problemas para computar a trajetória para o vôo de Allan Sheppard, primeiro astronauta americano. Chamaram Katherine, que por acaso era especialista em geometria. Ela encarou o problema de trás pra frente. Pediu para dizerem aonde queriam que a cápsula pousasse e então calculou o momento exato em que deveria ser lançada.
Quando John Glenn fez o primeiro vôo orbital da NASA, as computadoras já haviam sido substituídas por computadores, mas os engenheiros pediram para Katherine conferir, na mão, se as contas estavam corretas.
Ela ajudou a calcular a trajetória da Apollo XI, fornecendo a base matemática e algorítmica para os programas da equipe da Margareth Hamilton, além de conferir na unha vários dos programas mais críticos.
Quando a Apollo XIII sofreu o clássico acidente, Katherine Johnson calculou tabelas de órbitas e trajetórias alternativas para caso os computadores de bordo falhassem.
Ela escreveu 26 trabalhos científicos, mas como não era praxe colocar o nome de mulheres co-autoras, só cinco estão identificados nos sites da NASA, mas é sabido que até se aposentar, em 1986 Katherine trabalhou com projetos de missões a Marte e com o Space Shuttle.
Katherine Johnson em 2015 recebeu a Presidential Medal of Freedom, a maior condecoração civil dos Estados Unidos. A medalha foi entregue pessoalmente pelo então Presidente Barack Obama.
Cinco anos depois, em 2020, ela nos deixaria, aos 101 anos. Katherine morreu com a sensação do dever cumprido, e seu lugar na História devidamente reconhecido.
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