Socióloga, Pedagoga, Mestra em sexualidade e gênero, Doutoranda em sexualidade e C&T (UnB), colaboradora do TaTa. Professora. Só falo besteira aqui.🥊🏋️♀️
A parte mais difícil de perder alguém é você ver que o mundo continua girando e só você prossegue com esse quadrado na garganta e esse aperto no peito.
Eu sei que você não perguntou mas deixa eu te dar uma dica. Vai na janelinha do ChatGpt ou similar e escreva:
"atue como um revisor senior do cnpq e aponte as principais limitacoes deste trabalho".
Pronto. Você vai ter uma lista potencialmente útil das principais fragilidades da pesquisa. Inclua isso na seção final, apontando como esses problemas limitam a interpretação dos seus resultados e o que pode ser feito no futuro para tentar remediar.
Lembre-se que na banca as pessoas são, em média, mais experientes do que você. Então, elas com certeza encontrarão limitações. É melhor vc mesmo reportar, isso vai mostrar maturidade intelectual, do que você omitir e achar que vai passar despercebido. Acredite, não vai.
Vou te falar como faria minha tese de doutorado hoje.
1. Organizaria o documento em 3 capítulos. O primeiro seria uma revisão sistemática de literatura. É um produto diferente, de fácil publicação e com alto potencial de impacto científico.
2. No capítulo 2 eu faria uma discussão mais metodológica sobre COMO o meu problema tem sido tratado na literatura. Vc iria se beneficiar enormemente do capítulo 1 pois já teria mapeado isso. Incluiria também uma análise crítica dos casos, das variáveis e, principalmente, das técnicas. Esse capítulo poderia tender fácil um artigo tutorial sobre algum método específico.
3. No capítulo 3 eu traria o filé, o coração da tese. Pode ser o seu teste de hipótese, por exemplo. Como vc já fez uma revisão sistemática, a discussão dos resultados vai ficar muito azeitada. E como vc já revisou a parte metodológica, a sua tese provavelmente vai apresentar uma contribuição original nessa área tb.
Para fechar com chave de ouro, deixaria todos os dados e scripts computacionais disponíveis ANTES da defesa. Escreveria um artigo de opinião falando do tema para publicar no jornal local da minha cidade/estado. Com ajuda da IA, faria um sumário executivo de 1 página para incluir nos anexos e compartilhar com gestores públicos. E para finalizar faria um podcast ou palestra virtual com algum convidado especialista sobre o tema em uma conversa leve com linguagem simples para facilitar a divulgação científica do meu trabalho.
Ao final, eu teria:
a) uma tese;
b) um artigo de revisão sistemática;
c) um artigo metodológico tutorial;
d) um paper top para publicar em uma revista prestigiosa;
e) um artigo de jornal;
f) uma potencial entrada no governo/consultoria;
g) meu nome divulgado nas redes sociais.
E, o mais importante, você nunca mais ouviria "quando é que você vai defender essa tese".