A maioria das pessoas acha que a batalha política é decidida nas urnas.
E se eu te dissesse que, quando você chega à urna, boa parte da batalha já foi vencida, ou perdida?
Escola. Imprensa. Linguagem. Tribunais. Cultura.
Meu novo e-book mostra como esses campos se transformaram no verdadeiro tabuleiro da disputa pelo consentimento no Brasil e na América Latina.
A Geometria da Batalha.
Leia antes de formar sua próxima opinião sobre política. 👇
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O EMPATE QUE O PAÍS SE RECUSA A ENXERGAR
Grosso modo, há uma curiosa assimetria na maneira como se lê o segundo turno. Descarta-se o Gerp, que põe Flávio sete pontos à frente, por ser atípico, e conserva-se o Datafolha, que põe Lula três à frente, por ser respeitável, como se a respeitabilidade de um instituto corrigisse a matemática da sua cauda. Cortadas as duas pontas, a vantagem de Lula encolhe de 0,6 para 0,1 ponto. Se ainda se desconta meio ponto do erro de 2022, quando as sondagens de véspera inflaram o presidente em pouco mais de dois pontos, a chance dele fica entre 46% e 51%. Chama-se a isso empate técnico, e a expressão, caro leitor, tem uma honestidade que a imprensa raramente sustenta por mais de uma manchete.
As duas únicas disputas decididas por menos de cinco pontos desde 1989 terminaram contestadas, e a probabilidade de que a margem final caia abaixo de três pontos gira entre 45% e 55%. Minha estimativa, que é inferência minha e não fato documentado, é de 28% de contestação total, concentrada em duas janelas, a noite de 25 de outubro e o intervalo de 15 a 18 de dezembro, quando vence a vista de Dino sobre Moraes e Mendonça e o TSE diploma os eleitos. Perdendo Flávio, estimo em 75% a propensão a contestar, e perdendo Lula em 33%, pela via judicial e com a ingerência americana como argumento.
Quanto à dívida, chegará a cerca de 95% do PIB em 2030 com quem quer que vença, de modo que a República brigará com ferocidade por um resultado que o Tesouro já decidiu.
O EMPATE QUE O PAÍS SE RECUSA A ENXERGAR
Grosso modo, há uma curiosa assimetria na maneira como se lê o segundo turno. Descarta-se o Gerp, que põe Flávio sete pontos à frente, por ser atípico, e conserva-se o Datafolha, que põe Lula três à frente, por ser respeitável, como se a respeitabilidade de um instituto corrigisse a matemática da sua cauda. Cortadas as duas pontas, a vantagem de Lula encolhe de 0,6 para 0,1 ponto. Se ainda se desconta meio ponto do erro de 2022, quando as sondagens de véspera inflaram o presidente em pouco mais de dois pontos, a chance dele fica entre 46% e 51%. Chama-se a isso empate técnico, e a expressão, caro leitor, tem uma honestidade que a imprensa raramente sustenta por mais de uma manchete.
As duas únicas disputas decididas por menos de cinco pontos desde 1989 terminaram contestadas, e a probabilidade de que a margem final caia abaixo de três pontos gira entre 45% e 55%. Minha estimativa, que é inferência minha e não fato documentado, é de 28% de contestação total, concentrada em duas janelas, a noite de 25 de outubro e o intervalo de 15 a 18 de dezembro, quando vence a vista de Dino sobre Moraes e Mendonça e o TSE diploma os eleitos. Perdendo Flávio, estimo em 75% a propensão a contestar, e perdendo Lula em 33%, pela via judicial e com a ingerência americana como argumento.
Quanto à dívida, chegará a cerca de 95% do PIB em 2030 com quem quer que vença, de modo que a República brigará com ferocidade por um resultado que o Tesouro já decidiu.
Segundo a @Reuters a Arabia Saudita está planejando lançar uma ofensiva contra os Houtis do Iêmen. O grosso das tropas terrestres, entretanto , seria do governo iemenita. https://t.co/Nr3Sm1j3pt
Com efeito, a pretensão de neutralidade opera como um anestésico conveniente para a covardia moral. Ao renunciar à deliberação, o indivíduo abdica de sua condição de agente e assume a postura dócil de mero paciente da vontade alheia. Toda omissão voluntária equivale a uma procuração em branco outorgada àqueles que mantêm a disposição inabalável de intervir no curso dos acontecimentos. Por conseguinte, o peso da realidade impõe-se de maneira inexorável, visto que as leis da causalidade ignoram solenemente o desejo pueril de quem busca lavar as mãos perante o conflito.
Ademais, existe nessa conduta uma fuga patológica do confronto com os fatos concretos, sintoma evidente de espíritos mimados pelo conforto moderno. A recusa em sopesar custos, riscos e benefícios atesta uma paralisia cognitiva primária, própria da mente infantilizada que supõe deter o condão mágico de suspender a marcha da história mediante o silêncio. Dante Alighieri compreendeu com rigor essa baixeza espiritual ao reservar aos covardes e indiferentes o próprio vestíbulo do inferno, relegando essas almas à insignificância perene, desprovidas de honra e desprezadas pela própria eternidade.
Portanto, nomear a estupidez com absoluta crueza constitui um imperativo elementar de sanidade intelectual. O primeiro dever da inteligência consiste em apreender as coisas exatamente como se apresentam, sem concessões a rodeios covardes. O sujeito que contempla a ferradura e delira com abstrações inofensivas termina irremediavelmente estraçalhado pelo casco do animal em disparada, colhendo a ruína merecida gerada pela própria indolência.