Pouca gente fala disso, mas Esu e Exu não são a mesma coisa. Esu, com S, é Orixá, divindade do povo iorubá. Exu, com X, é daqui: gente que viveu nessa terra, fez a passagem e trabalha do outro lado. "Ah, mas é tudo Exu." Não é. Chinês, japonês e coreano também não viram a mesma coisa só porque quem é de fora não sabe diferenciar. Quem não sabe a quem tá chamando acaba batendo na porta errada.
Você sabe que tem alguma coisa errada. Na casa, no trabalho, na relação. Só não consegue dizer o quê. Pergunta pra um, pergunta pra outro, cada um dá uma opinião, e você sai mais confuso do que entrou. Pouca gente conhece Exu Nove Luzes. É o Exu da clareza e da visão, que anda em porta de templo antigo. Onde ele chega, acende. Às vezes a luz mostra o caminho. Às vezes mostra a bagunça que tava no escuro. Laroyê Nove Luzes!
Você já foi na igreja, no centro, leu livro, fez curso, ouviu tudo quanto é gente falando de espiritualidade. E continua com aquela sensação de que falta alguma coisa. E isso não tá em livro nenhum: ouvir doutrina é uma coisa. Ouvir o espiritual é outra. Na mesa, quando 7 Encruzilhadas aparece, é sobre isso: paz e desenvolvimento espiritual. Não é mais regra pra decorar. É aprender a escutar quem fala com você. Laroyê 7 Encruzilhadas!
EȘÙ CONHECE A VERDADE QUE CADA UM TENTA ESCONDER.
Nem todo mundo que caminha ao seu lado torce pela sua felicidade. Mas nem todo afastamento é inveja, nem toda dificuldade é obra de alguém. É preciso ter olhos para observar sem perder a sabedoria de confiar.
Eșù é o senhor dos caminhos, da comunicação, do movimento e das trocas. Ele conhece o poder de uma palavra, o peso de uma intenção e as consequências de cada escolha.
Mas existe algo que você nunca deve esquecer: Eșù não observa apenas quem está ao seu redor. Ele também coloca você diante de si mesmo.
De nada adianta desconfiar da falsidade alheia e não cuidar da própria verdade. Não adianta pedir caminhos abertos enquanto as próprias atitudes fecham portas. Não adianta falar de justiça e agir com desonestidade quando ninguém está olhando.
Por isso, cuide do seu Orí, honre o sagrado, cumpra sua palavra e não entregue seus planos a qualquer pessoa. Faça seu ebo conforme os fundamentos da sua tradição, fortaleça sua fé e mantenha o caráter firme, mesmo quando ninguém estiver por perto para reconhecer suas atitudes.
Não gaste sua força tentando descobrir quem não quer ver você vencer. Use essa força para construir uma vida da qual você tenha orgulho.
Eșù ensina que a verdadeira inteligência não está apenas em perceber as intenções dos outros, mas em saber como agir diante delas sem perder a própria essência.
Caminhe com atenção, fale com responsabilidade e escolha com sabedoria. Porque quem conhece o valor do próprio caminho não precisa viver olhando para trás a cada passo.
Laróyè Eșù!
Que Eșù nos dê olhos atentos para enxergar, inteligência para compreender e caráter para nunca nos tornarmos aquilo que tanto criticamos nos outros.
Texto: Memorias de um Alagbê
OS GUERREIROS DE OLORUN
"Contam os itans que Ogum, o ferreiro, criou o Obé (facão) mas não compreendia como iria utilizá-lo. Levou o instrumento aos pés de Olorun, que logo tratou de chamar Osogian,o rei comedor de inhame e deu a este, a incumbência de descobrir uma forma de utilizar a nova invenção.
Passado algum tempo, Osogian retornou ao Orun (céu) para demonstrar a Olorun e a Ogum a arte do manejo do obé. Feliz, Olorun nomeou Osogian como o ELEMOSÓ (O senhor de todos os ricos ornamentos), e nomeou Ogum como o OLÙOBÉ (O senhor da faca). Assim Ogum forjou um obé para Osogian com ricos detalhes e lhe presenteou com seguis (contas azuladas). Em contra partida, Osogian o ensinou a arte da guerra e o manejo do obé.
Tempos depois Ogum soubera de uma grande novidade, seu irmão Osossi tivera um filho com Osum, a senhora das águas doces. Para presentear a felicidade do nascimento de seu sobrinho e em respeito a Osum, que amava metal dourado, Ogum forjou um obé dourado, de grande beleza. Ao chegar à casa de seu irmão, Osossi pede que Ogum cuide de seu filho e de Osum, pois teria que se ausentar por longo tempo. E assim Ogum ensinou Logun a guerrear como ele, dando a Logun o título de ELUAWO (O senhor que guarda o segredo), aquele que guarda os segredos da guerra.
No candomblé, tudo sempre é passado de alguém mais experiente para alguém menos experiente. Como dizem os mais velhos, “antiguidade é posto” ou “orelha não passa cabeça”.
Esse resumo de alguns itans nos mostra que tudo primeiramente passa aos olhos de Olorun, o Deus supremo. E que a arte de guerrear foi passada de um mais experiente para um menos experiente.
OSOGIAN – OGUM – LOGUN, Deuses guerreiros, nos encorajem a guerrear pela vida todos os dias!"
Osalufan bukun fun wa.