Você teve uma escolha – disse Laurent. – Não precisava me mostrar suas garras.
– Você me enganou – disse Nicaise. – Vou contar…
– Conte a ele – disse Laurent. – Sobre tudo o que eu fiz e como você me ajudou. Como acha que ele vai reagir? Vamos descobrir? Vamos juntos.
– Você tem cílios muito compridos. Como uma vaca. Venha. Vamos sentar juntos, beber e comer carnes. Seu escravo é viril. Mais tarde, ele vai servir na fogueira de acasalamento. [...]
Laurent respondeu com voz dura e inflexível.
– O escravo não fica em cama nenhuma exceto a minha.
Ele pôs a mão na sela e, por um momento, fechou os olhos. Laurent sempre soube quem ele era e ainda assim fizera amor com ele. Ele se perguntou que mistura de anseio e ilusão lhe permitira fazer isso.
- o rei
O tremor piorou progressivamente.
– Pare de se divertir – murmurou Damen. – Vamos ser mortos a qualquer minuto.
– Animal gigante – disse Laurent.
– Pare.
No interior do quarto:
– Verifiquem os outros quartos. Eles estão aqui, em algum lugar. – Os passos recuaram.
- o guerreiro
– Ele não me forçou – disse Laurent. – Eu me deitei com ele porque quis.
O salão irrompeu em comentários. Damen pôde sentir que, em um dia inteiro de interrogatórios, aquela fora a primeira confissão.
– Você não precisa mentir por ele, Laurent – disse o regente.
- o rei
O homem atrás dele praguejou.
– Metade da guarda é louca para foder com ele. Era de esperar que você ficasse mais feliz com a ideia.
– O príncipe não quer que eu foda com ele – disse Damen.
- o escravo
Damen imaginou que estivesse lhe fazendo a corte em alguma terra distante, onde tudo aquilo nunca havia acontecido, fazendo amor com ele em palavras em uma sacada, talvez, com flores perfumadas de algum jardim noturno elevando-se, o brilho de uma festa atrás delas.
- o rei
— Aqui em Aegina, eles dizem que Damianos leva o Príncipe todas as noites, mas não é fácil para um rei renunciar a seus escravos e limitar seu apetite, negando a si mesmo apenas uma pessoa.
— Acho romântico. — disse Guilliame.
— Oh? — disse Alexon.
– Confiar em você? – disse Damen. – Você arrancou a pele das minhas costas. Eu não o vi fazer nada além de enganar e mentir para cada pessoa que encontrou. Você usa qualquer coisa e qualquer um para atingir seus objetivos. É a última pessoa em quem eu jamais confiaria.
Ele pensou em Laurent se entregando – não na primeira vez, mas na segunda, na vez mais lenta e carinhosa. A tensão em Laurent, o jeito como ele…
– Você não estava fazendo amor com um escravo, você estava fazendo amor comigo.
- o rei
insultá-lo tentando reparar feitos com palavras, mas não vou tratá-lo desse jeito outra vez. Eu estava com raiva. Raiva não é a palavra. – Ele se interrompeu. Seguiu-se um silêncio tenso.
- o guerreiro
– Eu queria lhe contar isso, porque você – disse Laurent, como se estivesse forçando as palavras a saírem –, você me lembra dele. Ele foi o melhor homem que eu conheci. Você merece saber disso, pois merece ao menos justiça… Em Arles eu o tratei com malícia e crueldade. Não vou
– Havia um homem que eu devia encontrar. Ele tem todas essas ideias sobre honra e jogo limpo, e tenta me impedir de fazer a coisa errada. Mas ele não está aqui, neste momento. Infelizmente para você.
- o rei
– Vocês têm uma coisa que é nossa – disse Jord.
– O traidor? – perguntou o soldado. – Vocês não têm direitos aqui. Saiam agora, e vou deixar que voltem pacificamente.
– Nós não somos o tipo pacífico – disse Jord. Sua espada estava desembainhada. – Não vamos sem o escravo.
despedida pública, em plena vista dos homens. Laurent estendeu a mão. Ele não fez isso como um príncipe poderia fazer, para que Damen se ajoelhasse e a beijasse, mas como um amigo.
- o guerreiro
Agora eles olhavam um para o outro sobre o palanque, e palavras quase brotaram dos lábios de Damen, palavras pessoais.
Mas o que ele disse foi:
– Tem certeza de que quer deixar seu inimigo no comando de seu forte?
– Sim – disse Laurent.
Eles olharam um para o outro. Era uma