Um avião de pequeno porte, de fibra de carbono, colidiu com um prédio na China. No post original tem gente comparando com 11/setembro. Como a Física faz falta! Não é possível que as pessoas não saibam a diferença entre um soco de Mike Tyson e um tapa de criança de 4 anos.
Red Bull’s exhaust trick explained ⚙️
It reduces the pressure underneath the main plane and generates a slight load increase… without adding any drag.
Pure engineering magic. 👀
#f1#formula1#Redbull#austriangp#verstappen#hadjar
O jornalista William Waack resumiu muito bem o que está acontecendo por trás da intenção da esquerda na mudança da escala de trabalho.
Estão aprovando algo que não trará nenhum efeito prático, a não ser uma provável piora no que já está ruim — como a alta informalidade, a baixa produtividade e até mesmo a piora no cenário econômico.
Ou seja, isso tudo não passa de um desespero para conquistar votos!
Eles nunca se importaram de verdade com os trabalhadores.
Esse é Rony, dono da marca Reserva, um dos maiores empresários do Brasil. Escute a explicação que ele dá sobre a escala 6x1. A verdade por traz da escala 6x1 - 5x2 sem prazo será o fim do Brasil! Gravem!
É assim que o PT te deixa mais pobre.
Comigo isso acaba. Eu acabei com a gastança em Minas, e fiz o dinheiro do mineiro voltar a valer.
Não existe mistério, meu plano implacável tem 4 caminhos muito simples: privatizar, poupar, não roubar e prosperar.
É menos dinheiro na mão do governo, e mais poder de compra pro brasileiro sustentar a família no fim do mês.
Red, Black, Blue Label - e a literatura. Ou a vida.
O que três garrafas de Johnnie Walker revelam sobre arte, sucesso, mediocridade e o preço de ser levado a sério?
Entre os momentos mais agudos de American Fiction, poucos condensam tão bem a inteligência satírica do filme quanto a cena em que Arthur, agente e pragmático tradutor das regras do mercado, alinha sobre a mesa três garrafas de Johnnie Walker e, com elas, desmonta em poucos minutos quase toda a biografia intelectual de Thelonious “Monk” Ellison. O que surge ali não é apenas uma comparação espirituosa entre whisky e literatura, mas uma espécie de sentença silenciosa sobre a relação historicamente desconfortável entre qualidade artística e êxito comercial.
Arthur organiza os rótulos em escala ascendente de prestígio, Red, Black e Blue, e reduz cada um deles a uma definição brutalmente funcional: o primeiro é ruim, o segundo é menos ruim, o terceiro é bom. A crueldade da metáfora, porém, não reside na hierarquia de qualidade, mas no diagnóstico sobre quem compra. O Blue é superior, refinado, mais complexo e mais caro. Ainda assim, vende menos. Não porque lhe falte mérito, mas porque a maioria das pessoas não está em busca de sofisticação; está em busca de efeito. No fim das contas, como o próprio Arthur resume sem qualquer verniz romântico, quase todo mundo só quer ficar bêbado.
É nesse instante que a cena abandona a superfície cômica e se converte em uma das observações mais amargas do filme. O consumo cultural, sugere American Fiction, obedece frequentemente à mesma lógica do consumo alcoólico: raramente prevalece aquilo que exige repertório, paciência ou paladar treinado. O que circula em massa é o que produz resposta rápida, prazer instantâneo e assimilação sem atrito. A obra de alta densidade pode ser admirada; a obra simples é a que efetivamente gira a engrenagem.
Durante anos, Monk escreveu Blue Labels.
Livros sofisticados, exigentes, intelectualmente densos, formalmente rigorosos. Obras de prestígio, mas de alcance limitado. Sua literatura pedia do leitor aquilo que o grande mercado costuma repelir: atenção demorada, esforço interpretativo, disposição para a ambiguidade. Eram textos para degustação, não para embriaguez imediata. Havia valor neles, sem dúvida, mas um valor que dependia de um público disposto a desacelerar. E públicos dispostos a desacelerar raramente sustentam grandes cifras.
O manuscrito que explode sua carreira, no entanto, nasce em chave oposta. Escrito como deboche, irritação e paródia dos estereótipos raciais que o próprio mercado editorial insiste em premiar, o romance assinado sob o pseudônimo Stagg R. Leigh torna-se exatamente aquilo que Monk despreza: uma mercadoria de consumo instantâneo. Violento, lascivo, excessivo, caricatural e embalado em signos de reconhecimento fácil, ele oferece ao público não complexidade, mas familiaridade; não elaboração, mas impacto. É um Red Label literário, e Arthur percebe isso antes mesmo que o autor tenha coragem de admitir.
A conclusão é devastadora porque rompe com a fantasia meritocrática que Monk sustentou por toda a vida. Seu fracasso comercial não derivava apenas de um sistema injusto incapaz de reconhecer a boa arte. Derivava também de uma verdade mais incômoda: boa parte do público simplesmente não deseja aquilo que ele produzia. Não busca densidade quando pode ter estímulo. Não busca sutileza quando pode ter excesso. Não busca contemplação quando pode ter vertigem.
Essa é a violência íntima da cena.
Arthur não está dizendo a Monk que seu novo livro é melhor. Está dizendo algo muito pior: ele não precisa ser melhor para ser mais valioso. Basta ser mais consumível.
A fala atinge o protagonista porque desloca a discussão da esfera moral para a esfera operacional. Não se trata de lamentar a degradação da arte, mas de reconhecer o funcionamento nu da máquina cultural. Arthur não verbaliza indignação; verbaliza eficiência. Para ele, não há tragédia em produzir um Red quando o mercado pede um Red. Há apenas adequação entre oferta e demanda. A arte, nesse raciocínio, deixa de ser um território de transcendência para se tornar um produto calibrado segundo a fome do comprador.
Monk, que passou a vida inteira acreditando na superioridade autossuficiente da excelência, é obrigado a encarar uma humilhação maior do que a simples rejeição: a constatação de que finalmente foi compreendido quando decidiu oferecer menos.
E há um requinte ainda mais cruel nessa descoberta. Arthur não sugere que Monk abandone sua capacidade de produzir Blue Labels. Ao contrário, ele afirma que escrever um Red não elimina a possibilidade de escrever um Blue. A metáfora, portanto, não trata de incapacidade artística, mas de elasticidade comercial. O sistema não exige que o artista seja permanentemente medíocre; exige apenas que ele saiba quando a mediocridade é mais rentável.
Poucas ideias poderiam ser mais corrosivas para alguém que construiu a própria identidade sobre a integridade estética.
Porque o sucesso deixa de parecer uma conquista e passa a se parecer com concessão.
Nesse sentido, a cena das garrafas talvez seja a formulação mais precisa de American Fiction sobre o capitalismo cultural contemporâneo. A mesma indústria é perfeitamente capaz de produzir o sofisticado, o intermediário e o vulgar sob a mesma assinatura, não por devoção à pluralidade artística, mas porque compreende que públicos distintos demandam níveis distintos de exigência. O prestígio é importante como vitrine simbólica; o lucro, porém, costuma morar na facilidade de consumo.
É isso que torna a metáfora tão desconfortavelmente universal. Ela fala de literatura, mas poderia falar de cinema, música, jornalismo, televisão, internet ou mesmo da vida profissional em sentido amplo. Em quase todos esses territórios, excelência e visibilidade não caminham necessariamente juntas. Muitas vezes, o reconhecimento chega não quando se entrega o melhor de si, mas quando se aprende a modular a própria complexidade para caber no apetite médio do mundo.
Monk percebe, então, que sua consagração não nasce de ter sido finalmente descoberto, e sim de ter sido finalmente simplificado.
Talvez não exista derrota mais elegante, nem ironia mais humilhante, para um intelectual.
Por isso a mesa de Arthur deixa de ser apenas um arranjo de garrafas e se transforma num pequeno altar da mercantilização cultural: três níveis de qualidade, três níveis de preço, uma única marca por trás de todos eles e uma pergunta que escapa da cena para alcançar qualquer criador contemporâneo:
- se tudo pode ser fabricado, inclusive o prestígio, quanto ainda vale a autenticidade?