Uma mulher trans e um homem gay na liderança da pauta mais importante da década pra classe trabalhadora. Essa é pra quem vive enchendo o saco chamando qualquer pessoa que afirme seu direito de existir de identitária.
SIM. SOU OFICIALMENTE PRÉ-
CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL. POSSO CONTAR COM VOCÊS?
Quando gravei aquele vídeo denunciando a escala 6x1, exausto no balcão da farmácia, disseram que era impossível mudar o sistema. Disseram que o Congresso jamais daria ouvidos a um trabalhador.
Eles subestimaram a classe trabalhadora. Nós escancaramos a realidade de um modelo que adoece e rouba o tempo do trabalhador. Colocamos o fim dessa escravidão moderna no centro do debate político do país.
Mas a pressão nas ruas e a nossa mobilização esbarram em uma barreira estrutural que as leis são feitas e votadas por pessoas que nunca precisaram bater um ponto na vida. De nada adianta pautar o Brasil do lado de fora se, lá dentro, não temos o poder da caneta.
Se queremos aprovar a PEC e reestruturar a legislação trabalhista, precisamos ocupar o lugar onde as decisões são tomadas.
Eu não venho de dinastia política. Meu compromisso é técnico, direto e inegociável com quem constrói a riqueza deste país.
Essa pré-candidatura é o próximo passo estratégico da nossa luta. É hora de colocar o trabalhador no plenário.
Que criem a BANCADA DOS TRABALHADORES!
"O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora, aquele que passa fome aprende pensar no próximo."
— Carolina Maria de Jesus.
Pense em uma mãe de classe média que trabalhou toda a vida sem diploma universitário. Ela fez de tudo para que o filho estudasse. Incentivou da forma que pôde e comemorou cada conquista dele. O garoto chegou à universidade. Formou-se. E hoje, aos 30 anos, seu salário não proporciona aquilo que imaginava. Ele ainda mora com ela. Ela não entende o que deu errado. Ele também não.
Esse é um dos retratos de uma transformação geracional que discuti em um estudo que realizei com Daniel Duque e Fillipi Nascimento intitulado "Geração X versus millennials: quem são os grandes vencedores?".
Os millennials (geração geralmente definida como a dos nascidos de 1981 a 1996 e, no estudo, representada pelos nascidos de 1992 a 1994), estudaram mais do que qualquer geração anterior. Tiveram mais acesso ao ensino médio e à universidade. Cresceram em um país com inflação controlada e sem muitos dos choques que marcaram a juventude da geração X (no estudo, representada pelos nascidos de 1967 a 1969).
A geração X encontrou um país mais instável. Depois surfou um período de expansão econômica e de valorização do salário mínimo. Já os millennials chegaram ao mercado justamente em um momento de baixo crescimento. Eles fizeram o que a sociedade pediu que fizessem. Mesmo assim, encontraram um mercado de trabalho difícil e menos segurança econômica.
Perceba que existe quase um paradoxo nessa história. A geração que mais estudou foi justamente aquela que encontrou um mercado em que o diploma foi perdendo parte do seu valor.
(...)
Os custos de moradia cresceram. Os jovens de classe alta conseguem usar esse tempo em casa como uma espécie de trampolim. Ficam mais tempo estudando, fazendo pós-graduação, aprendendo idiomas, viajando ou guardando dinheiro até se sentirem prontos para sair.
Já os jovens de baixa renda tendem a sair de casa antes porque a vida adulta chega mais cedo. Começam a trabalhar antes de seus colegas mais abastados, formam família mais jovens e costumam ir morar em lugares menos seguros.
Então, antes de terminar, volto àquela mãe e àquele filho da classe média. O que você acha que ela deve dizer a ele? Que estudar foi um erro? Acho que não. Acho que ela deveria dizer que ele fez tudo certo e que sente orgulho.
O problema está na promessa que foi vendida junto com o diploma. A educação continua abrindo portas, mas o que está do outro lado depende de políticas econômicas, da distribuição de renda e de um país que cresceu pouco quando essa geração chegou ao mercado.
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