Sim, por dois anos seguidos, o Brasil fez história no cinema mundial com filmes contra a ditadura militar.
Se a direita está incomodada com isso, ela que aprenda a fazer filmes
Pois não é culpa do Wagner Moura ou da Fernanda Torres que os conservadores produzem arte medíocre.
Aliás, sempre produziram. Grande parte do alto escalão naz*sta, incluindo o próprio Hitl*r, era composto por artistas frustrados, gente ressentida com um mundo que, com razão, olhava a arte dessa gente e pensava: nossa, que grande bosta!
Hoje, os artistas de direita continuam produzindo obras com a profundidade de um pires. E os políticos da direita agem como se a falta de público, interesse, premiações ou elogios fosse um grande complô.
E não, independente da vertente política do artista, não é fácil pra ninguém fazer arte no Brasil.
Mas quando a sua arte é um filme sobre a obra de Olavo de Carvalho, ou a sua compreensão do que é cultura vem das diretrizes políticas do MBL, me desculpem, a irrelevância é quase um elogio.
Pois o único complô contra essa arte de direita é um complô dos neurônios dentro do cérebro de cada espectador que, ao se depararem com tais obras, organizam suas sinapses e, novamente, concluem: nossa, que grande bosta!
Sim, O Agente Secreto é um filme com posicionamento, feito dentro de um contexto político, que aborda outro contexto político. Mas foi premiado por uma direção primorosa e uma atuação estelar. Uma atuação que venceu Hollywood inteira em uma arena hollywoodiana, diga-se de passagem.
E O Agente Secreto recebeu, sim, R$ 7,5 milhões de dinheiro público, do Fundo Setorial do Audiovisual. Não por sua mensagem política, mas porque investir no cinema e na cultura nacional é política pública de qualidade, que se paga, gera empregos, negócios e renda.
As estimativas apontam que cada R$ 1 de investimento público em cultura gera um retorno de até R$ 7,59 pra economia brasileira.
Que a direita, antes de querer discutir cinema, aprenda essa matemática básica.