Os "cidadãos de bem" se divertem com o sangue que espirra dos programas policiais da hora do almoço. A matança lhes dá a sensação de que o tráfico é combatido. Para eles, crime organizado é o pé de chinelo armado de fuzil na favela. A realidade não lhes interessa.
Na favela não há fábrica de armas.
Não há plantação de cannabis nem de coca.
Não há fábrica de bomba.
Há gente.
Há vida.
Há dignidade sendo alvejada todos os dias.
Se você vibra com corpos no chão de uma favela, mas ficou em silêncio quando acharam 117 fuzis no Condomínio Vivendas da Barra, o seu problema não é com o crime... é com o CEP de quem morre.
@claudiocastroRJ Operação de sucesso é operação sem militares e inocentes feridos e mortos. LAMENTÁVEL!
Vc quis fazer política numa operação de qlqr jeito, deu no q deu. Olha quantos militares perdendo a vida.
Várias operações já ocorreram neutralizando facções/comunidade sem despejar uma bala.
Vários dados e estudos mostram que a maioria das armas na mão do crime tem origem no estado - nas polícias e forças armadas. Porém, você nunca vê no debate público uma agenda política de combate ao tráfico de armas que tem como origem os agentes do estado!
Cuidado: algum troglodita vai tentar te convencer que uma operação com 70 mortos é um sucesso igual ou maior a que desmantelou um braço de dezenas de bilhões do crime organizado sem disparar um tiro.
Os moradores do Alemão passaram a noite inteira tirando corpos de dentro da favela. Já são mais de 100 mortos fora nas áreas da mata. Sem contar os policiais que foram enviados para serem sacrificados (não tem outra palavra melhor).
Isso não é segurança pública, é estado de exceção! Não se enganem: o Rio de Janeiro não terá paz depois dessa operação. São pelo menos 120 mortos.
São décadas enxugando sangue e lágrimas, e a situação só piora. É preciso mudar a rota: favela não é território inimigo. O tráfico internacional de armas e drogas é comandado por gente muito mais poderosa, que não está nas favelas (inclusive um deputado estadual aliado do governador).
Cláudio Castro entra para a história como o maior chacineiro que o Rio já viu.
Não adianta matar 60 traficantes se no dia seguinte já tiver outros 120 pra ocupar o mesmo lugar. Traficante não deixa de ser traficante só porque tá morrendo. O problema é bem mais profundo envolve questões sociais, educacionais e estruturais. Mas os extremistas não vão entender
O Rio de Janeiro vive uma das maiores chacinas da história recente: mais de 120 mortos, superando o Carandiru. O governador Cláudio Castro transforma a praça pública em necrotério e faz da morte um palanque, tentando recuperar popularidade com sangue
Em vez de sufocar o crime com inteligência onde ele se organiza e lucra nas zonas nobres, nos paraísos fiscais e nos gabinetes dos criminosos, milicianos de colarinho branco, o Estado escolhe matar sem critério nas favelas, entre quem já sofre com a pobreza, o desemprego e a ausência de politicas de estado para além de um projeto falido de massacre, que governa o Rio há mais de 20 anos. É um projeto de poder construído sobre corpos negros e periféricos.
O que acontece no Rio não é uma tragédia, é uma escolha. Uma política de extermínio fantasiada de segurança pública, que transforma o medo em método e a morte em discurso. O país precisa reagir e cobrar responsabilização de quem tornou essa violência brutal em política de Estado.
Nesse momento doloroso para o país onde a desumanização é a regra, me solidarizo com cada família, mãe, tia, avó, gente decente e honesta que sofrem com a dor de, mais uma vez, verem os corpos dos seus estirados no chão, suas comunidades sendo vítimas de uma chacina televisionada.
A FAVELA QUER VIVER
O morador do Rio de Janeiro acordou se sentindo mais seguro hoje?
O usuário não vai mais conseguir comprar drogas no RJ?
A criminalidade acabou na região depois da operação de ontem?