Alexandre Bandeira de Melo conhecido como Piolho, nasceu e foi criado na Vila Vintém, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foi no local que, influenciado pelo pai de criação, iniciou o caminho que seguiria na vida criminosa. A entrada definitiva no mundo do crime ocorreu por intermédio de Celsinho da Vila Vintém.
Em 2017 uma tentativa audaciosa de resgate no Fórum de Bangu demonstrou que, mesmo preso, Piolho ainda exercia forte influência fora das grades. Investigações apontam que ele comanda um arsenal estimado em cerca de 40 fuzis no Morro do Dezoito.
Conhecido pela extrema crueldade, Piolho acumula 39 anotações criminais, incluindo tráfico de drogas, associação para o tráfico e formação de quadrilha. Ele também responde a processos por, pelo menos, oito homicídios, número que, segundo a Polícia Civil, pode ser ainda maior. Entre os métodos atribuídos ao criminoso estão práticas de tortura e a destruição de corpos nos chamados “micro-ondas”. As vítimas, em geral, seriam moradores da comunidade, traficantes rivais e milicianos que teriam cruzado seu território.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Marcel Pinto Almagra, esquartejado por estar matriculado no Curso de Formação de Praças da Polícia Militar. A execução teria sido usada como forma de intimidação. Piolho, que também atuava como professor de kickboxing, costumava obrigar desafetos a lutar em um ringue antes de serem executados.
No comando das comunidades do Morro do Dezoito, Saçu, Pau Ferro e Fazendinha, todas localizadas em Quintino, Piolho implantou a chamada “política da mordaça”, em que qualquer pessoa suspeita de repassar informações era executada. Um agente da Polícia Federal envolvido nas investigações chegou a compará-lo ao personagem Sinhozinho Malta, da novela Roque Santeiro, em referência ao domínio imposto sobre a região.
Com o aumento das operações policiais, o traficante teria ordenado a construção de esconderijos subterrâneos, com alçapões espalhados por pontos estratégicos das comunidades.
Piolho está preso e foi condenado a 95 anos de prisão. Ele é ex-integrante da facção ADA. O Morro do Dezoito, que antes estava sob seu domínio, atualmente é controlado pelo CV. Diante disso, não há confirmação sobre se Piolho está em uma cadeia dominada pelo ADA ou pelo CV.