Parabéns, Maceió, pelos teus 210 anos.
Mais um ano de história, e mais uma tentativa de esconder as feridas da cidade. Enquanto celebram com fogos, cadeira e roda-gigante, o teu povo continua vivendo o silêncio, a dor e o crime da mineração que apagou bairros inteiros do mapa.
Mineração não é só número, nem gráfico, é gente. É casa rachada, memória arrancada, vida suspensa. Por trás dos lucros da Braskem, há um povo inteiro que chora o que perdeu e luta pelo que resta.
A ironia está cravada no poste: enquanto se celebra uma cidade vibrante, milhares vivem a realidade do deslocamento forçado, provando que nem toda massa é para todos, para muitos, restou apenas a rota de fuga.
Na areia de Maceió, uma cruz.
Mais de 60 mil vidas marcadas.
Nomes gravados: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Farol.
Lugares que tinham cheiro de café, risos de crianças, vizinhos na porta.
Hoje, silêncio. Ruas vazias. Memórias arrancadas.
A mineração não tirou só o chão.