A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, que votou pela PRISÃO de Daniel Silveira e disse que os presos políticos vítimas de Moraes eram “terroristas”, foi condenada por fazer parte de um esquema de desvio de recursos públicos e pagamento de propina envolvendo parlamentares distritais, com cifras que podem chegar a cerca de R$ 30 milhões. Agora ela está INELEGÍVEL por cair na Lei da Ficha Limpa. A decisão é da 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios que rejeitou, de forma unânime, um recurso ligado dela à Operação Drácon.
São muitas as coisas que me causam estranhamento na política brasileira. Coisas que realmente me incomodam, no sentido mais visceral do termo. Tomemos, por exemplo, esse garoto que se fez deputado e agora percorre o país a fabricar bancada de novos eleitos. Isso me perturba. Senão, vejamos: no meu tempo, sair pelo Brasil afora a costurar bancada era privilégio de mandatários. Nada mais natural que um presidente percorresse o território nacional a recomendar votos em seus correligionários, de partido ou de ideologia. Ao baixo-clero cabia a mesma operação, porém em escala proporcional, ou seja, modesta, restrita a estados e municípios. O deputado Nikolas, contudo, subverteu essa ordem natural das coisas. Agora ele viaja o país indicando garotos imberbes como ele próprio e isso é perturbador: em primeiro lugar, porque Nikolas não está alinhado com o seu partido, que deveria reservar a atividade correligionária ao concorrente oficial ao cargo executivo máximo, isto é, Flávio. Em segundo lugar, porque rodar o Brasil custa caro, sobretudo para um jovem cujo salário é incompatível com tamanha mobilidade. Pergunta-se, então, quase por instinto: quem banca a aventura do mancebo? Em terceiro lugar, porque os indicados por ele não são os indicados pelo líder máximo da direita, Jair Bolsonaro, a quem o rapaz jura pertencer. Estranho, não? Mais estranho ainda é o fato de que o menino Nikolas só se engajou na campanha de Flávio nos últimos minutos do segundo tempo e, coincidentemente, seus protegidos não citam Flávio nas redes sociais.
O que verdadeiramente me inquieta é perceber que Nikolas, impulsionado por um poder econômico considerável, percorre o país estruturando, já agora, a sua própria campanha presidencial, prevista para daqui a quatro anos. Digo poder econômico porque, segundo a imprensa, ele tem viajado de jatinho particular. Isso custa caro, tão caro que nem mesmo Jair Bolsonaro se permitia tal luxo. Bolsonaro voava de carreira, vivia nos aeroportos, onde o povo o cercava para o abraço e o apoio. Não é o caso de Nikolas.
Politicamente, ele já integra uma elite bem privilegiada. É curioso, também, que o rapaz tenha saído de uma região pobre e hoje circule entre amigos e parentes abastados. Casou-se com mulher rica, dirão os biógrafos e os adoradores. Sim, é verdade. Logo, ele agora é rico. Mas o problema não está em ser rico; está em dever favores a grupos poderosos, porque isso termina, invariavelmente, em formação de oligarquia. Nikolas não amadureceu o tempo suficiente para resistir às três tentações do deserto. Entrou ontem na política e já faz parte de uma oligarquia. Não há nada de orgânico nessa ascensão meteórica e esse é o problema, pois o que não é orgânico costuma ser marionete. Abre o olho, Brasil.
O vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro circulou no dia 23 de julho. Nos segundos finais, um erro operacional expôs a tela de conversas do WhatsApp de quem estava gravando.
Na lista aparecem três contatos de peso:
1- André Costa, assessor de comunicação de Michelle Bolsonaro.
2- Gisely Siqueira, secretária de Comunicação do STF apontada por Eduardo Tagliaferro como operadora de censura no TSE.
3- E um grupo de comunicação da campanha de Zema.
O celular pertence a um jornalista identificado como “Leo”, vinculado ao Brasil 247, site abertamente aliado de Lula.
O mesmo André Costa que, em dezembro de 2025, usou sua lista de transmissão para desacreditar a pré-candidatura de Flávio — e agora oferece essa mesma lista a um veículo de linha editorial oposta ao bolsonarismo.
https://t.co/aKsr1757z3
@AnnaLobato66 A Michelle é intransigente, sempre foi, sempre agiu e interferiu nos bastidores. Está sendo difícil perceber que não terá mais o mesmo poder.
MOMENTO BROXANTE: Michelle participou, por vídeo, da Convenção do PL para exaltar a si mesma.
Em seu blá-blá-blá feminista, não dirigiu sequer uma palavra à futura primeira-dama, Fernanda. Isso apenas reforça que o feminismo é seletivo, seja o de esquerda, seja o de direita.
@JosephAlvesNig Já que não conseguiu destruir o Flávio, tenta se autopromover usando o público dele. Não vai rolar @Mi_Bolsonaro
Aqui em Brasília somos Bia e Sebastião Coelho.
Nao tem jeito. Michele e chamada num video durante a convenção do PL, oficializando a candidatura de Flavio Bolsonaro. Eu que nao vi e nem ouvi ou ela somente faz menções ao "galego", "meu marido", "mulher" e por aí vai... Não vi nada relacionado ao Flavio. Mulher tosca. Pilantra e intragável. @FlavioBolsonaro no primeiro turno.
Michelle descobriu o tamanho da Michelle
A reaproximação de Michelle com Flávio não é um gesto espontâneo de união é um ato de conveniência política.
Durante anos, Michelle ocupou a posição mais confortável possível dentro do bolsonarismo. Ela tinha a boa vontade do público do próprio marido e não sofria o mesmo escrutínio que caiu sobre Bolsonaro e seus filhos.
Não dava entrevistas difíceis, não precisava responder a perguntas hostis, falava em ambientes controlados, diante de plateias que já tinham saído de casa para aplaudi-la.
Nós conhecíamos Michelle Bolsonaro: a primeira-dama elegante, religiosa, recatada e distante das confusões.
Não conhecíamos Michelle, a operadora política.
Existem duas formas de descobrir quem uma figura pública realmente é:
A primeira é a imprensa desmontar a pessoa em mil pedaços, como fez com Bolsonaro e seus filhos.
A segunda é surgir uma briga grande o suficiente para que todos os envolvidos percam o controle da própria imagem.
Com Michelle, aconteceu a segunda.
Nos bastidores, ela construiu um núcleo próprio de poder para além do marido e passou a disputar indicações, espaço e protagonismo até com os filhos dele.
Enquanto tudo acontecia longe do público, funcionava.
Michelle aparecia como santinha, fazia o discurso bonito e depois atropelava quem precisava atropelar nos bastidores.
Bolsonaro deu um all-in.
Escolheu Flávio como seu pré-candidato à Presidência e confirmou essa decisão em carta de próprio punho.
A partir daquele momento, o arranjo anterior que incluia, Tarcisio, Malafaia, Michelle, Moraes, Gilmar, e outras figuras começou a desmoronar.
Michelle precisou sair da política de bastidor e entrar na primeira luta política pública de verdade da sua vida.
E escolheu enfrentar Flávio.
Michelle janjou
Alguém colocou na cabeça de Michelle que ela era maior do que o movimento.
Talvez tenham sido os aliados.
Talvez tenham sido os puxa-sacos.
Talvez tenha sido o aplauso constante.
Não importa.
Quando uma pessoa passa tempo demais ouvindo que é maravilhosa, perfeita, linda, grande e invencível, ela perde a capacidade de medir o próprio tamanho.
Ela janja e Michelle janjou.
Então veio o vídeo, todo produzido, inteiro roteirizado.
Todo pensado nos mínimos detalhes.
O vídeo era inteligente do ponto de vista da comunicação, mas completamente desconectado da realidade política.
Michelle começou atacando Ciro Gomes.
A lógica era simples: a direita já rejeita Ciro. Ao atacá-lo, ela pegava emprestada a simpatia natural do público e se enchia de razão. Depois, com o público emocionalmente do lado dela, transformava o vídeo em um ataque contra a candidatura de Flávio.
Era uma boa estratégia no roteiro, mas foi um desastre diante da realidade.
Nos primeiros minutos, apareceram os puxa-sacos:
“Gênio!”
“Corajosa!”
“Finalmente alguém falou!”
Quando a poeira baixou, o público fez o cálculo mais óbvio possível:
O que a direita ganha com Michelle atacando o candidato escolhido por Bolsonaro?
Nada.
O que o brasileiro ganha com essa disputa?
Nada.
Então o que Michelle deveria ter feito?
Ficado quieta.
A barata voou. 🪳
Os comentários se voltaram contra ela e, no dia seguinte, Michelle apareceu dizendo que não queria brigar.
Como assim não queria brigar?
Você produz um vídeo inteiro para detonar alguém e, depois que o público reage negativamente, diz que não queria confusão?
Não era um pedido de paz.
Era o recuo de quem percebeu que a primeira luta política de verdade estava saindo completamente do controle.
A produção do vídeo chegou a ser atribuída a profissionais ligados ao estilo de comunicação de Nikolas Ferreira. Nikolas negou qualquer participação e declarou que renunciaria ao mandato caso provassem seu envolvimento.
Independentemente de quem apertou o botão da câmera, o cálculo político foi o mesmo.
E deu errado.
A esquete dos Trapalhões
O resultado do ataque foi o enfraquecimento político de Michelle.
Ela deixou a presidência do PL Mulher. Em seguida, alguém do partido vestiu as calças extinguiu a presidência nacional da ala feminina e manteve apenas as estruturas estaduais, tirando da Michelle seu brinquedinho.
Então surgiu o Imparáveis MB.
A antiga equipe de comunicação do PL Mulher apresentou o perfil como um movimento capitaneado por Michelle.
Parecia o nascimento de uma força política autônoma.
Michelle não precisava mais do PL.
Michelle não precisava mais dos Bolsonaro.
Michelle era imparável.
Duas semanas depois, quando a repercussão começou a ficar ruim, apenas 6mil seguidores veio a explicação:
Michelle não criou.
Não pediu para criar.
Não lançou.
Não administra.
Não é proprietária.
E não se tratava de um movimento político, mas de um simples perfil “de homenagem” no Instagram.
A explicação soou como uma esquete dos Trapalhões.
O movimento imparável precisou parar para explicar que Michelle não tinha nada a ver com ele.
A mensagem política foi brutal:
Michelle com Bolsonaro é milhões. Michelle sem Bolsonaro não enche nem um perfil do insta.
A realidade chega nas pesquisas.
Depois veio a pesquisa para o Senado no Distrito Federal.
Michelle apareceu atrás de Leila do Vôlei nos dois cenários em que seu nome foi apresentado.
Além disso, registrou a maior rejeição entre todos os nomes testados, inclusive maior que a dos candidatos do PT.
Como existem duas vagas para o Senado, ela continuava competitiva.
Mas a imagem da eleição garantida foi destruída.
Se existisse apenas uma vaga, Michelle já estaria atrás.
A pessoa que havia entrado na disputa se enxergando como presidenciável começou a correr o risco de transformar uma eleição que parecia um passeio em uma briga real pela sobrevivência política.
Foi aí que a realidade explicou a Michelle o tamanho da Michelle.
Ela perdeu espaço dentro do partido.
Perdeu o controle da narrativa.
Aumentou sua rejeição.
Descobriu que seu movimento autônomo não era tão autônomo.
E viu que talvez nem a eleição para o Senado fosse a coroação garantida que imaginava.
Então chegou a hora da reconciliação.
O perdão mais conveniente do Brasil.
Flávio publicou mais um pedido público de desculpas, deve ser o terceiro do ano que a Michelle o obriga a pedir.
Michelle respondeu com outro vídeo, também cuidadosamente roteirizado, com semblante vazio, lendo teleprompter, dizendo magnânima:
“Eu te desculpo.”
Depois afirmou que os dois deveriam se unir para salvar o Brasil.
Mas como assim?
Ela descobriu agora que o Brasil precisa ser salvo?
No mês passado não precisava?
A eleição não existia?
A candidatura de Flávio não existia?
O país só passou a correr perigo depois que Michelle deixou o PL Mulher, perdeu espaço político e apareceu atrás de Leila do Vôlei?
Que oportuno.
Michelle não pediu desculpas pelo ataque.
Não reconheceu que errou.
Não assumiu que transformou uma divergência partidária em uma guerra pública contra o candidato escolhido pelo próprio marido.
Ela exigiu que Flávio pedisse perdão para voltar por cima:
Eu te desculpo.
Flávio aceitou porque precisa dos votos dela.
Quem pede desculpas na política nem sempre está errado.
Às vezes, está apenas contando votos.
Então tudo bem, Michelle.
Desculpa por termos nascido.
Você é uma rainha.
Uma princesa.
A princesinha do mar.
Agora podemos voltar a falar da eleição?
A realidade venceu.
Michelle não voltou porque Flávio a convenceu, porque descobriu que o ataque estava errado, subitamente compreendeu a importância da união ou ficou solidaria ao sofrimento dos brasileiros no governo Lula.
Ela voltou porque o partido, o público e as pesquisas explicaram de onde vem sua força.
A força de Michelle não nasce de Michelle.
Ela vem de Bolsonaro, do sobrenome, do público bolsonarista.
Vem das pessoas que olhavam para ela e enxergavam a esposa do líder que elas admiravam.
Michelle tentou medir forças com o movimento e descobriu que não era maior do que ele.
Tentou andar sozinha e viu seu tamanho diminuir.
Tentou enfrentar Flávio e acabou obrigada a aceitar uma reconciliação para preservar a própria candidatura.
Não foi Flávio quem venceu essa queda de braço.
Foi a realidade.
Michelle não voltou para salvar o Brasil.
Ela voltou porque descobriu que, sem o bolsonarismo, quem precisava ser salva era ela.
@allanconta5 Ela não faz, absolutamente, nenhuma diferença pra mim. Não deixei de apoiar o Flávio em momento algum e ela perdeu meu voto, sem possibilidade de reavê-lo.