Reli o texto e meus dois centavos:
Todo dia sai de casa um malandro e um otário, a mágica acontece quando você consegue vender mais caro pros dois. Eu acho que o texto perdeu a mão quando começou a falar do relacionamento do cara, mas enfim…
No fim do dia o Pedro vende algo: capital cultural a baixo custo. Essa é uma tendência que vem rolando já há um tempo. Em um mundo pós pandemia em que os juros e inflação estão altos, a chance de você ter mobilidade social em profissões criativas é baixa porque dinheiro barato do mundo do ZLB acabou.
Isso significa que você tem que ter distinção pra se destacar no mercado das relações porque fodido um, fodido um e meio. Pelo menos com capital cultural você se vira num date no Orfeu com uma designer/ redatora e cada cachorro que lamba sua caceta.
Essa valorização estética do capital cultural/ intelectual não tá rolando só aqui, a capa do disco da Charli XCX é um exemplo trivial disso. Mas no Brasil, um país onde a produtividade do trabalho tá estagnada e muita gente corre atrás do viral pra dar o primeiro pulo na carreira, parecer novo rico voltou a ser cafona. O livro meia boca do Alcoforado é um exemplo trivial disso.
No ano passado o boom de interesse por estética “old money” é um reflexo disso. Muita gente correu atrás de comprar roubos clean/ bege, corte de cabelo específico e tal e logo descobriu que não vai ser meia dúzia de camisa de linho da Renner que vai resolver as barreiras sociais. Então começaram os stories de capital cultural pra cá/ capital intelectual para lá.
Então era natural que surgissem influencers que iam atingir esse nicho de lifestyle. Tai a Carolina Hallal, tai o Pedro Miazeira. Não to dizendo que eles fazem isso intencionalmente, mas eles acertam o tom que é entregar referências superficialmente alternativas junto do mais básico do básico. É a Carolina falando de Paulo Arantes e de Clarice Lispector, o Pedro falando de Artacho Jurado e de Taylor Swift. Name dropping trivial pra quem fez cursos de humanidades na PUC e USP, mas não pra 99,99% das pessoas.
E assim, logo logo as pessoas vão descobrir que só isso não é o suficiente, nem de perto. Mas eu entendo que incomode muito que eles estejam dando referências de graça que muita gente penou pra conseguir. Tem muita gente que conseguiu trampo só por ser cool o suficiente em São Paulo e saber quem é Patti Smith ou Lacan, mas no fim do dia isso é tudo mainstream mundo afora e essas pessoas não arranham muito além do pop… Tati Bernardi taí há anos na Folha de S. Paulo nos provando isso diariamente.
Só que capital cultural de verdade é difícil de obter, leva uma vida inteira. Não vai ser meia dúzia de story que vai resolver a vida alheia.
Por fim, dois pitacos finais. Capitalismo Tardio foi usado como termo pela primeira vez por Werner Sombart em 1925, há exatos 100 anos. O conceito é mais velho em relação à gente que o conceito de capitalismo era pra Marx. Talvez esteja na hora de aposenta-lo.
O segundo é sobre a fala de ser odiado no Twitter e amado pela publicidade. Banger demais, melhor que eu que sou odiado pelo Twitter e não tenho óculos da Zereses.