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🪙🪙🪙 Defender Carlos Moedas do acidente no elevador da Glória começa por perceber uma coisa simples. A Carris não foi invenção sua nem lhe caiu nas mãos em estado imaculado. Em 2017 foi o governo do Costa e da GERINGONÇA que decidiu transferir a empresa para a câmara municipal de Lisboa. A operação foi validada e aplaudida pela maioria de esquerda que dominava a câmara. Desde essa data todas as decisões de peso sobre transportes, investimentos e orçamentos ficaram dependentes dessa maioria. O presidente da câmara preside mas não governa sozinho. E muito menos abre cofres ou define prioridades sem a bênção de quem hoje se indigna com tanto fervor. Convém lembrar que a maioria na CML é de esquerda. Aquela esquerda que nas assembleias municipais está mais preocupada com a Palestina do que com a segurança dos munícipes.
Depois há a questão da manutenção. Os elevadores estão sob alçada da Carris e não da câmara diretamente. A manutenção foi entregue a empresas externas há mais de uma década, contra o parecer dos próprios trabalhadores que alertavam para problemas técnicos. Só que esses mesmos trabalhadores, quando param serviços, raramente o fazem por razões de segurança. As greves que vimos nos últimos anos pediam aumentos salariais, redução do horário semanal, integração de precários e até passes gratuitos para familiares. Tudo legítimo na lógica sindical, mas a segurança das condições de trabalho nos elevadores e demais meios de transporte nunca foi a bandeira. É sempre depois da tragédia que já tinham alertado, mas nada que os levasse a fazer greve por isso. É mais fácil exigir subsídios e regalias do que discutir o estado dos cabos que puxam o Glória montanha acima.
E chegamos ao orçamento. A câmara só pode gastar aquilo que é aprovado em reunião e ratificado pela maioria. Essa maioria continua a ser de esquerda. Mesmo que Moedas quisesse tirar os milhões da Carris, teria de passar pelo carimbo dos mesmos que agora posam como carpideiras políticas. A regra é simples. Governam a régua e esquadro, aprovam o que lhes convém, depois atiram a culpa ao vizinho da cadeira do lado.
O que sobra é a caricatura habitual. Moedas não desenhou o elevador, não contratou a empresa que aperta ou desaperta cabos, não decide o orçamento sem validação alheia e não foi ele que em 2017 resolveu municipalizar a Carris. Herdou um sistema cheio de vícios e contradições. O Glória é tratado como peça de museu que todos gostam de mostrar, mas ninguém, sim, ninguém, nem mesmo os vereadores da opsição que tanto falam da Palestina nas AG da CML, alguma vez levaram para a agenda o tema da segurança nos funiculares. Nunca!
Nem o vereador Rui Tavares, que tem ampla visibilidade mediática, escreveu uma linha sobre este tema antes da tragédia.
A tragédia não traz a assinatura de Moedas. É filha de anos de gestão partilhada, de conveniências políticas e de um vício nacional que nunca falha.
o dono da cooperativa
nota: é impressionante como todos os caminhos vão sempre dar ao Costa, nem que seja por portas e travessas.
Aos que estranham o anterior tweet, lembro só que o Presidente Sampaio anunciou a dissolução uma semana depois de eu ter recusado aceder à exigência dos banqueiros de não aumentar tributação sobre a banca.
@castrojr76 Rayan Philippe do Swift Hesperange. Com formação na França, relativamente jovem e com golos a um nível absurdo. Se não corresse bem o investimento era quase nulo