Hei de arrancar dos páramos do céu
essa hóstia de oiro refulgente!
E passá-la da minha boca rútila e criminosa para a tua boca esfíngica e indiferente,
Às vezes tenho a impressão de que asas negras, enormes, se debatem, fazendo oscilar as franjas de oiro das tapeçarias. E vejo numa clarividência estranha o meu caminho cortado pela mão impiedosa do destino.
Os fixos, os imóveis, os que não marcham, que não progridem, não nos entendem. Não podem compreender nem os voos da nossa alma nem as mutações feitas à Verdade, e perseguem-nos, visto que eles já são dentro de si mesmos perseguidos pelo remorso mesquinho dos seus atos.
Não queiras entrar neste bárbaro império
onde um punhal de raras pedrarias
esculpiu a fogo
as sombras do mistério
de onde saem, estridulando,
as minhas bizarrias
E a natureza, minha querida, sem todos os requintes, sem todos os recortes com que nós a aperfeiçoamos, todo o exotismo que a nossa sensibilidade lhe vetou a crueza da sua nudez, é um monstro sensual a espreguiçar-se sem beleza e sem fim, numa continuidade reles – sempre igual!