(A)mar
Mesmo agora, posso te sentir
No meu peito que chama teu nome
pelo espaço na minha cama que te aguarda
No toque ansiado de encontro dos nossos lábios
As tuas unhas escorregando por baixo de cada tecido
E seus dedos deslizando por caminhos tão conhecidos
+
Te ouvi numa terça qualquer
A margem da minha esquina
Cantando para quem quisesse ouvir
Canções mais antigas que eu
Canções verdadeiras sobre sentir
Tomei gosto em saber
Que sua moda é antiga
E não tardei em escrever-te
Te enlaçando na minha cantiga
+
Agora não quero ir embora não
Sempre de jeito sem graça
Me enfeitiça na tua lábia
De jeito tranquilo tomou rédia da minha vida
Não sai da minha rotina
Quero me ver brilhar na tua retina
E se desejares
Toma também meu coração
E toda emoção que quiseres
+
O quanto você erroneamente me amava
Mas eu jurei tentar, me aventurar, acertar e viajar nessa
E tu me prometeu
Como quem reza todo dia
Eu fui tua prece, santa e demônio
- S.P
As vezes eu me pergunto o caos que teríamos sido
Se naquele domingo
Eu tivesse aceitado tua proposta
Te apertado mais no peito
Se tivesse juntado 1 com 1
Ou te perguntado como estava
Mesmo que você tenha falhado inúmeras vezes em demonstrar
+
Me deixou apaixonada
De um jeito tranquilo, tomou rédia da minha vida
Pode tomar também meu coração
E toda emoção que quiser
Serás tua
Sou tua
E és minha.
- S.P
Te ouvi num domingo qualquer
A margem da minha janela
Cantando para quem quisesse ouvir
Canções de 1840 e poucos
Tomei gosto em saber
Que sua moda é a antiga
E não tardei em escrever-te
Cartas vindas da minha alma criança
Mais ingênua e delicada que teus olhos
+
Toda viagem me leva pro mesmo espaço
Mas o tempo ainda não atingi
Vivo desencontrando o que tanto busco
Em círculos
Ou em montanhas
Até em submarino já fui
Mas o clima é sempre muito diferente
Não me acostumei com o desconhecido
Não aprendi a ler em outras línguas
+
Sou nativa resistente
Querendo ser exploradora inconsequente
Conheço mundos e terras
Mas nunca fico no mesmo lugar
Talvez não exista espaço suficiente pra acomodar alma tão insistente e curiosa
Vou desvendando o que me resta
Com medo ou sem nada
+
E o ciclo não reinicia sem uma pausa
Mas quando a peçinha falhar, o sistema vai apontar
Remodelado assim que possível
Removendo toda e qualquer falha
- S.P
Cansada nem penso
To sem tempo pra questionar se isso é certo
Reivindicar qualquer coisa é dificil quando nem dormir eu consigo
O café tá atravessado
Não olho para os lados
Quando ando é para completar a marcha
Não escolhi me lançar no desconhecido
+
Carrego a vertigem nos ombros
O olho molhado de suor
To performando estabilidade
Nessa fila tudo muito simétrica
Tudo numa rapidez sem igual
Ninguém escuta a lamúria por trás
Não tem tempo nem para o silêncio
Quando as engrenagens não param o sistema
+
Ta tranquilo; só dói quando eu respiro
Tem um litro jorrando do meu peito
De pesares e lamúrias escorrendo por todo canto
O olho molha junto com o sangue no chão
E lava as feridas abertas
Mas eu só to sentindo a pele formigar
Logo tudo vai passar
É só esperar escorrer
- S.P
Todos os tapetes foram puxados
A sujeira está posta
Mas espere o jantar
Que o prato principal ainda ta pra vir
Quem quiser um pedaçinho, meia noite eu te conto
Qual o segredo da receita
E a cereja do bolo vai ser a reação alheia
Eu te mostro onde deixar o casaco
- S.P
Turista nessa casa
Não reconheco essas paredes
Molduras que me vigiam
Tão vazias que me sugam o colorido da alma
Anesteasiado
Desmemorizado
Esqueci qual o caminho pro descanso do meu quarto
Nesse labirinto interno de pensamentos
O conforto me escapa pelas mãos de um massagista
+
Que coisinha mais vil e cruel
Mais horrorosa não há
É fétida
É pútrida
Chegar perto não tem como
Tanto espinho e tanto veneno
Escorre disfarçado de mel
Tanta dor tanto vazio
Mascarados num tom frio
Cortante cada palavra
Mas pisa em ovos quando se deita
+
Nem o vento é capaz de trazer novos perfumes e ares
Nem notícias boas agitam tanto as ondas já tempestuosas do mar
O céu nublado já é clima
E a garoa caí no final da noite
Quando quase nenhuma estrela ilumina os caminhos
Nesse pedacinho de terra funcional
- S.P
Vira tempo
Tempo vira
De ponta cabeça você enxerga
De pé você escuta
Deitada se mexe
Escorre areia
Grão em grão
Escorre mar
Toda espuma
Escorre tempo nessa redoma de vidro
Tão nublada
O calor do sol não atinge o lado de dentro
Aquece o exterior mas o frio interno permanece
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