"A China supera os EUA em expectativa de vida". Deveria ser a manchete em todos os jornais estadunidenses e ocidentais, mas não foi. Embora os dados sejam provisórios, é importante entender o que isso sinaliza.🧵🇨🇳
A ironia é que o Brasil vai vender mais carne e soja para China e os EUA vão perder esse mercado. O fato é que as sanções têm armas de duplo fio, no qual os EUA não estão apenas perdendo competitividade e acelerando a construção de alternativas sistêmicas.
Como os EUA, ao tentar punir Brasil e China, acabam acelerando exatamente o que queriam evitar? Além de um reportório pobre, centrado em tarifaços, Washington é incapaz de pensar nos efeitos de longo prazo. Vejamos.🧶🇨🇳🇺🇸🇧🇷
No mesmo dia em que o USTR anuncia o tarifaço contra o Brasil, a China toma uma decisão de reconhecer o Brasil livre da febre aftosa. Isso não é coincidência, mas geopolítica em tempo real.
O verdadeiro significado desses eventos é que as ações dos EUA não frearam a China. Ao contrário, catalisaram sua inovação e a aceleraram em direção à autossuficiência, consolidando o país como um centro global de inovação. A política de desacoplamento Yankee saiu pela culatra.
A Guerra dos Chips desencadeada pelos EUA e seus aliados contra a China tem se revelado um imenso fracasso - como esperado. Vejamos como ilustram isso os casos do lançamento do chip autônomo da BYD Xuanji A3 (4nm) e das rusgas com a Nexperia. 🧶🇨🇳🇺🇸
Na mesma linha, o caso da Nexperia ilustra perfeitamente as contradições da estratégia liderada pelos EUA. A fábrica chinesa da Nexperia (Wingtech) ficou ociosa e a própria Europa ficou em situação delicada ao ficar sem componentes para suas montadoras.
Em 2025, o Brasil foi o principal destino dos investimentos da China.🇨🇳🇧🇷
Foram US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos, com crescimento de 45% em valor e 33% em número de empreendimentos em relação ao ano anterior. O Brasil respondeu por 10,9% de todo o investimento externo da China em 2025.
Um resultado expressivo para a cooperação sino-brasileira.
Dados: Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC)
Esse fortalecimento das relações da China com o Sul Global pavimenta a criação de alternativas sistêmicas. A ascensão China e a BRI configuram-se, por isso, como uma nova globalização contraposta àquela de matriz neoliberal sob liderança dos EUA.
A transformação estrutural da economia mundial tem sido evidente. Mais de 50% do comércio exterior da China já ocorre com países da Belt and Road Initiative (BRI), enquanto os EUA representam apenas 11,2%. E iso muda profundamente a correlação de forças global.🧶🇨🇳
Os EUA seguem importantes, mas já não ocupam posição dominante no comércio chinês. Sua capacidade de constranger a China via sanções diminui aceleradamente. E o "desacoplamento" parece apenas limitar a projeção global estadunidense.
@AngeloS61007123 Aí entra um ponto importante. De fato, em exportação de serviços (incluindo os tecnológicos), os EUA ainda têm posição de destaque. A tendência, contudo, é de alteração
A transformação da geografia da indústria eletrônica em apenas duas décadas ajuda a entender a transição sistêmica em curso. Em 2000, a China respondia por 9% das exportações globais do setor. Em 2023, chegou a 33%. Os EUA caíram de 16% para 4%.🧶🇨🇳