Só hoje vi O Capital no Século XXI, que tá no Prime Video.
Entre tantos números e fatos avassaladores, uma experiência mostrada representa pra mim muito do mundo em que vivemos e estamos ajudando a construir sem perceber.
Pesquisadores colocaram pessoas para jogar Banco Imobiliário. Antes da partida, o acaso definiu quem começaria em vantagem, uma moeda jogada pra cima.
Quem venceu, recebia mais dinheiro, ganhava mais ao completar uma volta no tabuleiro e jogava com dois dados, enquanto o outro jogava com apenas um.
O resultado era previsível: quem começava com mais privilégios acumulava mais patrimônio e vencia.
Mas o mais interessante não estava no resultado.
À medida que enriqueciam, os privilegiados mudavam o comportamento. Tornavam-se mais expansivos, dominantes, exibiam mais ostensivamente a própria riqueza.
A vantagem inicial, determinada pelo acaso, começava a ser percebida como superioridade pessoal. “Eu mereço, as regras eram essas”.
Ao final, quando perguntados por que tinham vencido, falavam de suas escolhas, de sua estratégia, de como haviam jogado bem.
Esqueciam os dois dados. A valorização dobrada ao cruzar o mesmo ponto.
Talvez essa seja uma das melhores imagens para compreender o sofisma da meritocracia.
É evidente que esforço, talento, disciplina e escolhas importam. Mas não existe meritocracia verdadeira quando as condições de partida são brutalmente desiguais.
Há quem nasça com dois dados, mais dinheiro no banco e várias casas à frente. Há quem precise atravessar o mesmo tabuleiro com um único dado.
Depois, quando o primeiro vence, contamos a história como se ambos tivessem disputado a mesma partida.
É justamente sobre isso que fala O Capital no Século XXI.
Inspirado na obra do craque Thomas Piketty, o documentário mostra como riqueza gera riqueza, como patrimônio e herança atravessam gerações e como desigualdades econômicas acabam se transformando também em desigualdades de oportunidade e de poder.
É um documentário sobre economia.
Mas, sobretudo, é um documentário sobre sociedade.
E sobre a enorme diferença entre vencer o jogo e começar o jogo já vencendo.
De novo, no Prime Video
Enquanto o povo eleger corruptos de esquerda, direita e Centrão, os eleitos colocarão o rabo-preso entre as pernas e, para evitar investigações, deixarão magistrados autoritários violarem a Constituição em benefício próprio e de seus aliados.
Sem moralidade, o resto se corrói.
@Trivela_Futebol Torci muito contra a Argentina, já que sou brasileiro. Mas apesar de todo o favorecimento à ela no mundial, nesse lance o juiz acertou, e Otamendi não simulou, teve os dois pés pisados, o primeiro que não apareceu nos horríveis replays da Fifa, foi bem mais forte. VAR acertou.