Este jogo 3 entre o Sporting e o Benfica no futsal serviu de ponto de partida para uma reflexão pessoal. Há muitos micro comportamentos individuais que podemos transferir do futsal para o futebol. E quanto mais observo, mais percebo que o futsal desenvolve competências que nem sempre são trabalhadas no futebol, sobretudo na formação.
Bloqueios de remate, uso do corpo, defesa de tabela, 1x1 com foco no homem, rodar sobre o próprio eixo, agir como terceiro homem. Tudo isto é treinado e exigido no futsal. No futebol, valoriza-se muito o modelo de jogo e a técnica isolada, mas nem sempre se dá atenção ao detalhe individual que sustenta o coletivo.
No futsal, o erro custa golo. A exigência é maior. No futebol, há mais margem, e por isso muitos chegam aos seniores sem dominar certos comportamentos. E quando chegam, já não há tempo para ensinar. Ou, se há, o nível de aquisição é mais lento.
Não critico quem não tem meios. Há clubes que fazem o que podem com o tempo que têm. Mas em contextos de formação de alto nível, com treinos cinco vezes por semana, acredito que faz sentido olhar com mais atenção para este tipo de trabalho.
Vejo com bons olhos a ideia de que os jogadores possam praticar futsal e futebol até aos 13 ou 14 anos. Ganham detalhe, agilidade técnica e tática. Com cuidado, claro, para não criar vícios que depois prejudiquem no futebol. Mas se for bem orientado, pode ser uma grande base. O André Villas-Boas falou nisso durante a sua campanha e, sinceramente, acho que fazia todo o sentido.
Também me parece que seria positivo haver mais diálogo entre treinadores de futsal e futebol. Partilhar ideias, adaptar exercícios, cruzar experiências. Não para copiar, mas para enriquecer. No fim de contas, trata-se de preparar jogadores para competir.
Partilho isto como reflexão. Não como crítica. E muito menos com certezas. Apenas com a vontade de ver jogadores mais preparados para lidar com o jogo.