Estou a ficar completamente rendido ao Altimira.
Chegou há menos de três meses e já joga como se estivesse neste Sporting há anos.
O que mais gosto nele nem sequer é uma coisa específica. É o conjunto. Tem 1,88 m, aguenta o choque, recupera bolas, aparece onde é preciso e depois tem qualidade suficiente para não transformar cada recuperação numa bola perdida.
Há formação de Barcelona ali, claro. Foram sete anos em La Masia e o próprio nunca escondeu que cresceu a olhar para Busquets. Mas Altimira não me parece uma imitação de ninguém. Está a começar a mostrar a sua própria identidade.
E há uma característica que para mim vale ouro num médio do Sporting, quer a bola.
Pode estar pressionado, pode o jogo estar partido, pode haver pouco espaço. Aparece na mesma. Não se livra dela só para passar o problema ao colega seguinte.
Foi titular nas sete jornadas do campeonato e já parece daqueles jogadores que, quando vemos o onze, procuramos imediatamente pelo nome.
Ainda agora chegou e eu já estou neste ponto:
Altimira + 10.
#sporting #sportingcp
Isto é daquelas coisas que parecem uma anedota até percebermos que estamos a falar do Sporting.
Criam uma plataforma com autenticação para consultar documentos da Assembleia Geral. Até aqui, normal. O sócio identifica-se, entra numa área reservada e consulta documentação que, em princípio, está protegida por esse controlo de acesso.
Depois descobrimos que os documentos apresentados dentro dessa área são carregados através de um iframe a partir de um Issuu público.
Ou seja, a porta tem fechadura. O que está lá dentro pode estar exposto pela janela.
E a pergunta óbvia é esta: se o documento está publicamente acessível no Issuu, para que serve exatamente a autenticação do portal?
Antes de chamar a isto uma falha de segurança, convém confirmar uma coisa essencial: se os documentos podem efetivamente ser encontrados ou abertos diretamente no Issuu sem autenticação. Um iframe, por si só, não prova que o conteúdo esteja público.
Mas, se estiver, então não estamos perante um pormenor técnico. Estamos perante um controlo de acesso que protege a página, mas não protege o recurso que se pretendia restringir.
Num clube com a dimensão do Sporting, isto merece uma explicação técnica séria. E rapidamente.
Têm uma plataforma com autenticação para consultar os docs da AG, mas depois os docs são um iframe para um issuu publico.
Cada vez acho mais que o departamento de IT do @SportingCP é um bando de idiotas.
Uma das opiniões mais sóbrias que ouvi sobre todo este caso resume-se numa frase:
Jorge Jesus fez o que fez porque a equipa não depende de Cristiano Ronaldo. A Federação fez o que fez porque depende de Cristiano Ronaldo.
E talvez esteja aqui grande parte do problema.
Cristiano Ronaldo tem 41 anos. É o maior marcador da história da Seleção, o jogador português com mais internacionalizações e uma figura que ultrapassou há muito as fronteiras do futebol português. Nada disso está em discussão.
Mas uma Seleção Nacional não pode organizar-se como se continuasse a depender desportivamente de um jogador de 41 anos.
Não é uma crítica a Ronaldo. É a lei da vida.
Jorge Jesus percebeu isso. O passado conta para reconhecer a carreira. O rendimento presente conta para decidir quem joga.
Ronaldo tem um estatuto diferente pela carreira que construiu, mas esse estatuto não pode condicionar as decisões do treinador. Se tiver rendimento, joga. Se não tiver, não joga.
Onde está o escândalo?
Estranho seria um selecionador decidir quem joga olhando para as cinco Bolas de Ouro, para os recordes ou para aquilo que determinado jogador representou durante vinte anos.
O futebol não funciona no passado.
O problema começa quando se confunde respeito com dependência.
Respeitar Cristiano Ronaldo é obrigatório. Fazer depender a gestão da Seleção da reação de Cristiano Ronaldo a uma decisão técnica é outra coisa.
Pode Jorge Jesus ter gerido mal a comunicação? Pode.
Mas há uma pergunta muito mais incómoda.
Tinha ou não tinha o selecionador o direito de deixar Cristiano Ronaldo no banco?
Se a resposta é sim, então porque é que uma decisão técnica se transforma numa crise institucional?
E é aqui que a frase do vídeo acerta onde dói.
Jorge Jesus pode pensar apenas como treinador.
A Federação tem muito mais dificuldade em olhar para Cristiano Ronaldo apenas como jogador.
Ronaldo é história, imagem, estatuto e uma dimensão mediática que nenhum outro internacional português possui.
Mas quem manda afinal na Seleção?
Porque um selecionador que não pode deixar um jogador no banco sem desencadear uma crise deixa de ter autoridade plena sobre o grupo.
Nenhuma grande equipa deve depender de um futebolista de 41 anos.
Nem de Cristiano Ronaldo.
Portugal já não é a Seleção que precisava que ele resolvesse praticamente tudo. Tem qualidade suficiente para fazer a inevitável transição.
O tempo não negoceia.
Cristiano Ronaldo pode continuar a ser útil. Pode marcar golos. Pode decidir jogos. Pode até obrigar Jorge Jesus a colocá-lo novamente no onze através daquilo que fizer dentro do campo.
É precisamente assim que deve ser.
O problema começa quando deixa de ser necessário ganhar o lugar e passa a ser necessário justificar publicamente porque é que ele não o tem.
Aí já não estamos a proteger Cristiano Ronaldo.
Estamos a tornar a Seleção dependente do estatuto de Cristiano Ronaldo.
E aos 41 anos, depois de tudo o que deu a Portugal, ninguém deveria exigir-lhe que carregasse esse peso.
Muito menos a própria Federação.
A camisola 7 não ficou livre. Foi esvaziada.
Deram o 7 de Cristiano Ronaldo a Rafael Leão.
Sim, o regulamento obriga a que alguém fique com o número. O problema é a escolha. E espero sinceramente que seja apenas uma solução circunstancial, não a ideia de quem deve suceder ao 7 mais pesado da história da Seleção.
Porque escolher Leão é quase uma provocação.
Cristiano transformou o 7 em obsessão competitiva. Trabalho, rendimento, golos, fome permanente. Nunca parecia chegar.
Leão representa quase o contrário. Talento absurdo, rendimento aos soluços e aquela irritante sensação de que podia ser muito mais jogador se quisesse ser muito mais jogador.
É esse o ponto que me incomoda.
Não espero outro Cristiano. Isso seria ridículo. Espero que quem herdar verdadeiramente aquela camisola perceba o peso que leva às costas.
Hoje o regulamento precisava de um número 7 e deram-no a Rafael Leão.
Que seja só isso.
Porque se isto é uma passagem de testemunho, escolheram o homem errado.
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200 mil sócios.
O número mais alto da história do Sporting.
Há números que servem para encher comunicados. Este não. Mede dimensão, ligação ao clube e, sobretudo, gente disposta a fazer parte dele.
Num tempo em que o futebol se tornou cada vez mais negócio, o Sporting ultrapassa os 200 mil sócios no ano em que celebra 120 anos.
Eu olho para isto e vejo muito mais do que uma marca administrativa.
Vejo gerações. Vejo quem esteve quando ganhar parecia impossível e quem chegou quando voltámos a ganhar. Vejo Alvalade cheio. Vejo famílias onde ser do Sporting continua a passar de pais para filhos.
Presidentes passam. Treinadores passam. Jogadores passam.
Os sócios ficam.
E são mais de 200 mil.
O Sporting é dos sportinguistas. Nunca convém esquecer.
Vozinha descobriu o lado da fama que ninguém publica no Instagram.
Fez um Mundial extraordinário por Cabo Verde e tornou-se uma figura mundial praticamente de um dia para o outro. Agora admite que, se pudesse escolher, preferia a vida que tinha antes.
Eu consigo perceber porquê.
Há poucas coisas mais violentas no futebol do que a velocidade com que mudamos aquilo que exigimos de um jogador.
Vozinha podia fazer exatamente as mesmas defesas durante anos e quase ninguém reparava. Bastaram algumas semanas num Mundial para mudar tudo. Agora já não olham para ele como o guarda-redes que sempre foi. Olham para o herói que viram na televisão.
E aí começa o problema.
Ontem eras um guarda-redes mediano de uma segunda liga. Hoje exigem-te que sejas Courtois.
Fazes uma grande defesa e já era esperado. Sofres um golo que talvez pudesses defender e aparecem imediatamente as comparações com o Mundial. Um período excecional da carreira transforma-se, sem ninguém te perguntar, no teu novo nível mínimo.
A fama faz isto.
Não melhora subitamente o jogador. Aumenta brutalmente o número de pessoas que o julgam.
Depois entra pela vida dentro. Fotografias. Vídeos. Abordagens. Redes sociais. Gente que acha perfeitamente normal filmar alguém porque o viu defender penáltis na televisão.
Nós vemos o lado engraçado. Ele explicou o outro. Perdeu paz, tranquilidade e grande parte da privacidade.
Talvez seja esta a parte mais interessante da história de Vozinha.
Passamos anos a preparar um futebolista para suportar o fracasso.
Quando o sucesso lhe cai em cima de um dia para o outro, assumimos simplesmente que saberá viver com ele.
Hoje Jorge Jesus ganhou pontos comigo.
Cristiano Ronaldo começou no banco e acabou por não entrar. O jogo pediu outras soluções e Jesus escolheu quem entendia servir melhor aquele momento.
Portugal fez um bom jogo. Rápido, móvel, com intensidade.
Mas para mim fica sobretudo o sinal. Nesta seleção joga quem serve melhor o jogo. O nome, o estatuto e o currículo não compram titularidades.
Nem quando o nome é Cristiano Ronaldo.
Ronaldo terá os seus jogos, os seus momentos e continuará a ser importante. Hoje simplesmente não era o momento dele.
É isto que eu quero num selecionador. Escolhas, não reverências. E zero vacas sagradas.
Afinal, os jogadores do Porto levam amarelos. Basta atravessarem a fronteira.
Em Portugal são exemplos de disciplina. Lá fora, pelos vistos, os árbitros não receberam o manual de instruções da nossa Liga.
Curiosa esta diferença de critérios.
Este vídeo levanta uma discussão que vale a pena ter.
Eu não compro a ideia de que Sérgio Conceição chegava ao Sporting e era campeão em março. Isso é conversa fácil. Ninguém sabe.
Mas há uma pergunta que me interessa muito mais.
O que faria Sérgio Conceição com este plantel?
No Porto ganhou 3 campeonatos, 4 Taças de Portugal, 3 Supertaças e 1 Taça da Liga. E durante boa parte desse percurso não teve propriamente um plantel onde sobrassem soluções.
Podemos gostar ou não dele. Eu próprio tenho muitas reservas sobre a personagem. Mas dentro do campo havia uma coisa que raramente faltava às suas equipas. Competiam como se cada ponto lhes saísse do bolso.
E é aqui que chego a Rui Borges.
Este Sporting tem plantel para jogar mais? Para mandar mais nos jogos? Para ser mais agressivo quando perde a bola? Para não passar tantos minutos à espera que alguma coisa aconteça?
Eu acho que sim.
Por isso, quando alguém diz que Sérgio Conceição faria mais com este Sporting, eu não acho a discussão absurda. Pelo contrário. Acho que é uma comparação desconfortável para Rui Borges.
Porque o Sporting não precisa apenas de um treinador que vá ganhando jogos.
Precisa de um treinador que esprema este plantel até ao limite.
E deixo a pergunta porque quero mesmo perceber onde estão os sportinguistas neste debate.
Com o plantel que existe hoje, preferiam Rui Borges ou Sérgio Conceição?