O mais triste disso tudo é perceber quanta gente burra e cega convive com a gente diariamente.
Eu sempre falo: O Brasil tem potencial pra ser o melhor país do mundo, mas a mediocridade e ganância sempre vem na frente
Falei da incongruência do bolsonarismo vitorioso em Manaus, com tudo que minha cidade passou, com a crise de oxigênio e as mortes na pandemia e com a constante ameaça à Zona Franca, modelo que sustenta a cidade. Mas tudo isso vale também para outros lugares, como o RS, com a tragédia das enchentes, como alguém lembrou. Vale para SP e a violência urbana que Tarcísio não combate; vale pro RJ, entregue às milícias e seus governos ineptos há anos. Lugares com seus esquecimentos particulares...
Como que as pessoas ainda votam nessa gente? As pessoas esqueceram, dizem. Como pode?
Quem vota no bolsonarismo "esquece" as coisas porque é um discurso que não é, na sua constituição, um discurso democrático. Nos discursos democráticos, temos adversários políticos, com ideias que precisamos superar, como eram os hoje saudosos embates do PT com o PSDB. Mais ou menos Estado? Mais ou menos políticas de distribuição de renda? Políticas de segurança mais punitivistas ou mais garantivistas? Leis mais progessistas ou mais conservadoras? Isso é política.
Para o bolsonarismo, como as ideias e projetos não importam, os fatos se tornam secundários ou mesmo desprezíveis. Diferentemente dos discursos de esquerda, centro ou direita, o bolsonarismo é um discurso autoritário, excludente, com características neofascistas, que tem não adversários para debater ideias, mas que constrói um inimigo que precisa ser aniquilado, inclusive fisicamente se der: "vamos metralhar a petralhada!". Veja o que cabe nesse guarda-chuva: misóginos, racistas, LGBTfóbicos, perversos de toda natureza, cantores sertanejos que saqueiam prefeituras pequenas, influencers de bets, empresários sonegadores, religiosos obedientes das igrejas neopentecostais, afogados nas turvas águas das Lagoinhas... todos com um mesmo objetivo: eliminar o inimigo.
Repito: todo o resto não importa. Não importa se o seu líder é corrupto, rachadinha, lavador de dinheiro, filho do cara preso por tentar dar um golpe de Estado e tramar o assassinato do presidente eleito e de ministro da Suprema Corte. Não importa se seu candidato é sócio de bet e alegadamente ligado às milícias, se pegou dinheiro dos aposentados no trambique com o Vorcaro. O que importa e o que se sobrepõe a tudo é, como dito, eliminar o inimigo, seja esse inimigo o PT, o Lula, a esquerda, o comunismo ou o diabo. Eliminar a qualquer custo é a tarefa única. Tem inimigo para todo mundo. O velho Marx sorri no túmulo e me lembra que inclusive não esqueçamos um alvo preferencial desse discurso: o pobre, na velha luta de classes, que nunca cessou. Que história é essa da filha da empregada passar na universidade pública e o filho do empresário ficar, como o Nikolas, no 600º lugar na classificação final? "Que horas ela volta?". Muitos pobres, aliás, constatamos desolados, foram arregimentados para esse discurso no silencioso trabalho da ideologia. Marx vive, companheiros.
Minha esperança é a de que muitas das pessoas que votaram nesse candidato desqualificado no primeiro turno percebam a furada que é repetir o voto e, mesmo de nariz tapado, votem em Lula e na manutenção das políticas inclusivas no segundo turno. Votem em Lula, amigos, mesmo achando que ele não é o voto ideal, que ele é o menos pior, para daqui a quatro anos vocês tentarem de novo com outro candidato porque a democracia continuará, o que não se pode garantir com o bolsonarismo.
E para você, que não votou nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, faço um convite: vote pela democracia, não eleja o autoritarismo. Você é muito bem-vindo! Vamos conosco!
Por tudo isso, dia 25 é 13.
#LulaPresidente
No terceiro aniversário da morte de um amigo que era podre de rico, meu telefone tocou.
Era o número dele.
Fiquei olhando para a tela até a ligação cair. Depois, chegou uma mensagem:
“Pode atender. Sou eu.”
Achei que fosse golpe. Alguém tinha conseguido o número antigo e encontrado minhas fotos com ele.
Respondi:
“Vai procurar outra pessoa pra atormentar.”
Os dois risquinhos ficaram azuis.
“Você ainda guarda o relógio que pegou de mim?”
Senti o rosto esquentar.
Eu tinha pegado aquele relógio numa viagem, vinte anos antes, ao invés de pegar o meu. Ele me viu usando no dia seguinte e caiu na gargalhada. Disse que eu podia ficar com ele, mas que ia me chamar de ladrão pelo resto da vida.
Nunca contamos isso a ninguém.
O telefone tocou outra vez.
Atendi.
Antes de qualquer palavra, ouvi aquela risada curta, meio sem ar.
— Demorou, ladrão.
Sentei no chão da cozinha.
Eu tinha carregado o caixão dele.
— Isso não é possível.
— Eu sei. Preciso que você me escute até o fim.
A voz falhava um pouco. Havia um chiado no fundo.
— Amanhã vão te procurar para vender minha casa. Não assina nada antes de ir até lá.
Fazia três anos que eu tentava vender aquela casa. Ele tinha deixado o imóvel para mim, junto com uma conta suficiente para pagar as despesas. Era a única parte da herança que não tinha ficado com a família.
— Quem está falando?
— Vai até a casa. Abre a gaveta de baixo da minha mesa. A chave está dentro do relógio.
Olhei para o meu pulso.
— Como assim, dentro?
Mas a ligação caiu.
Passei a madrugada tentando retornar.
Número inexistente.
Às oito e quinze da manhã, o advogado dele me ligou.
Havia um comprador para a casa.
Disse que pagaria o dobro do valor, à vista, desde que eu assinasse naquele dia.
Falei que precisava pensar.
Depois peguei uma faca de ponta fina e abri a tampa traseira do relógio.
A chave caiu na mesa.
Dirigi quase três horas sem ligar o rádio.
Na casa, encontrei a gaveta trancada. Dentro havia um celular conectado a um carregador, um envelope e uma fotografia nossa, ainda adolescentes.
O celular tinha uma única conversa.
Comigo.
As mensagens da noite anterior estavam ali.
Abri o envelope. Era a letra dele:
"Pesquisa no Google: Bolsonaro mandou matar Lula?"
fico triste em pensar que nossa educação é tão precarizada que muitas pessoas sequer possuem letramento politico pra compreender o significado de palavras como fascismo, milicia, autoritarismo...e, consequentemente, a gravidade de determinadas coisas que acontecem no nosso país
Apague o TikTok. Assista a filmes antigos. Abrace o tédio. Pare de rolar o feed infinitamente. Coma sem telas ou distrações. Passe o tempo em livrarias. Desacelere suas manhãs. Caminhe sem fones de ouvido. Comece a acreditar em você. Defina limites para o celular. Olhe pela janela. Visualize seu futuro. Aprenda novas habilidades. Busque o desconforto. Viva a vida de verdade. Passamos tanto tempo assistindo aos outros viverem que esquecemos que temos uma vida própria para viver.♟️
cansada de textão pra justificar bolsonarismo sendo que 5 minutos de conversa com eles você descobre que é bem simples, o brasileiro quer poder odiar em paz. O brasileiro quer que deem voz aos seus preconceitos. Economia pode continuar merda se puderem humilhar trans em banheiro.
vc não é anti-corrupção. vc nem se importa com corrupção. vc não tá nem aí pro seu país. vc vota por identificação num projeto de sociedade que faz vc e um grupo de pessoas sentirem-se protagonistas sem necessidade, por egoísmo ou carência, mesmo que custe seu país e sua lucidez.
O efeito mais visível pós-pandemia é o quanto o foco das pessoas ruiu. Hoje existe uma resistência quase física a qualquer coisa que exija pensar um pouco mais fundo. Se a informação não vier mastigada num vídeo curto e dinâmico, ninguém recebe. Estarrecedor. 😩
Tenho a impressão de que a primeira década pós-pandemia ficará marcada por um declínio cognitivo coletivo.
É impressionante a quantidade de pessoas que não apenas aderiram à superficialidade geral, como também só conseguem "absorver conhecimento" por meio de vídeos curtos.
Os indecisos que esperaram o vídeo do Felca, depois de verem a galera do amor mandando o cara se matar, não estão mais indecisos.
Vídeo do Felca, no final, tá virando muito voto.
O que eu bloqueei de robô, bebedor de detergente, rezador de pneu, tomador de cloroquina, fã de torturador e admirador de miliciano nesta eleição não está escrito.
Ter Mein Kampf nas mãos dá nojo porque escancara a origem do horror. Como Adorno alertou, a exigência maior da civilização é garantir que Auschwitz não se repita. A barbárie não se inicia nos campos, mas na frieza do discurso que tira a humanidade do outro. Livro horrendo.
Mein Kampf (Minha luta) é um livro escrito por Adolf Hitler na década de 1920, no qual apresenta ideias que fundamentaram o nazismo, como o antissemitismo, o racismo e o expansionismo alemão.
A obra serviu como instrumento de propaganda de uma ideologia que sustentou a perseguição e o extermínio de milhões de pessoas.
Tenho um exemplar desse livro. É asqueroso.