Depois de publicar, no X, um desabafo sobre a dificuldade de circulação de livros no Brasil, ocorreu um efeito inesperado: a biografia Machado: O Filho do Inverno, até então praticamente invisível, saltou no ranking.
Alcançou o primeiro lugar em vendas na categoria História do Brasil na Amazon Brasil.
Meu sincero agradecimento a todos que adquiriram o livro. Estou certo de que vocês encontrarão um Machado de Assis muito diferente (e positivamente diferente) daquele que lhes foi apresentado na escola.
Mas, esse episódio, mais do que anedótico, expõe uma engrenagem silenciosa da cultura contemporânea: o algoritmo não busca leitores, mas reações.
Nos últimos anos, consolidou-se um paradoxo.
Nunca foi tão fácil alcançar milhares de pessoas e, ao mesmo tempo, tão difícil formar leitores.
Plataformas digitais operam sob uma lógica de estímulo imediato, privilegiando o que provoca indignação ou adesão rápida.
Nesse ambiente, a complexidade se torna desvantagem competitiva. A literatura, por definição, exige tempo, nuance e atenção, três valores cada vez mais escassos.
Ao mesmo tempo, cresce a expectativa de que escritores assumam o papel de promotores de si mesmos, compensando a fragilidade estrutural do mercado editorial.
A escrita, assim, deixa de ser fim e se torna meio, subordinada a métricas de engajamento.
O meu caso recente revela menos uma exceção do que uma regra: leitores existem, mas não estão sendo alcançados.
O problema não é de interesse, mas de mediação.
E, talvez, o risco maior esteja aí.
Quando algoritmos passam a determinar não apenas o que circula, mas como pensamos, a cultura deixa de ser um espaço de formação e passa a ser um campo de condicionamento.
Resta saber se ainda haverá leitores dispostos a resistir.
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@barinopedro Isso me f... as ideias. Mais de 700k e ele vai pra cadeia por causa de um relógio e uma tentativa de golpe. Qualquer coisa que ele fez é menor que a vida desses milhares de pessoas
Aclamado em festivais, o filme brasileiro ‘Kasa Branca’ já está disponível nos cinemas.
O longa conta a história de Dé, jovem negro que, sem estrutura familiar, é o único encarregado de cuidar da vó, que vive com Alzheimer em fase terminal.