Naquele tempo, disse Cris aos seus discípulos: Quem é o Adónis do futebol, o insubstituível, o magnífico e o eterno mais maior grande futebolista de Portugal, dos arredores e para além?
@veludoaspero Agora que ele estava no auge da carreira. Aquele rapaz é como o Benjamin Button, os anos passam por ele e está cada vez mais jovem. É vê-lo a infernizar a vida das defesas contrárias. O pressing é tal que o resto da equipa fica cansada só de o ver.
Haja noção!
@jvieirapereira “… ,e um jornal acha que o problema é a casa dos leitores. Um jornal que, diga-se de passagem, recebe dinheiro público e, pelo que se vê, deve querer mais.”
João Vieira Pereira (@jvieirapereira) escreve no @expresso que está na altura de tributar o património. Concordo com uma frase do editorial e discordo de todas as outras. Vou por ordem.
A premissa. "Há contas para pagar", diz ele: se o Estado arrecada menos IRS, só com impostos sobre o património ou sobre o consumo se equilibram as contas. Não é verdade, e os números são deste ano. Portugal fechou 2025 com um excedente de 0,7% do PIB, 2.059 milhões de euros, o terceiro ano seguido de contas positivas. A receita fiscal chegou aos 108,8 mil milhões, mais 6,9 mil milhões do que no ano anterior, e a carga fiscal subiu para 35,3% do PIB, apesar da descida do IRS. Cada português pagou em média 6.729 euros de impostos em 2025, 2.310 euros mais do que em 2016. O buraco que o editorial quer tapar não existe. O que existe é um Estado que gastou 130,9 mil milhões, 6,6% mais do que no ano anterior, e um jornal a procurar quem pague o próximo aumento.
O objeto. O editorial fala como se o património fosse terreno virgem. Portugal cobra IMT até 7,5% na compra de uma casa, um dos impostos sobre transações mais altos da Europa, mais 0,8% de Imposto do Selo, mais IMI todos os anos, mais IRS sobre as rendas, mais imposto sobre as mais-valias. E cobra desde 2017 exatamente o imposto que o editorial pede sem o nomear: o Adicional ao IMI, 0,7% sobre o património imobiliário acima de 600 mil euros, 1% acima de um milhão, 1,5% acima de dois. Quem tem uma casa maior, uma segunda casa, uma casa de luxo, já paga mais. Há nove anos. Em 2025, o IMT rendeu 2.146 milhões às câmaras, mais 24% do que em 2024, e o IMI 1.589 milhões. E os preços das casas subiram 169% entre 2015 e 2025, o segundo maior aumento da União Europeia. Toda esta tributação estava em vigor durante a subida. Não a travou, porque impostos sobre o imobiliário não baixam o preço das casas; pagam-se dentro do preço das casas, pelo comprador e pelo inquilino.
O alvo. "O património está muito mais concentrado do que o rendimento", escreve. É verdade nos manuais e é irrelevante em Portugal, porque aqui o património é a casa. Sete em cada dez famílias portuguesas são proprietárias e a habitação vale dois terços da riqueza das famílias. Um imposto anual sobre o valor da casa não é um imposto sobre milionários. É um imposto sobre o T2 em Benfica que se valorizou sem que o dono fizesse nada, e sobre o casal de setenta anos com 800 euros de pensão e um apartamento que vale 300 mil, que corta na farmácia para não vender a única coisa que tem. Os milionários do editorial têm o património em ações, em fundos e em casas no estrangeiro, e mudam-se. O que não se mexe é o reformado. E é aí que o argumento mais honesto do texto se vira contra ele: o património imobiliário "é inamovível e a sua existência não pode ser escondida". Traduzido: taxamos o que não pode fugir. É a lógica de todos os impostos sobre a fortuna que já se tentaram. O ISF francês isentava o património empresarial, que é onde está a riqueza dos ricos, e caiu sobre o médico com um andar em Paris.
A causa. O editorial descreve bem o sintoma, salários a subir 48% e casas 182%, e erra no diagnóstico por completo. As casas subiram porque não se constroem: solo urbanizável congelado nos planos diretores, licenças que demoram anos, IVA a 23% sobre o que se constrói, e uma procura que cresceu com um milhão de imigrantes e uma década de juros a zero. Nenhuma destas coisas se resolve com um imposto. A OCDE, que o editorial cita, di-lo no relatório de janeiro deste ano: a primeira recomendação sobre habitação é simplificar e harmonizar o licenciamento, com prazos máximos claros. Só depois vêm os impostos, e o que a OCDE recomenda não é o que o editorial diz. Recomenda passar gradualmente a carga fiscal das transações para os impostos recorrentes sobre a propriedade, atualizando os valores patrimoniais, e agravar a taxa sobre casas devolutas em zonas de pressão. É uma troca dentro do imobiliário, menos IMT e mais IMI, e todo o pacote de impostos sobre a propriedade que a OCDE simula vale 0,3% do PIB. O IRS rende mais de dez vezes o IMI. Ninguém na OCDE propõe substituir um pelo outro.
A frase com que concordo é essa: tributar a posse é melhor do que tributar o movimento. Já muitos propuseram extinguir progressivamente o IMT e substituí-lo por IMI sobre valores atualizados, sem perder um euro de receita municipal, com diferimento para quem tem casa e não tem rendimento e a hipoteca inversa para quem é rico em casa e pobre em pensão. Isso liberta as casas de quem já não precisa delas, baixa o custo de mudar e não tira um euro a mais às famílias no total. O editorial quer o contrário: manter tudo o que existe e acrescentar.
E há a escolha que o editorial não vê. Diz que só há duas alternativas, IRS ou IVA, e que o património é a saída. Há uma terceira, e é a única que este país nunca experimentou: gastar menos, ou gastar melhor. O Estado cresceu oito mil milhões num ano com as contas em excedente. "Há contas para pagar" é uma frase sobre a despesa, não sobre o património.
Portugal não é um condomínio de luxo para milionários em troca de dez tostões. É um país onde o Estado cobra 35,3% do PIB, fecha o ano com dois mil milhões de sobra, e um jornal acha que o problema é a casa dos leitores. Um jornal que, diga-se de passagem, recebe dinheiro público e, pelo que se vê, deve querer mais.