O miúdo de camisola impecavelmente enfiada nos calções, fiel a uma imagem que o precedia em várias gerações de ídolos, capaz de evocar o melhor da história do seu clube sem dizer uma palavra. Não precisou. Estava tudo à vista desde o primeiro momento.
O miúdo com idade para ser tiktoker e jovem promessa que pegou na primeira oportunidade e nunca perdeu tempo. Preferiu chegar a adulto mais depressa e com isso tornou-se referência do balneário e da bancada.
O miúdo bem formado, de maneiras raras no futebol, imediatamente reconhecido pelos seus pares. Pelo que joga e pelo modo como se apresenta. Um embaixador do Benfica e do desporto. Uma razão para se gostar ainda mais de futebol.
O miúdo que sempre representou com a maior elevação o clube do seu coração e que nunca se esqueceu dos seus outros pares, os que estavam na bancada.
O miúdo que sempre compreendeu e abraçou a responsabilidade de nos fazer sentir que quem está no relvado sofre tanto como os que estão cá fora, o que muitas vezes foi tudo.
O miúdo que, de camisola impecavelmente enfiada nos calções, deu tudo o que tinha por um clube com uma liderança desfraldada que não fez nem quis fazer o suficiente para manter alguém que foi Benfica da cabeça aos pés, do primeiro ao último minuto.
O miúdo que se fez homem no Benfica e merecia continuar a escrever essa história. O miúdo que, antes de escrever na sua biografia “capitão do Sport Lisboa e Benfica”, viu o seu nome ser escrito no balancete.
O miúdo com tudo para representar a inevitável grandeza do Benfica, que se vê substituído pela, dir-nos-ão, inevitável ditadura dos direitos económicos.
O miúdo que entra diretamente para o vasto plantel dos jogadores que podiam ter sido heróis de uma história improvável num clube gigante e contra-cíclico que gere o que é seu para se tornar cada vez maior e não apenas para existir, porque sabe que assim estará mais perto de fazer história.
O miúdo que, como outros antes dele, poderia ter personificado uma narrativa contrária à frieza dos números, escrita em mais memórias de adeptos e em menos comunicados à CMVM.
Um dia será possível contar outra história do Benfica ao mundo. A de um clube lutador, muito antes de ser vendedor. É inevitável.
Desculpa, João. E obrigado.
@zemarinhoficial Edição do video não contraria as palavras ditas neste excerto, que contraria sim a identidade maior do clube. Vencer todos os jogos.
Não falemos de "narrativas", vamos aproveitar momentos de vitória, quando não é preciso encomendá-las.
Ontem, mais uma vez, vi alguns adeptos deixando o estádio com 10, 15, 20min antes fim do jogo. Eu acho isso muito ruim. Falta de apoio. Na hora do gol da virada gravei um vídeo que tinha um recado para eles, mas ai cortei na hora de publicar. Valia mais a festa!!!