ESTADÃO ANALISA 🎧 "Produtora parece ter sido criada para fazer filme de Bolsonaro, e faltam explicações sobre o porquê de usar o fundo Heaven's Gate", diz Carlos Andreazza
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A sensação que o Coutinho sempre me transmitiu foi a de constrangimento.
Parecia jogar carregando um peso: envergonhado por não render o que imaginava ser capaz, receoso de não corresponder às expectativas da torcida. Havia vergonha em ser substituído por não aguentar os 90 minutos, vergonha em ficar no DM, vergonha de receber um salário altíssimo e não corresponder.
Não duvido que tenha vindo para o Vasco por amor ao clube. Mas também chegou consciente do ambiente que encontraria: uma torcida ferida, desconfiada, exigente. E isso parecia afetá-lo desde o primeiro dia.
Ele mal comemorava os gols. Para ele, aquilo soava como obrigação; o mínimo. Faltava leveza até no instante mais simbólico do futebol. A impressão era de alguém emocionalmente fragilizado, tentando o tempo todo evitar o erro, evitar a crítica, como se soubesse que, quando ela viesse com força, não suportaria.
E veio. Quando as cobranças aumentaram e as vaias ecoaram no estádio, parecia claro que algo tinha se rompido. Ele próprio parecia saber que não conseguiria reconquistar o prestígio, porque já não acreditava plenamente em si.
Enquanto a torcida sustentava a esperança, ele parecia apenas sobreviver. No momento em que esse apoio se dissolveu, ele entendeu como sentença.
Rayan nasceu em São Januário, foi criado em São Januário e cresceu em São Januário, sempre jogando numa categoria acima. E só está lá ainda por dois traços marcantes: por ser fruto do amor que uniu o ex-zagueiro Valkmar a Vanesa, ex-funcionária do clube; e pelo o DNA da benemerência sempre presente à história do Vasco. Não foram poucas as ofertas tentadoras para que os pais tirassem o menino do clube. E quando os atrasos na ajuda de custo beiravam à miopia dos dirigentes, foram os mais abastados que depositaram na conta dos pais o dinheiro devido pela instituição - coisa comum nas divisões de base dos grandes clubes. Roberto, portanto, sabia muito bem o que estava dizendo ao garoto. O futebol de base do Vasco, nem sempre entregue a profissionais de competência e idoneidade confiáveis, teve sorte de não ter perdido esse jogador. Porque além do talento, o vascainismo dele vem de berço. História linda de ser contada…
“Os caras empataram com o GIGANTE, e estão arrancando a calcinha pela cabeça. O Vasco é uma pik@, olha o clima que ficou essa merda. Os caras estão puto pra c@r@lho”
🎙️ Casimiro
🎥 CazéTV