@usuario_pesado É um filme simples com diálogos sensíveis. Os personagens parecem gente de verdade, com atuações convincentes. Bonito, delicado, daqueles filmes que ficam com a gente.
@eguataz Moro num vilarejo a 40 minutos de BH. Não poderia estar mais feliz. Vivo cercado de natureza exuberante, posso tomar um banho de cachoeira antes de trabalhar, o cachorro vive solto num terreno grande. Tem um pequeno comércio com produtos artesanais e vegetais orgânicos
@deadpoetes Moro num vilarejo a 40 minutos de BH. Não poderia estar mais feliz. Vivo cercado de natureza exuberante, posso tomar um banho de cachoeira antes de trabalhar, o cachorro vive solto num terreno grande. Tem um pequeno comércio com produtos artesanais e vegetais orgânicos
@sergiofreire Estava com a expectativa lá em cima para ver esse filme. Fiquei muito decepcionado. Tudo me incomodou muito, achei tudo uns tons acima… enfim. Mas vou dar um Google em Esther Perel!
@Ruiiz___ No final dos anos 90 ele era um ator inciante, e numa viagem ao Brasil, através de um amigo em comum, ele ficou hospedado na minha casa! Lembro de um jovem muito lindo e extremamente educado.
@flaviaol Moro na zona rural em Brumadinho. Um lugar tranquilo, com muitos passarinhos. No dia que a barragem rompeu tive a nítida sensação de um silêncio incomum, antes de tudo acontecer. Não se ouvia o canto dos pássaros.
Leia Rouanet e as Bets - a evaporação da ética
As bets chegaram à cultura. E chegaram também à Lei Rouanet.
Segundo a @Folha, empresas de apostas destinaram R$ 11,8 milhões a projetos incentivados desde 2025. É pouco diante do volume total da Lei Rouanet, mas é muito diante da pergunta que precisamos fazer: a cultura brasileira deve aceitar dinheiro das bets?
Para mim, não.
E não acho que exista aí um grande dilema jurídico. As bets são empresas legalizadas, pagam impostos e podem operar no país. A questão é outra. É ética.
Estamos falando de uma atividade que produz dependência, endividamento e destruição de relações familiares. O próprio poder público começa a criar restrições à publicidade das apostas e a tratar seus efeitos como problema de saúde pública.
Então como explicar que, ao mesmo tempo, essas empresas possam usar dinheiro de renúncia fiscal para associar suas marcas à cultura?
É aí que começa o que chamo de evaporação da ética.
Ela acontece quando deixamos de perguntar se devemos aceitar determinado dinheiro e passamos a discutir apenas como utilizá-lo.
Surge então um argumento sedutor: se esse dinheiro existe, por que não transformá-lo em cultura? Por que não pegar uma receita de uma atividade problemática e convertê-la em livros, espetáculos, festivais, exposições?
Porque patrocínio não é doação.
Patrocínio compra associação de imagem. Compra prestígio. Compra presença. Uma bet que coloca sua marca num festival não está apenas ajudando a pagar o festival. Está recebendo em troca uma parte da legitimidade daquele evento e das pessoas que participam dele.
A própria reportagem mostra isso com clareza. Um executivo do setor admite que, sem exposição da marca, esses investimentos perdem sentido para a empresa.
Então não estamos simplesmente transformando dinheiro das bets em cultura.
Estamos também transformando cultura em reputação para as bets.
E há uma diferença enorme entre uma bet pagar impostos e uma bet patrocinar um projeto com incentivo fiscal.
Que paguem seus impostos integralmente. Que o Estado use esse dinheiro para financiar cultura. E educação. E saúde. Inclusive
para enfrentar os danos provocados pelo próprio jogo.
Imposto não exige logomarca no palco.
O precedente, aliás, já existe. A regulamentação da Lei Rouanet estabelece restrições à promoção de marcas de produtos de tabaco em projetos incentivados. O Ministério da Cultura informa que já estuda mecanismos para restringir também o incentivo fiscal proveniente das empresas de apostas.
Que faça isso. E rápido.
Não se trata de condenar artistas ou produtores que receberam esses recursos dentro das regras existentes. Trata-se de estabelecer uma regra daqui para a frente.
O mundo da cultura precisa saber dizer não.
Porque existe algo mais importante do que captar dinheiro: saber de quem estamos dispostos a recebê-lo.
Quando começamos a relativizar isso, a ética não desaparece de repente.
Ela evapora.
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