Vivaldi's “Winter,” visualized in a fascinating way, so that the auditory experience is even more intense; one can literally “see” the music, so to speak
Chantagem não pode virar virtude, Salles não é herói
Ricardo Salles passou meses sabotando a direita, atacando Bolsonaro, chamando Flávio de ladrão, pregando voto nulo, desgastando André do Prado e inflando uma candidatura sem chance real de vitória. Não era projeto. Era chantagem. Lançar nome para atrapalhar, dividir voto, emplacar gente ligada ao PT e só desistir quando aparecessem cargo, dinheiro e benefício.
Ontem isso ficou explícito. Tarcísio articulou, fez aceno de espaço e Salles desistiu.
Parte da direita, em vez de cobrar, resolveu transformar o chantagista em herói.
A chantagem funcionou. Esse é o exemplo que a “turma dos princípios e valores” dá: vale a pena apostar em ser chantagista.
Pior: tem gente querendo receber Salles de braços abertos. Paulo Figueiredo inclusive. Depois de Salles ter chamado Bolsonaro de vendido, ter usado “melhor perder de pé do que ganhar de quatro” para desgastar o movimento, ter atacado Eduardo, ter xingado Flávio e ter feito o jogo da divisão até o fim. Agora virou aliado de última hora. Agora é grandeza. Agora é unidade.
Não é.
Gil Diniz já tinha dito em junho: Salles não seria candidato e, quando largasse, sairia acusando todo mundo pelo fracasso. Acertou. O que se viu depois foi o ritual de sempre: quem ataca a família Bolsonaro, sabota candidato e depois “recua” ganha tapinha nas costas. Quem ficou do lado certo desde o começo é tratado como problema.
Nem todos compraram o teatro. Desistir na reta final, com nome ainda na urna, depois de gastar tempo, energia e dinheiro público para enfraquecer quem agora diz apoiar, não é humildade. É fuga da derrota humilhante. É demagogia. É tentativa de transformar desgaste em virtude.
Salles nunca se elegeu sem o bolsonarismo. Era Zé Ninguém. Mesmo assim, parte do meio prefere bajular o oportunista do que marcar posição. Kim recusou esse papel. Não vai tratar covarde como herói. Não vai tratar mercenário como suprassumo da moralidade.
Se o recado for “pode esfaquear o movimento que depois a gente recebe de porta aberta”, o próximo chantagista já sabe o caminho. É exatamente isso que Kim não aceita.
E é por isso que o recorte precisa circular.
@kimpaim