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Engulo estas memórias ocas tão veloz quanto surgem. Escombros rasgam-me o esôfago, famintos por minha carne. Atormentam. Aniquilam. Usam-me como alimento vivo. Escavam seu rumo para fora e escancaram que não sou.
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Há algo de fascinante na morte. Seduz, como uma amante indesejada, almas cansadas com um abraço mal ensaiado. Um toque gélido e sinuoso. Constante. Mas irrita-me sua mania descabida de deitar-se ao meu lado como se fosse dona da cama, sem a coragem de levar-me por completo.
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Encanta-me o inverno, como um amigo próximo que há muito não via, e meu corpo sentia falta de seu abraço, de carregar o gelo dos que vivem sempre em fuga.
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Em minha vida passada pútrida era eufemismo para descrever-me. Descubro o poço de minha punição sendo obrigada à ouvir pop estadunidense em um evento intitulado "Rock in Rio". Devo aguardar pelos dias de glória.
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A luz do dia não faz com que as sombras se acovardem. Apenas torna-as achatadas, obedientes dissumuladas aguardando o momento que revelarão os assombros que nelas escondem.
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A dor tornou-se companhia constante. Uma amiga de longa data que aconchega-se; um carinho forçado. Espalhando-se ocupa o espaço e vagarosamente, para que não seja notada, engole o ar e sucumbe almas desavisadas à asfixia.
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Ela não me mata. Prefere consumir meu corpo, minha mente. Reescrevendo memórias, rasgando meu reflexo, arrancando meus ossos. Mesmo sozinha, carrego a voz que lembra: sou uma sombra mal esculpida, um erro em carne.
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Há um som oco reverberando no silêncio do quarto. Constante presença incapaz de atravessar a linha imaginária do limite imposto e impedido de recuar-se ao nada. Meu próprio fantasma, preso nos escombros de pensamentos autodepreciativos.