estou assim à cabeça a lembrar-me das manifestações das polícias no tempo do passos e no tempo do costa, das manifestações dos sapadores há dois anos, dos agricultores em 2024 e das paralisações dos camionistas em 2008 e 2011.
entre elas houve insultos à polícia e ao governo, agressões, petardos, pneus incendiados, barreiras de segurança derrubadas, cordões policiais rompidos, ocupações da escadaria da ar, tentativas de forçar entradas no parlamento, bloqueios de auto-estradas, apedrejamentos de camiões e até sabotagem de veículos de quem queria trabalhar. enfim, uma amostra bastante representativa do catálogo nacional de desacatos, com a particularidade de boa parte ter sido produzida pelos próprios profissionais da ordem pública. faltou, suponho, alguém levar para casa uma das grades da assembleia, mas não quero dar ideias.
numa das manifestações das polícias houve dez feridos, seis deles agentes em serviço, sem que tivesse havido uma carga policial. noutra, o corpo de intervenção recuou perante os manifestantes. em 2014, os dirigentes sindicais só apelaram à desmobilização depois de serem recebidos por assunção esteves. em 2024, os sapadores permaneceram na escadaria da assembleia mesmo depois de receberem ordens para sair. no mesmo ano, agricultores romperam uma vedação para entrar com tractores numa auto-estrada. houve ainda polícias a dormir durante semanas junto ao parlamento e bombeiros acampados durante 43 dias no porto. a escadaria da assembleia chegou a funcionar como uma espécie de extensão sindical da praça do comércio, com recepção parlamentar, pernoita e ocasional espectáculo pirotécnico.
não me recordo de ver esta gente toda, tão apaixonada pela legalidade e pela mão forte, a exigir cargas policiais e detenções indiscriminadas. na altura, a ordem pública era uma senhora compreensiva, de uma paciência quase franciscana perante grades derrubadas, petardos e escadarias ocupadas, habituada a negociar, a contemporizar e a fingir que não via certas coisas. agora, perante meia dúzia de tendas da decathlon, parece a administradora do condomínio que descobre uma bicicleta no patamar. há qualquer coisa de enternecedor nesta gente que vê polícias a derrubar grades, bombeiros a lançar petardos e agricultores a cortar auto-estradas e descobre em si uma grande vocação para a moderação, mas que, mal os manifestantes lhe cheiram a esquerda, fica imediatamente possuída pelo espírito do capitão nascimento.
A voltar do Rossio. Não se admite lidar assim com manifestantes pacíficos. Temos um Estado de Direito à la carte e um MAI xerife. Não podemos aceitar que o Estado nos imponha este grau de violência nem esta falta de nexo nas decisões.
@tiagopita Tive essa discussão aqui no twitter com o @jorgeclpires - em que ele sugere ignorar leis e regulamentos para construir em quantidade.
Post original:
https://t.co/M30BQzmBfB
Uma irritação na discussão de soluções para a habitação, é quando me respondem "aí mas o PDM não permite", como se o PDM fosse uma limitação física tipo a velocidade da luz, fazer disto uma barreira ao nível de "Temos de chegar a Marte em 10 minutos". Traumático na discussão
@jorgeclpires@digi_pt Convém ler a notícia toda - https://t.co/GsCMzxw7ZN
A não-renovação das licençasde Meo, NOS e Vodafone terá fortes impactos nestes operadores.
A seguir temos o @jorgeclpires a perorar contra a decisão política de levar o espectro a leilão e os impactos para os operadores...
@jorgeclpires É. Mas não podemos resolver um problema hoje criando problemas futuros - basta ver o que aconteceu com o congelamento das rendas (que ainda hj se mantém!).
É preciso colocar a habitação existente no mercado - eg. com um aumento brutal do IMI p/ casas vazias, devolutas.
@jorgeclpires De preferência, sem projectos de gás, electricidade, telecomunicações, arquitetura ou engenharia, que é para ser mais rápido e ficar mais barato.
@jorgeclpires Bora construir em qq baldio, sem qq planificação de infraestruturas, transportes públicos, paisagismo, serviços, etc. Vai correr bem, joca, confia.
@jorgeclpires Já percebi que para ti a lei e os regulamentos são meras sugestões, respeitam-se qd dá jeito, ignoram-se quando não dá.
Depois acabamos com casas em leitos de cheias, prédios em arribas a desmoronar, cidades sem espaços verdes, caóticas, desordenadas e feias.
@jorgeclpires Exacto - mudem o PDM. Sigam a lei.
No entanto, a pressa é má conselheira - decisões apressadas normalmente levam a maus resultados no médio/longo prazo.
@speraltalisboa Este PR não desilude ninguém, no sentido em que não se esperava outra coisa que não um PR inexistente.
O menor dos males, considerando a alternativa.
@tiagoms Por 1 vez concordo com a IL. Faz todo o sentido, torna o licenciamento mais rápido e encurta os prazos de construção. A standardização permite tb economias de escala.
Quem quiser pode optar por projectos à medida.
@jorgeclpires Às asneiras que dizes, ninguém te quer ouvir sobre a governação da nação. Alguém tão jovem e já obsoleto.
E pior, nem sequer tocas pífaro nem cantas umas canções.
Não podemos terraplanar o país para por paineis solares. Ponham-nos nos telhados, em coberturas, tanto sítio...