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(Pausa pra respirar)
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Carta de Yan Diomande (novo jogador do Real Madrid) para sua falecida irmã e sobre honrar sua memória:
“Acho que nem cheguei a derramar uma lágrima no dia em que me disseram que você tinha partido. Eu estava apenas em estado de choque.
Escrevi esta carta porque não consigo falar sobre isso. Escrevi porque quero que você saiba que vou garantir que você continue vivendo. Vou fazer com que todos conheçam o seu nome. O mundo inteiro.”
“Fazia apenas algumas semanas que eu tinha estreado pelo Leganés. Quem estreia aos 18 anos justamente contra o Real Madrid? Era algo inacreditável. Um sonho.”
“E então esse sonho virou um pesadelo. Alguém não parava de me ligar lá da minha terra. Eu já estava irritado. Não entendia por que insistiam tanto.
Atendi… e nem tentaram amenizar a notícia. Você sabe como é por lá. Sem emoção alguma. Apenas…
‘Sua irmã se foi.’
‘O quê?’
‘Ela morreu.’
‘Do que você está falando?’
‘Alguém colocou alguma coisa na bebida dela durante uma festa, e ela nunca mais acordou. Ela se foi.’”
“Você tinha apenas 15 anos.”
“15.”
“Nunca obtive respostas. Nem sei se realmente quero saber o motivo. Talvez tenha sido inveja. Eu não sei.”
“Eu tento confiar nos planos de Deus. É tudo o que posso fazer. Não tento esquecer, porque sei que jamais vou esquecer. Tudo o que posso fazer é transformar essa dor em combustível para trabalhar ainda mais e realizar todos os sonhos que tivemos juntos.”
“Tudo o que faço dentro de um campo de futebol é por você.”
“Tanta coisa aconteceu desde a última vez que te vi… Você nem acreditaria. Na verdade, às vezes nem eu acredito.”
“Sabe o que é mais louco? Depois da minha estreia contra o Real Madrid, eu troquei de camisa com o Mbappé. Lembra quando a gente assistia aos jogos dele pela televisão e você dizia: ‘Mbappé? Ele é bom… mas o meu irmão é melhor.’”
“Eu estava errado sobre uma coisa. Eu não quero ser rico. Eu vi o que o dinheiro faz com as pessoas, até mesmo com a própria família. Quando eu estava no Leganés, tudo o que eu ganhava eu mandava para casa. Chegou um momento em que eu nem queria mais dinheiro. Aquilo virou um peso. Nunca paravam de pedir. Acho que pensavam que eu já era milionário. E eu nem tinha um apartamento. Morava no centro de treinamento, em um quarto sem televisão. Era apenas futebol e dormir. Futebol e dormir.”
“Eu não queria uma mansão. Não queria carros. Só queria dedicar tudo ao futebol. Tudo para mostrar ao mundo que minha irmã estava certa…”
“Ha… você iria achar isso engraçado. Quando me mudei para jogar no RB Leipzig, eu sempre chegava atrasado. Bem… não exatamente atrasado. Eu chegava no horário. Só que, na Alemanha, chegar na hora significa que você já está muito atrasado.”
“Então você já sabe o que eu fiz depois disso. Passei a chegar 90 minutos antes de tudo. Eu chegava tão cedo que os caras começaram a me chamar de ‘O Alemão’.”
“Eu sempre exagero em tudo. Nunca sei fazer as coisas pela metade. Você sempre dizia isso.”
“O campo de futebol é o único lugar onde ainda me sinto em casa. É onde encontro paz e onde consigo falar com você. Eu só queria que você ainda estivesse aqui para que eu pudesse dizer…
Nós conseguimos.”
“Tudo o que você dizia se tornou realidade.”
“Eu vou realizar aquilo que você sempre previu, eu prometo. Antes mesmo de eu ter uma chuteira de verdade, você já dizia para todo mundo: ‘Meu irmão vai ser o melhor jogador do mundo.’”
“Eu vou provar que você estava certa… ou vou morrer tentando.”
— Seu irmão, Yan.