“cê parece onça tomando sol
na pedra molhada retoca o tom
coisa de aquarela, pincel do bom”
claramente ela falando que viu um macho gostoso na praia com a pica marcando na sunga, não entendi o auê chamando a letra de sem sentido
Ontem, a Comissão da Mulher perdeu a chance de aprovar um Projeto pra que empresas com mais de 50 trabalhadores tenham vestiário feminino.
O motivo? O Projeto, relatado por mim, proíbe a discriminação no acesso a esses vestiários. E isso incomodou as deputadas bolsonaristas.
Pra elas, não se pode proibir a discriminação. Pois isso abriria portas pra mulheres trans e travestis usarem esses vestiários.
Ou seja, preferem que trabalhadoras de todo o Brasil continuem tendo que se trocar em lugares inapropriados, inclusive sendo vítimas de abuso, assédio e estupro, do que proteger essas mulheres de forma não-discriminatória.
Essa é a realidade do nosso país: pras bolsonaristas, é mais importante impedir que mulheres trans tenham o mínimo de direito do que impedir estupros de todas as mulheres, sejam elas cis ou trans.
Mas jamais alterarei o meu relatório. Impediram-nos de votar o Projeto nessa semana. Na semana que vem, o aprovaremos!
Se os filhos fossem responsáveis pelos crimes dos pais, metade dos gays do Brasil estariam presos por homofobia.
Não conversei com Oruam ontem por ser fã, por apoiar suas falas misóginas, seu pai ou seu tio.
Conversei porque ele prestou apoio à família de uma vítima da PM. Porque foi protestar ao lado de uma comunidade que foi atacada a tiros por fazer uma festa junina. Porque ele queria saber como se organizar politicamente.
Assim como falei que Poze do Rodo não deveria ser tratado daquela forma pela polícia. Não falei, em nenhum momento, que passo pano pras suas falas transfóbicas e homofóbicas.
Mas Oruam e Poze não estão sendo atacados pela extrema-direita por falas misóginas e LGBTFóbicas. Estão sendo atacados pelas letras de suas músicas em uma campanha que visa discriminar, desumanizar e assim justificar a violência contra o povo pobre, negro e das favelas.
Inclusive, uma liderança dessa extrema-direita usou o caso Poze do Rodo pra falar abertamente em matar um trabalhador pelo simples fato dele ser favelado e fã do Poze.
Mas, pelo jeito, essa campanha tem tido um certo sucesso inclusive em gente autodeclarada de "esquerda".
São pessoas que surtam com a possibilidade de acharem que estão "defendendo bandidos". E, pra garantir que não serão descritas dessa forma, aceitam que passem por cima dos direitos, das prerrogativas legais e das vidas de 50% da população desse país.
Oruam não foi convidado pra entrar em partido, pra ir em reunião de conjuntura ou vestir determinada camisa. E pessoas com ligações a facções criminosas já estão na política, aliás, não pelas mãos da esquerda.
Apenas falei que, se for do interesse dele, ele pode conhecer gente que está muito próxima da realidade dele, e faz cotidianamente, de forma organizada, o que ele fez ao protestar contra a violência da PM.
E eu não sou a responsável por investigar as acusações contra Oruam e suas falas horrendas. Elas já foram alvo de Boletim de Ocorrência.
Mas, como deputada, tenho uma responsabilidade com a promoção da dignidade humana para TODAS as pessoas desse país, afinal, é esse o objetivo existencial da nossa Constituição.
Se Oruam — que, apesar de todos os pesares, tem uma legião de fãs e 11 milhões de ouvintes mensais — puder ajudar a promovê-la, falar dos direitos de populações marginalizadas, ótimo.
Estou junto de qualquer pessoa que busque fazer melhor, fazer algo de positivo por quem é cotidianamente massacrado e assassinado pelo Estado.
Porém, não é sobre Oruam ou Poze a minha luta. É pelos direitos que são cotidianamente negados às parcelas marginalizadas da nossa população.
E sim, muitas vezes, uma parcela nega o direito de outra. Muitas vezes o favelado reproduz LGBTfobia, e muitas vezes o LGBT fala como se todo favelado fosse bandido.
Mas o plano da extrema-direita é que esses direitos sejam negados a todas essas populações, ao mesmo tempo, pelo próprio Estado. Inclusive o direito à vida de pessoas negras e de pessoas LGBTQIA+.
E, pra atingir esse objetivo, a extrema-direita vai falar o que quiser, de uma forma ou de outra.
Afinal, essa gente está falando que defendemos bandidos desde que os abolicionistas iam na justiça conquistar a alforria de escravos fugidos.
Aos especialistas de cálculo eleitoral fictício, fica o questionamento: vocês acham mesmo que teremos alguma chance se as favelas e juventudes ficarem nas mãos do próximo Marçal?
Por fim, se vocês querem concordar com essa gente, concordem. Mas não mascarem esse racismo como virtude ou preocupação social.
Depois do verdadeiro show de horrores que presenciamos hoje na CPI das Bets, apresentei com outros deputados o projeto 2269/2025 que PROÍBE a publicidade de jogos de apostas online em todas as mídias, redes sociais, espaços esportivos e ações de patrocínio.
A única exceção será para locais, como lotéricas, devidamente regulamentados — e mesmo assim, com avisos claros de advertência sobre os riscos do vício.
Não podemos aceitar que empresas lucrem às custas do endividamento, da destruição de famílias e da saúde mental da população. Apostar virou vício, e vício não é entretenimento. É hora de agir.