Aqui chego ao fim de todo estes textos.
Ao longo desses espelhos, o Um Anel foi revelando as formas como o mal tenta nos tirar do Rio e com os outros fomos aprendendo as formas de resistir a ele.
Tanto com os que se mantiveram fortes, quanto com aqueles que caíram.
- Vimos a necessidade da eterna vigilância;
- A importância das boas companhias;
- O perigo de ceder nem que seja um pouco;
- A tentação de usar o mal como ferramenta para o Bem;
- A possibilidade de cair e ainda assim se levantar;
- A obrigação de permanecer fiel aos bons princípios;
- Os sinais que nos chamam de volta;
- A resiliência que nos mantém no Rio;
-O valor de aprender com quem veio antes;
- A clareza sobre a divisa entre Bem e mal;
- A capacidade de levar o Rio consigo mesmo quando precisamos atravessar o lado de fora;
- E, por fim, a importância de ter um bom objetivo;
O mal se afasta quando não damos a ele o menor espaço. Afasta-se também quando ficamos vigilantes, nos cercamos de quem ainda nada no Rio, não justificamos más atitudes, não nos isolamos, permanecemos fiéis, ouvimos os sinais, carregamos os bons princípios conosco e não perdemos de vista os objetivos.
O Um Anel é, para mim, a representação mais precisa do mal já criada na ficção.
Não do mal como monstro, mas sim de sua forma mais íntima e conceitual.
Eru Ilúvatar é a divindade criadora do universo de Tolkien. O bem em sua forma pura. O rio de onde tudo que é bom existe. O mal está fora desse rio. É a ausência da vida e das coisas boas.
Alguns seres saíram desse rio. Um deles, um Maia, que veio a se tornar Sauron.
Sauron não é antagonista de Eru, ele sabe que não pode contra o Criador. Ele é antagonista das coisas boas. Não luta contra o rio. Luta contra aqueles que vivem nele.
Sauron é antagonista da criação.
Ele criou o Um Anel para subjugar outros seres e se manter vivo à força, mesmo afastado do Criador.
O bem te torna dono de si. Te preenche e traz verdades que libertam.
O mal te torna escravo, te esvazia e tira sua liberdade.
O que eu quero mostrar aqui é como Tolkien apresentou as diferentes reações ao contato com esse Mal. O Um Anel como um manual de como reconhecer e reagir a ele.
Vejamos o que diz este manual,,🧶
[12/12] Tom Bombadil
Este aqui é diferente de todos os outros. Parece ser puramente bom. Sem nenhuma abertura para o mal.
Por isso o Anel não o afeta. Não tenta. Não atrai. Não corrompe. O mal simplesmente não encontra onde se agarrar.
Ainda assim não é invencível. Faz parte da criação. Só quem está fora dela pode acabar verdadeiramente com o mal.
Ele mostra o que é ser puro: a ausência total de espaço para o mal.
Ser verdadeiramente bom e livre do mal é quase impossível para nós. Mas os objetivos de vida que valem a pena não são apenas os que estão ao nosso alcance no momento. São aqueles que ainda nos parecem inalcançáveis, mas que um dia poderemos chegar.
Talvez não consigamos ser o melhor. Mas ser o melhor sempre deve ser o objetivo.
Ter um bom objetivo nos mantém focados e o mal afastado.