todos a minha volta esperam
que eu não te perdoe, que eu
te odeie pelo nosso fim.
mas bailarina, teus erros me
soam como passos de uma
linda sinfonia. ainda te tenho
dentro do peito com todos
os defeitos, com tanto
e todo carinho que
possa imaginar.
no caos e na gritaria
do cotidiano, ainda
desenho teu rosto,
relembro teus cachos
e passos, bailarina.
enquanto eu pego
no sono. teu nome
ainda me é calmaria,
repouso e descanso.
gostaria tanto de voltar a escrever e talvez tentar algo nesse meio da escrita. porém, meu medo é uma recaída tremenda no meu quadro de depressão. colocar pra fora, liberta e é terapêutico. mas, alguns demônios quanto mais exilados, melhor. o exorcismo fica para uma outra hora.
meus textos e versos
sempre foram um ensaio
do nosso fim iminente.
e agora que acabou, toda
a poesia se foi também.
eu sempre tinha tanta
coisa pra dizer, e hoje
me afogo no vazio
da sua ausência.
você foi naufrágio, como
se houvesse água afogando
o coração e os pulmões.
totalmente sem ar.
a minha febre interna
tem nome e sobrenome
e olhos cor avelã, os mais
lindos que já vi.
os dias enquanto esteve aqui.
meu peito e coração gritavam,
versavam pedindo socorro.
eu sempre tinha tanta coisa
pra dizer. hoje, você partiu,
e com você foi tudo o que já
existiu de bonito em mim.
nada reluz tanto quanto você.
serás pra sempre minha
jóia do infinito.
você me obriga
a viver nessa miséria
que você chama
de relacionamento,
e aos poucos vou
sendo consumido
pela esperança falsa,
de que um dia valerá
a pena amar você.
não me lembro mais
como é me sentir vivo,
aesmo busco sensações
que pouco chegam perto
de realmente me animar.
a minha alma agora é
latrina, sou ferida aberta
que não quer sarar.