Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.
Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres.
Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.
Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo.
Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos.
Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação.
O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo.
E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução.
Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado.
Mas aí lembrei das notícias reportando que, em 2016, 128 anos depois da abolição da escravatura, Ratinho submetia pessoas à escravidão em suas fazendas no Paraná.
E o apresentador pode até querer viver nesse passado, dentro de sua cabeça. Se a preocupação com as denúncias que farei contra um escândalo envolvendo o seu filho e o crime de estupro de vulner��vel mais tarde não ocupar toda a sua capacidade cerebral, é claro.
Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis.
Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.
Os gritos de Sol foram um desabafo? Foram.
A Sol não respeita a dinâmica? Não.
A Ana estava falando do Matheus quando a Sol se intrometeu? Sim.
Isso abriu um precedente pro Juliano e a Milena se intrometerem? Sim.
A culpa disso é do Tadeu? Sim.
A Ana e o Babu pediram pro Juliano deixar pra lá porque aquilo não era sobre ele? Sim.
É difícil ter alguém gritando com você a plenos pulmões e ter que pensar no que é justo com a pessoa que tá gritando? Sim. Não temos sangue de barata.
Precisamos ser conscientes dos limites mesmo em momentos de tensão? Sim.
Ana não respondeu porque não é capaz de enfrentar a Sol? Não. Ela não pode enfrentar alguém que vai direcionar o enfrentamento nessa direção.
Sol foi ignorada por Ana? Foi.
Ana é obrigada a ser amiga de todo mundo? Não.
Muitas coisas podem ser verdade sem se excluírem necessariamente.
#BBB26