desde que eu comecei a frequentar o candomblé/terreira/jurema sagrada eu comecei a despertar para a vida. a principal delas foi o viver em comunidade. durante toda a minha caminhada fui uma pessoa muito reclusa - em um sentido de amizades limitadas, pouca convivência e […]
o interessante foi a quantidade gigantesca de pessoas que se afastaram da minha vida (por causa da religião), não vou cuspir para o alto e dizer que foi fácil, não foi, quem cospe para o alto o cuspe volta para si proprio
é quando uma cachaça e uma vela eu trago caminhos para a vida de uma pessoa e faço essa pessoa sorrir. gratidão a mim por não ter desistido e ter me permitido sonhar, viver e existir
é quando eu me arrepio inteiro com a saida do meu padrinho de jurema em seu tombo, é quando me conecto com pessoas que nunca imaginei me conectar, quando eu sou agraciado em receber um mestre que trabalha e que cura
é quando toco em meu corpo e sinto o poder da minha pomba gira correndo em minhas veias e dizendo que eu posso ter opiniao propria sem me basear em ninguém, é quando o meu exu grita em meus sonhos dizendo que uma estrada cheia de bagunça não da pra caminhar
para detonar alguém - e nem sei. anos depois estou firme comigo mesmo, hoje me olho no espelho e vejo a minha mestra erguida, com o seu perfume dizendo que eu posso me amar porq uma puta que levanta de manha e não se sente feliz não pode fazer outro feliz
estou frequentando assiduamente o terreiro a quase dois anos e, nesse tempo todo, nunca acendi uma vela para fazer com que ninguém caisse, nunca ajoelhei aos pés do meu exu para entregar nome de alguém e pedir justiça (pq nunca foi preciso), nunca fiz um trabalho
eu amo despachar minha farofa com dendê e cachaça na rua para alimentar os exus da rua, e embora muitos digam que é maldade, é ai que vem a busca do outro para encontrar em mim a maldade que existe dentro de si
como diz minha mae: tem gente que nasce com o chamado. talvez tenha sido isso que aconteceu, o meu zelo é diferente, eu cuido do meu, eu adoro entrar descalço no terreiro e pedir a benção aos meus mais velhos, adoro o sino tocando, é sinal que exu vai chegar
agora no comecinho do ano fez 4 anos que eu frequentei um terreiro pela primeira vez, o cheiro do incenso, o toque do tambor estralando em meus ouvidos, o pé descalço, o pedir licença para entrar porq aquele chão tem dono
e muitas vezes me perguntei quem seria esse deus. na igreja catolica eu encontrei o deus representado na parede, no chão, no povo, mas o interessante é que o viver em comunidade, pra mim, não fazia sentido, as pessoas que estavam em volta de mim não me deixava