Ontem espalharam o boato de que Jair Bolsonaro teria chorado, insistido e até implorado para que Dona “Mi” Firmo disputasse o Senado e que, para completar a cena, teria pedido ajuda da eterna “Olá, prazer, EU SOU A SENADORA DAMARES ALVES”.
Curiosamente, logo depois veio o anúncio do novo grupo político das “Imparáveis”, formado pelas feministas da direita.
Mais curioso ainda é que hoje apareceu uma carta do próprio Jair Bolsonaro citando única e exclusivamente Flávio Bolsonaro, tratado como seu porta-voz e homem de confiança, com autorização total para agir em seu nome e administrar seu capital político.
A mensagem é cristalina: quem achou que conseguiria sequestrar o capital político do Capitão ficou chupando dedo.
Agora resta tentar sobreviver politicamente com as “Imparáveis”.
Um bom começo seria parar de mentir.
QUANDO O ESPELHO É MAIS IMPORTANTE QUE A MISSÃO
Se essa notícia realmente refletir a realidade, talvez ela revele algo muito maior do que uma crise entre pessoas.
Na mitologia grega, Narciso não foi destruído porque odiava os outros.
Foi destruído porque passou a enxergar apenas a própria imagem.
A política também tem seus Narcisos.
Não necessariamente pessoas narcisistas.
Mas momentos de narcisismo.
Momentos em que a causa deixa de ocupar o centro e passa a ser substituída pela necessidade de reconhecimento, validação permanente e satisfação pessoal.
É nesse instante que um movimento começa a perder sua força.
Porque a política nunca foi um exercício de autoestima.
É um exercício de renúncia.
Quem escolhe a vida pública precisa compreender que será criticado, incompreendido, atacado e, muitas vezes, até injustiçado.
A pergunta não é se isso acontecerá.
A pergunta é como reagirá quando acontecer.
Quando uma divergência passa a valer mais do que o projeto, quando uma mágoa passa a ocupar mais espaço do que a missão e quando o orgulho impede a reconstrução das pontes, o adversário já não precisa vencer.
A derrota começa de dentro.
É justamente por isso que as maiores lideranças da história nunca foram aquelas que precisavam ser constantemente admiradas.
Foram aquelas capazes de colocar o próprio ego em segundo plano para que a causa sobrevivesse.
Se a notícia for verdadeira, talvez este seja o momento de uma reflexão profunda.
Porque a política não é o lugar onde alguém vai para ser amado.
É o lugar onde alguém aceita, todos os dias, sacrificar parte de si em favor de algo maior do que si mesmo.
No fim, a História nunca pergunta quem recebeu mais aplausos.
Ela pergunta quem foi capaz de suportar o peso da missão sem permitir que o próprio ego se tornasse maior do que a causa.
@nelsonlc@freu_rodrigues Há alguma pesquisa que mostre que ela estava praticamente eleita para senadora? Eu não votaria nela, e essa decisão foi tomada há alguns meses, quando passei a observar melhor suas atitudes. Assim como eu, várias pessoas que conheço já tinham mudado suas intenções de voto.