A saída de Leandro Demori do ICL acontece em um dos momentos mais delicados da política brasileira.
Às vésperas de um ano eleitoral, quando a disputa de narrativas se intensifica e a extrema direita mobiliza diariamente suas redes, perder uma das vozes mais respeitadas do jornalismo progressista é, no mínimo, um enorme prejuízo.
Demori nunca foi apenas um apresentador. Ao longo dos últimos anos, consolidou um trabalho sério, investigativo e comprometido com o debate público, ajudando a formar opinião, combater desinformação e dialogar com um público que busca informação de qualidade.
Independentemente do espaço em que esteja, sua contribuição para o campo democrático é inegável.
Por isso, espero que essa saída não represente um afastamento da esfera pública. Pelo contrário, que seja apenas o início de uma nova etapa.
Neste momento, a esquerda não pode abrir mão de comunicadores capazes de disputar consciências, contextualizar fatos e enfrentar a avalanche de desinformação que costuma marcar períodos eleitorais.
Também é inevitável refletir sobre a condução desse episódio. Se a decisão de afastar uma voz tão relevante ocorreu por divergências internas, ela revela uma falta de visão estratégica.
Se houve a tentativa de limitar sua atuação justamente em um momento tão importante para a disputa política, o questionamento é inevitável, foi apenas uma atitude irresponsável ou uma decisão calculada?
Sem elementos públicos para responder a essa pergunta, ela permanece em aberto.
O que parece evidente é que movimentos progressistas precisam fortalecer suas principais vozes, e não enfraquecê-las.
Em tempos de polarização e ataques constantes à imprensa e à democracia, dividir forças ou perder comunicadores influentes beneficia apenas quem deseja ocupar esse espaço com desinformação.
Leandro Demori continuará sendo uma referência. E, para quem acredita na importância de um jornalismo crítico e comprometido com a democracia, a expectativa é que ele siga fazendo exatamente aquilo que sempre fez, informar, provocar reflexão e contribuir para um debate público mais qualificado.
Eu confio no Demori, no outro não .