Durante a última madrugada, um homem foi visto a circular de trotinete em contramão na Ponte 25 de Abril. O condutor surge a ultrapassar vários automóveis pela faixa da esquerda. O vídeo está a gerar críticas e preocupação devido ao risco associado.
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@gabrilhenriques Nenhuma. Em vez de fazerem a manutenção urgente há meses e mesmo a mais básica, gastam a pouca verba consignada para “manutenção de ciclovias” para as arrancar e criar conflitos com peões:
Lisboa a recuar 80 anos em 8.
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Precisamos mesmo do novo aeroporto?
E se o problema de Lisboa não for falta de aeroporto, mas excesso de procura?
Há 57 anos que Portugal discute onde construir o novo aeroporto de Lisboa. A discussão começou formalmente em 1969. Desde então, foram estudadas e abandonadas 17 localizações.
A pergunta tem sido sempre: onde podemos pôr mais capacidade?
Mas deveríamos estar a fazer outra pergunta?
Lisboa passou de pouco mais de 16 milhões de passageiros em 2013 para 31,2 milhões em 2019 e 36,1 milhões em 2025. O aeroporto está congestionado e existe procura adicional por slots que não consegue satisfazer. A conclusão parece óbvia: precisamos de um aeroporto maior. Mas precisamos mesmo?
Quando uma pessoa começa a “rebentar pelas costuras”, normalmente não decide aumentar o tamanho das calças para poder continuar a engordar indefinidamente. Faz dieta, porque percebe que existe um ponto a partir do qual crescer mais deixa de ser saudável. Estamos certos de que num país deva ser diferente?
A Tailândia, por exemplo, definiu limites ao número de visitantes em zonas onde o excesso de turismo estava a degradar o ecossistema. Amesterdão implementou o Tourism in Balance, assumindo explicitamente a necessidade de encontrar um equilíbrio entre os benefícios do turismo e a qualidade de vida dos residentes.
Portanto, não parece desprovido de senso perguntarmos: qual é a quantidade ótima de passageiros e turistas para Portugal?
E, atingido esse nível, gerir a procura através de taxas aeroportuárias, fiscalidade e preço da escassez.
Não seria uma ideia revolucionária.
Sabemos que o turismo é extraordinariamente importante para Portugal. Em 2025 gerou €29,1 mil milhões de receitas externas. A questão não é saber se o turismo é bom ou mau. É saber se o próximo milhão de turistas ainda melhora a vida dos portugueses. É esta a análise marginal que deveríamos fazer sempre que analisamos propostas com impacto económico.
Que sintomas esperaríamos encontrar se já tivéssemos ultrapassado o ponto ótimo?
- Habitação cada vez menos acessível, também por via da alocação de imóveis a AL? Provavelmente.
- Centros urbanos orientados para visitantes em vez de residentes? Provavelmente.
- Maior pressão sobre os transportes e serviços públicos? Provavelmente.
- Empregos numerosos, sim, mas em sectores de produtividade relativamente baixa e baixos salários? Também.
Soa familiar?
Os preços reais da habitação em Portugal subiram 83% entre 2013 e 2023. Seria exagerado atribuir esse crescimento apenas ao turismo: há problemas graves de oferta, investimento estrangeiro, imigração e muitas outras variáveis. Mas seria igualmente estranho admitir que milhões de visitantes e o alojamento turístico não exercem qualquer pressão sobre os locais onde se concentram.
Acresce que o turismo, a hotelaria e a restauração precisam de muita mão-de-obra e estão entre os sectores com remunerações abaixo da média. Portanto, parece razoável admitir que o forte crescimento do turismo seja também um dos factores que aumentou a necessidade de importar mão-de-obra, sobretudo para sectores de baixa remuneração.
Faz sentido construir um modelo económico que expande continuamente sectores intensivos em trabalho e de produtividade relativamente baixa, e depois precisa de importar cada vez mais trabalhadores para os sustentar? Será que a nossa capacidade de integração social, cultural e institucional consegue acompanhar esse ritmo?
O novo Aeroporto Luís de Camões está projetado para 56 milhões de passageiros/ano na abertura e até 85 milhões no futuro. Lisboa teve 36,1 milhões em 2025.
Ou seja: capacidade para um volume de passageiros 55% superior ao tráfego de 2025 logo na abertura e, no limite, 135% superior.
Passageiros não são turistas, naturalmente, mas vale a pergunta: se utilizarmos toda essa capacidade, qual será o impacto na qualidade de vida de quem cá vive?
Também vale a pena perceber a escala do investimento: a estimativa oficial atual é €7,9–8,9 mil milhões. Não são €8,9 mil milhões do Orçamento do Estado, visto que a ANA prevê financiar cerca de €7 mil milhões através de dívida e taxas aeroportuárias. Portanto, não podemos simplesmente “gastar esse dinheiro noutra coisa”.
Mas podemos comparar prioridades.
Perante a escala deste investimento e a prioridade atribuída ao crescimento da capacidade aeroportuária e turística, não deveríamos pelo menos discutir com igual ambição medidas com impacto direto na qualidade de vida dos portugueses?
Por exemplo:
- Mais €400 de dedução de IRS por filho para um milhão de filhos durante 21 anos (contas ChatGPT)
- Um fundo público que garantisse aos senhorios o risco de incumprimento durante 12 meses em 100.000 contratos de longa duração, desde que as rendas fossem 25% inferiores ao preço médio local (contas ChatGPT)
- Premiar fiscalmente empresas que paguem salários acima da média do seu sector.
- Continuar a reduzir IRS e IRC.
- Apostar seriamente na cultura.
- Criar uma verdadeira política nacional de desporto, disseminando o desporto escolar e universitário por múltiplas modalidades.
São escolhas.
Não estou a dizer que Portugal não deve construir o novo aeroporto. Estou a perguntar algo que me parece extraordinário termos quase esquecido de discutir ao longo de 57 anos e que me parece agora premente face à degradação da qualidade de vida dos portugueses:
- O objetivo da política económica é maximizar o número de passageiros e turistas que conseguimos receber ou maximizar a qualidade de vida dos portugueses?
Crescimento não é um objetivo. É um instrumento; e como quase tudo em economia, a partir de determinado ponto os benefícios marginais diminuem e os custos marginais aumentam.
Talvez, antes de construirmos capacidade para 85 milhões de passageiros, valha a pena descobrir onde fica esse ponto.