Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6x1 porque ela, que faz escala 5x2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar PRA ELA.
Além de não conhecer o conceito de ESCALA, ela se acha proprietária da vida e do trabalho alheio.
Agora, o "detalhe": essa mulher é simplesmente Diretora-executiva da Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que representa os patrões e os bilionários. É esse o nível da "elite" do Brasil, que parece não ter superado a escravidão.
- Não adianta votar em presidente progressista e em deputado conservador
- Não queira melhorar suas condições de trabalho se você vota no seu patrão
- Não vote em latifundiário se quiser fazer reforma agrária
- Não coloque uma raposa no galinheiro ou vão comer suas galinhas
Qual o problema de uma pessoa trans usar o banheiro em paz?
Se for a possibilidade ínfima de alguém fingindo ser trans praticar violência sexual, cadê a comoção pra proibir que os inúmeros agressores "fantasiados" de padres ou pastores fiquem sozinhos com crianças em igrejas?
As estatísticas demonstram que esses casos são muito mais preocupantes e frequentes.
Aliás, até o número de pessoas que fingem ser trans para assediar alguém num banheiro é extremamente baixo. Quase zero. E ele é IRRELEVANTE no debate sério sobre a segurança de mulheres e meninas.
Sabem por que esse número é irrelevante? Porque um agressor sexual decidido a atacar alguém num banheiro não precisa fingir ser trans para entrar nesse banheiro.
Ele simplesmente vai entrar no banheiro, cometer um crime bárbaro e sair de lá como se nada tivesse acontecido.
E, pra vítima buscar justiça, ela vai precisar acionar a polícia pra TALVEZ preservarem as imagens de câmera de segurança externas, pra TALVEZ se importarem com o caso dela, pra TALVEZ investigarem, pra TALVEZ chegarem no agressor, pra TALVEZ ele ser indiciado pela polícia, processado pelo Ministério Público, julgado e condenado pela Justiça.
Não estou dizendo que é impossível uma mulher trans cometer uma violência num banheiro. Assim como não é impossível que uma violência seja cometida por uma mulher lésbica, por um homem gay, por uma mulher grávida ou por uma idosa. Nenhuma possibilidade é impossível.
Mas, no debate da segurança dentro de banheiros, todas essas possibilidades são estatísticamente irrelevantes. A maioria absoluta e esmagadora dos casos de violência sexual em banheiros são cometidos por homens cisgênero heterossexuais.
Mas a extrema-direita não pode combater homens abusadores, não pode apoiar a educação contra a violência de gênero ou mecanismos de defesa e acesso à justiça efetivos para mulheres e meninas. Eles perderiam muitos eleitores.
Restou o pânico moral e a pauta inventada. Desde quando o direito de determinada população de fazer um xixi em paz é um debate nacional?
Essa não é uma preocupação real do povo brasileiro. Mas como a extrema-direita é incapaz de atender às preocupações reais, precisam inventar problemas para oferecer soluções. Precisam colocar um alvo na testa de determinadas populações pra oferecer armas e ódio às outras.
E o que a atriz Cássia Kis fez foi justamente isso. Com um bônus: quem sabe assim ela deixa de ser esquecida e irrelevante até no bolsonarismo.
Meu mandato está à disposição da vítima para tudo que nos for possível.