@vfpn2019@GloboNews Tu não sabe como foi indigesto escutar Miriam Leitão, Daniela Lima e Reinaldo Azevedo nesses últimos quatro anos bixo... Deixa alternar um pouco e eleição que vem vcs voltam! Até pq o Flávio só vai fazer cagada msm!!
Flavio Gordon disseca um rocambole pretensioso, mas sem recheio aproveitável algum. Vale a leitura: 👏
“Flávio Dino é um comunista. E, em sendo comunista, ele é também um sofista. Não por acidente biográfico, mas por tradição ideológica: o comunista, como o sofista antigo, não compreende a linguagem como instrumento de comunicação da realidade, mas como arma de manipulação dos sentimentos e das percepções da audiência. Para ambos, a palavra não serve para revelar o mundo, mas para dobrá-lo à vontade de quem fala. O interlocutor, nessa lógica, nunca é um igual a ser convencido pela razão. Ele é uma presa a ser capturada pela retórica.
Pois, na última terça-feira, 15, a sociedade brasileira foi transformada em presa de um sofista do Supremo Tribunal Federal, quando a Corte deveria decidir se abriria ou não investigação contra Alexandre de Moraes, o Careca do Master, por seus vínculos com Daniel Vorcaro. Na infame sessão, que muitos têm considerado como o atestado de óbito do STF tal como conhecíamos, coube a Flávio Dino — a quem apelidei carinhosamente de Camarada Rocambole — a missão de pedir vistas e travar o julgamento. No caminho de fazê-lo, todavia, o militante togado nos ofereceu uma aula — não de Direito, mas de impostura.
Minha amiga Bruna Torlay, professora de filosofia, fez uma observação muito pertinente: Dino lembra Hípias, dos diálogos platônicos Hípias Maior, Hípias Menor e Protágoras. Platão retrata esse sofista como um homem extremamente vaidoso, convencido da própria erudição, apaixonado pelo sucesso e pelo dinheiro, superficial a despeito de todo o conhecimento que arrota em praça pública. Trocando Atenas por Brasília e a túnica clássica pela toga moderna, a descrição cai como uma luva.
Dino discursou empolado. Citou Aristóteles. Citou Hobbes — embora, deste, tenha recolhido apenas a frase que já é praticamente adesivo de para-choque de caminhão: “o homem é o lobo do homem”. Ocorre que Aristóteles e Hobbes, na boca do ministro, soam tão adequados quanto uma bola de futebol nos pés de um perna-de-pau: o instrumento existe, a intenção de usá-lo é evidente, mas a perícia simplesmente não acompanha a pretensão.
Curiosamente, quando o Camarada Rocambole abandonou os clássicos e foi buscar na baixa cultura referências mais comezinhas — notadamente o humorista Fábio Porchat e o cantor Chico César —, a voz mudou de registro. Ali, sim, havia naturalidade, quase intimidade. Faz sentido: são esses os filósofos que Dino verdadeiramente consome. Se, nele, Aristóteles é mencionado como quem exibe um diploma emprestado, Porchat e Chico César o são como quem fala de amigos de infância. A discrepância entre os dois registros é, ela mesma, a prova do que se quer demonstrar: em Dino, como em Hípias, há erudição de vitrine.
Mas o ápice da encenação veio quando, ao dirigir uma ironia ao presidente Edson Fachin, Dino sentiu a necessidade de explicar o próprio recurso: a ironia, disse ele, serve para descontrair o ambiente. E completou, grandiloquente: “como diria Aristóteles”.
Eis o momento em que o colosso tropeça na própria toga. Porque Aristóteles, na Ética a Nicômaco (1127a-1127b), não trata a ironia como recurso de descontração de ambiente. Trata-a como um dos modos pelos quais os homens se apresentam a si mesmos e aos outros, estabelecendo três disposições possíveis, duas viciosas (por desmedidas) e uma virtuosa (por comedida).
A disposição virtuosa é a alḗtheia (ἀλήθεια): a veracidade, o apresentar-se aos outros como de fato se é. A primeira, e menos grave, disposição viciosa é a eirōneía (εἰρωνεία): a ironia no sentido grego, que consiste na dissimulação modesta, o hábito de negar ou diminuir qualidades que realmente se possui. Se usada como ferramenta retórica para a busca da verdade — como Aristóteles reconhece ser o caso da maiêutica socrática —, a ironia tem o seu valor. O problema mesmo está na segunda disposição viciosa, que é a alazoneía (ἀλαζονεία): a alazonia, a jactância, a impostura, a bazófia, a fanfarronice, a vanglória, em suma, o vício de atribuir a si mesmo qualidades maiores do que as que se tem.
Se pudesse retornar do Hades e examinar a retórica do Camarada Rocambole naquela sessão, não é a ironia que saltaria aos olhos de Aristóteles, mas justamente o seu oposto. O estagirita não veria em Dino um homem afetando modéstia, disposto a diminuir as próprias qualidades; veria, ao contrário, um homem disposto a inflar qualidades que não tem. Não veria eirōneía, mas alazoneía. O eirōn — o agente da ironia — é o exato oposto do alazṓn — o agente da alazonia. O primeiro pode ser chamado de irônico; o segundo, de alazônico. Ou, simplesmente, de fanfarrão.
Flávio Dino é esse fanfarrão, esse jactancioso, no sentido aristotélico. Ao invocar Aristóteles para justificar uma ironia como “recurso de descontração”, ele mostra não ter a menor intimidade com o autor que cita. O Camarada Rocambole não parece ter as qualidades exigidas para se tornar irônico no sentido grego. Ele é, isso sim, um espécime quase perfeito de alazṓn: o sujeito dedicado a atribuir a si mesmo talentos — de jurista, de filósofo, de homem de humor fino, de estadista acima do partidarismo — que a sua vida real de militante comunista permanente insiste em desmentir.
Não é pouca ironia — essa, sim, no sentido comum da palavra — que um pretenso magistrado tenha adiado, com citações postiças de Aristóteles, o julgamento que poderia esclarecer se seu colega de Corte manteve relação promíscua com o homem por trás de um dos maiores rombos bancários da história recente do país. Enquanto o Brasil esperava para ver se Alexandre de Moraes tinha como explicar a troca de mensagens comprometedoras com Daniel Vorcaro, teve de assistir a uma sessão em que a substância desse fato cedeu lugar ao teatro de erudição de um sujeito que confunde pompa com conhecimento, e chicana com justiça.
Trata-se do método sofístico em estado puro: quando a pergunta é incômoda — “o senhor Alexandre de Moraes deve ser investigado?” —, a resposta hábil não é responder, mas adiar. E o adiamento precisa ser embrulhado num verniz filosófico para não parecer o que é. Hípias também fazia isso. Diante de Sócrates, sempre tinha uma resposta pronta, elegante, cheia de nomes ilustres — e sempre, no fim, vazia. A diferença é que Sócrates estava ali para desmontar o artifício. Não tínhamos um Sócrates no STF, caso em que o Camarada Rocambole sairia dali desencarambolado.
Fica, então, o registro para a posteridade: um membro da mais alta Corte do país pediu vista de um julgamento sensível à credibilidade do próprio Judiciário, e usou seu tempo de fala não para esclarecer fatos, mas para representar erudição que não tem, mal citando os autores citados, ironizando sem saber o que é ironia, e confundindo, mais uma vez, o exercício do saber com o exercício da sofística. Um homem, dizem que disse Hobbes (ou terá sido Porchat?), talvez seja o lobo de outro homem. Mas o fanfarrão, isso Aristóteles realmente disse, é sempre o fanfarrão de si mesmo.”
@NewsLiberdade "Você pode até gostar do banqueiro... ser seu amigo, as pessoas podem ter amigos. Mas você fazer esse tipo de iniciativa, interceder por alguém, ainda que sejam os termos mais leves possíveis."
Que passada de pano!
@Dri_Serra74@crisdemarchii Do ponto de vista jurídico se trata de um homicídio culposo por imprudência, sem intenção de matar (até que se prove o contrário). Ainda incorre obrigação solidária da médica, da equipe de enfermagem e do hospital em indenizar a família. A imprudência dá ensejo à cassação do CRM.