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@chavozik4 Bicho, teu jogo é espetacular. Simplesmente maravilhoso. Um feedback: gostaria de ver os números dos jogadores no modo almanaque e continuar sem ver o rating. Os números são uma informação importante. Mas eu entendo sse é uma decisão deliberada pra ser mais difícil haha
O quadrado mágico só existiu no videogame. Um texto de arquivo sobre o Brasil de 2006, reeditado às vésperas de uma nova Copa. Na newsletter @Meiocamponet: https://t.co/NnZP00Irjd
Saiu mancando da final em Budapeste depois de fazer tudo o que estava ao seu alcance. Kvaratskhelia foi o melhor da Champions League — e não vai ganhar nada por isso. Por @brunobonsanti: https://t.co/u4XUbDa5xg
A Uefa atualizou o estatuto dela para blindar juridicamente as competições europeias contra a Superliga e apertar o cerco sobre grupos de clubes. No caso Crystal Palace e Lyon, a entidade já havia sido rígida. Entenda o que muda na nota de @felipelobo.
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O amistoso contra o Panamá mostrou que Ancelotti tem opções para mudar a Seleção. O que pode mudar daqui até a estreia? Este é o assunto do podcast @Meiocamponet que começa 14h. @brunobonsanti e eu esperamos vocês lá! https://t.co/V36BUGEuGT
Lembro de, em uma das noites naqueles anos em que trabalhei com José Trajano, uma vez por semana juntos comentando futebol em podcast e duas ou três vezes por semana produzindo o seu programa de TV na sala de sua própria casa, me perguntar: como é que esse cavalheiro, que viu ao vivo a Copa de 70, ainda tem tanta energia pra se envolver com a sexta rodada do campeonato brasileiro de, sei lá, 2019? Talvez eu não tivesse saco pra tanto goleiro fingindo lesão, tanto juiz egocêntrico, tanto cartão amarelo por comemoração de gol. O Zé fala de futebol e o olho muda. Tive uma camisa do América. Dei a ele, não sei se coube legal. O vermelho lhe cai muito bem.
É curioso observar, nos últimos tempos, a intensificação desse, digamos assim, "conceito": o Zé Trajano fanático pelo Arsenal contrasta com aquele nosso possesso de alma gentil que, por décadas, não parecia se importar tanto assim com o futebol daquela ilha. O negócio dele era a cobertura de um Brasil profundo, de histórias locais, do nosso rame-rame e das pelejas inglórias, sol a pino, jogadores horríveis e nem sempre esforçados, militando pelas divisões intermediárias do futebol carioca. Tudo aquilo que justifica estádios vazios, mas que a gente não larga a mão, porque ama. O Zé achou, muito bem achado, o conceito da coisa, que é um pouco o fio da vida: o futebol é um abraço. E abraço a gente dá, não proíbe.
Abraço de pai e filho, nesse caso. De um pai que vê o filho vivendo em outro país, amando outro clube, e sentindo, ali, a mesma conexão que nós temos quando vemos nossos pais sofrendo por um esporte que nem entendemos ainda. Não é complexo de entender. A história natural, na ampla maioria dos casos, traz os filhos para escolherem torcer pelo mesmo time do pai - muitas vezes nem sequer é uma escolha, já que somos tão crianças na hora de forjar esse encanto, e os pais e mães nem sempre são democráticos. Por qual motivo deveria ser difícil de entender que o pai também pode escolher o time do filho? Se o destino final é o abraço, por quê seria inviável forjar, depois de muita estrada, um afeto tardio em nome de estar com o filho? Meu amigo-irmão Paulo certa vez me disse: "se acabar o futebol, acaba 90% do meu assunto com meu pai". Tenhamos assunto, pois.
É muito bonito que o coração de José Trajano, depois de tanta pancada em transmissões amadoras, tenha vivido, no telão do Estádio dos "Gunners", essa paixão honesta e esperançosa por um clube que é acima de tudo uma outra chance. Bonito também que o Arsenal tenha se acomodado lá dentro como se na Tijuca estivesse. Clubes de futebol são instituições generosas, maleáveis, aceitam eventuais desaforos e sempre abraçam novos adeptos, mesmo aqueles "que vieram de longe". No fim, no rigor máximo, é tudo um pretexto pra gente dividir o tempo com quem ama - afinal, definitivamente, por obviedade matemática, não é um hobby que traz mais alegrias que frustrações. Quem leu Nick Hornby em Febre de Bola sabe bem disso. Hornby conta como, ao redor dos jogos do Arsenal, a sua vida foi tecida. Quem o leu, fez uma espécie de faculdade para torcer por aquele clube, já está habilitado para tal. Um clube especial, por sinal, inclusive na dor.
Mais uma vez escapou o título europeu do Arsenal - talvez seja um traço esquisito do destino do Zé, o futebol lhe deu poucas taças, radicalizando a lição que ele tem pra dar. João e José, filho e pai, assistiram juntos. O pai, tenho certeza, cruzou o oceano para o abraço, mais do que para o jogo, ainda que o jogo tenha sido o pretexto para o abraço. Eu também tenho dois clubes, um pequenininho e um grandalhão, no mesmo coração. Muitos de nós temos. E não, não é legal amar um time que só apanha, que não reage, que nem bravata tem pra soltar. Então a gente delira outros delírios. Vi uma semifinal de Copa do Mundo no sofá do Trajano, França x Bélgica, e também o vi tentando conectar um Youtube na TV pra assistir o Ameriquinha numa jornada vespertina safada pelo estadual. Via, nas duas ocasiões, o mesmo homem que ama futebol e me contagia, no mais nobre jogo e no quase anônimo duelo. Eu amo o amor que o Zé Trajano tem pelo futebol. E contemplo comovido o quanto esse esportezinho danado faz por nossas relações humanas e afetivas.
Viva @ultrajano , viva @j_castelobranco.
Amanhã é dia de final da Champions e estarei com o @brunobonsanti logo depois do jogo para uma edição especial, ao vivo, do podcast @meiocamponet para falar da final. Te esperamos lá depois do jogo! https://t.co/pYV5WpT3cu
É hora da final Champions League e o @brunobonsanti reuniu oito histórias para você acompanhar da decisão na newsletter @meiocamponet: https://t.co/fWmnhaZrCp
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🇦🇷Argentina e Nigéria jogavam pela vaga em São Petesburgo, pela terceira rodada do Mundial de 2018. A Argentina já entrara em campo moribunda, implodida que foi por dias e dias sob a trapalhônica e irascível batuta de Jorge Sampaoli, um tipo intratável que só gosta dos Meninos da Árvore do Santos, merecedores do carinho, e dos seus adjuntos, incluso o preparador físico que prefere o boxe ao futebol. Antes e ao longo do jogo, a transmissão cortou algumas vezes para um camarote do estádio. Nele, Diego Maradona, a figura mais anticamarote que conhecemos, aparecia cada vez mais alterado. Um pileque que começava a transbordar, ficando mais perigoso a cada frame. Fazendo caretas, gestos malucos, subindo o parapeito, puxando uma mulher pra dançar, depois dormindo sentado como em um desenho animado, e, mais tarde, comemorando o gol da classificação com insultos aos "populares", formando quilombo até ser retirado do recinto, carregado por seus pares. Teve pressão baixa, quase desmaiou, um horror.
A jornada argentina, tragicômica naquele mundial, teve, naquela noite, a catarse de um gol agônico que deu injusta sobrevida a uma seleção cuja alma já estava bem longe de Vladivostok. Maradona, pra lá de Marrakesh, era, como sempre foi, uma legenda dessa alma, um tradutor do coração futeboleiro argentino. O descontrole dele, que já tinha sido advertido na primeira rodada quando fumou charuto em área proibida, explicava a seleção mais do que qualquer análise tática. Infame, meio vergonhosa, desgovernada, mas, no caso do Maradona, também engraçada - bem, pra quem, no clima da Copa, despido de reflexão moral, via Maradona completamente alterado num camarote enquanto a seleção jogava a vida em campo, ok, a gargalhada estava liberada, o alívio cômico estava desenhado. Foi egraçado e triste, triste mas engraçado.
Nas oitavas, contra a França, Diego foi gentilmente orientado a ter outro comportamento, e orientado pelos que o cercam para que se preservasse, porque tem piada que apodrece rápido e o rebote daquele show já estava recebendo mais crítica do que memes. Fotos muito boas rodavam o mundo da bola enquanto a Argentina se preparava, se é que havia algum tipo de preparação por parte de Jorge Sampaoli, para pegar a futura campeã. Não pegou bem, claro, mas, também, e daí, sabe? Não acho que Maradona tenha se ocupado muito com isso. O camarote vende álcool, ele podia estar medicado, drogado, misturou, mas meu ponto é que em 2018 discutir a pureza física do Maradona era assunto caduco para nós. Maradona foi se tornando assunto privado, familiar, naquela Copa estava brigado com as duas filhas por faltar no casamento de uma delas, enfim, já não havia muito o que a esfera pública pudesse discutir.
Diego, no camarote para mostrar a marca da Puma e na Rússia para comentar jogos por uma estatal venezuelana, aparece poucos meses depois no México, para treinar um clube modesto; depois, topa treinar o Gimnasia de La Plata. Vai se despedindo de banho tomado, casaquinho novo, sem fúria, quase fingindo estar domesticado, perto do gramado, sentado em tronos que os clubes lhe ofertavam no lugar do banco de reservas. O desconto para a alucinada performance em São Petersburgo é um presente que ofereço. Não sei se algum atleta amou tanto a Copa do Mundo. Suas piores atuações, em 94 caindo confusamente no doping, em 2010 como um técnico despreparado, em 2018 pirando no meio dos bacanas, também explicam as suas melhores.
Maradona está morto quando a Argentina vence em 2022, sob o comando de Lionel Scaloni, auxiliar em 2018 (não consigo imaginá-lo dialogando com Sampaoli) e um dos tipos que mais gosto no futebol contemporâneo, uma pessoa que me interessa e cativa, simples e sensível, sobre a qual devo falar em breve. Não há quem tenha evitado ligar os pontos. Eu estava em Buenos Aires naquele domingo e posso atestar: o Maradona no camarote era, ou pode no mínimo ser considerado, um ensaio de toda uma população para uma festa que fez de cada pedaço de rua uma arquibancada. Nunca um camarote. Para um argentino, e para Diego, uma Copa não tem camarotes.