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ᅟ────── ⨳ 18.11.1900
Por um momento, acreditou que aqueles estavam ali para buscá-lo. Os mesmos que haviam tirado sua segunda família. Não eram os mesmos, mas seu pensamento não estava de um todo errado – para o seu azar.
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Não teve chance, nem reflexo, o bastante para fugir ou lutar contra os designados a capturá-lo. Exatamente às 05:30, descobriria isso depois, viu esvair entre os dedos todo o esforço de viver se escondendo por seis décadas.
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ᅟ────── ⨳ 04.10.1899
Um bom tempo havia se passado desde o último contato que Winter teve com humanos. Totalmente sozinho. Sobrevivia bem assim, poderia até dizer que gostava da calmaria. Como diriam nos dias de hoje; "alguns chamam de solidão. outros, liberdade"
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Isolar-se era a saída que conhecia, e foi o caminho que seguiu. Por pouco tempo. Uma nova tragédia, um impulso guiado pelo medo e o instinto. A soberba escolheu estar no lugar errado, na hora errada e, com certeza, com a pessoa errada.
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ᅟ────── ⨳ 17.09.1897
Raiva. Seria óbvio demais dizer que sentia a ira em sua essência. Guardava tristeza, transbordava ódio. Não fazia mais sentido; havia perdido, outra vez, aquilo que levou tanto para reconquistar.
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Winter se sentia tolo, estava cego pelo rancor, não suportava a ideia de encarar cara a cara um daqueles humanos que tiraram sua segunda casa. Tampouco sabia que essa não seria a última vez.
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Acordar naquele fim de maio e não encontrar mais os amigos que estavam consigo na noite anterior. Winter teve sorte por não estar no lugar errado e na hora errada, como os que foram levados estavam; agora se via sozinho outra vez. Seria isso 𝘳𝘦𝘢𝘭𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦 sorte?
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ᅟ────── ⨳ 30.05.1889
Viver longe de humanos se tornou mais agradável do que esperava, o – agora – conhecido como Winter se sentia em casa como há muito tempo não sentia. Os dias permaneceram assim pelas quase quatro décadas em Jan Mayen.
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Passou todos esses anos convivendo com aquele que se tornou seu próprio grupo de raposas, acompanhara gerações e formara vínculos. Uma nova família. Mas... nem tudo dura para sempre.
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Precisou se adaptar a vida sem os luxos do castelo, mas, por sorte, passar pelo clima frio sem as lareiras enormes e roupas quentes era o menor dos problemas. Aquelas circunstâncias o fizeram descobrir novos traços, e vantagens, de ser uma 𝘳𝘢𝘱𝘰𝘴𝘢-𝘥𝘰-𝘢́𝘳𝘵𝘪𝘤𝘰.
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ᅟ────── ⨳ 05.02.1852
O inverno estava chegando em seu ápice no hemisfério norte, típico daquela época do ano – descobriu isso da pior maneira. Mais de uma década havia se passado, não tinha mais contato com os Thavartía desde que decidira migrar ao norte do Alasca.
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ᅟ────── ⨳ 24.07.1840
Planejar foi trabalhoso, não conheciam além do interior dos muros e o pouco explorado em saídas esporádicas. Mas tinham o mais importante; objetos de valor escondidos dias antes do lado de fora. Sobreviveria com isso, mas não por muito tempo.
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