- Então diz pra ele doar cachaça pro Flamengo. O Flamengo, por sua vez, dá a cachaça pro Plata. Te garanto que a gente ganha de pelo menos uma seleção da Copa.
- Qual?
- A do Ancelotti!
não ligue, isso é conversa de bêbado
- Pega a visão! Aqui na Tijuca tem um cachaceiro.
- Não. Que eu saiba, tem um monte.
- Não. Esse é cachaceiro porque faz cachaça.
- Pode crer, tô ligado. +
- Ele disse que assistiu a todos os amistosos que o Flamengo fez durante a Copa do Mundo e sentiu uma profunda vergonha do nível do Flamengo, comparado ao futebol apresentado pelas seleções.
- Quem? O cachaceiro?
- É, p#rr@! +
eu tô achando que conta também fora de campo!?
Escuta, não te parece que se joga como um regresso? Mesmo que efêmero, como um curto espasmo, pálido vulto de uma esperança humilde. De alguma forma, parece haver uma tentativa de regressar ao fogo do primeiro amor. +
"Tá maluco, doidão? Esse anão é um puto fora de campo. Já viu com quem ele anda? Veja bem: o Pelé, dentro de campo, foi muito mais completo. Agora, fora de campo, era um bundão, como ele. +
Pronto: cenário perfeito para o maluco se manifestar. Não demorou a aparecer; chegou chegando. Disse: "Prefiro o pompoarismo com bolinhas tailandesas!"
Pra mim deu, tô fora, vou morar em Saquarema
A Tijuca é uma crise de labirintite. Falávamos das linhas de telégrafo e das alucinadas expedições de Cândido Mariano da Silva Rondon. +
Os caras não esquecem o Mengo
A janela tijucana com uma bandeira tricolor desfraldada, imitava a famosa janela lá do Leme. Aquele apartamento repousa diante da areia e do mar, longe o suficiente da ilha de Santa Helena, perto de batalhas, mas nenhuma como a de Waterloo... +
..., embalado pela melodia das teclas da imortal Remington Portable.
Mas voltemos à janela tricolor, aqui da Tijuca, que soltou um berro ao fim do jogo da Argentina: "Chupa, Ziko! (O do Egito.) Aqui é Messi!"
.
A Tijuca avançava na noite de domingo como quem, experiente nesse roteiro triste, apenas seguia em frente.
Mas foi a janela de um bravo vascaíno, aos berros, que botou o ponto final. +
Esquece isso, vagabundo
Terminou o primeiro jogo da Copa. O árbitro brasileiro pôs fim à partida e, numa birosca da Tijuca, de paradeiro que é melhor nem comentar, ouviu-se de um aposentado apontador do jogo do bicho:
~ há + de doze dias que o Flamengo não tem ninguém expulso!
E precisa dizer?
Tijucano e flamenguista, e quem aguenta?
O maluco estava dizendo que vai torcer para chegarem à final da Copa do Mundo os árbitros brasileiros. Sim, o camarada vai torcer para Wilton Pereira Sampaio, Raphael Claus e Ramon Abatti Abel apitarem a final. +
Aí aparece o primeiro engraçadinho:
~~ Então pode entregar a Copa do Mundo para o Palmeiras.
O outro, mais sério, disse:
~~ Se houvesse essa possibilidade maluca de os três chegarem à final, era porque o Brasil tinha ficado pelo caminho. +
E é só a primeira semana!
O cabelo sobre a testa, encharcado pela chuva fina, gelada e tenaz que caía no começo da noite ~~ fim de jogo no velho Vizinho. O relógio de pulso, com o vidro embaçado, marcava, em números romanos, quarenta e um minutos. Ailton recebeu, partiu ... +
..., percebeu que era só um pesadelo, abriu a gaveta da cômoda, pegou o velho relógio, que continuava embaçado, parado no momento do gol de barriga, e resumiu tudo num cataclisma de lucidez: +