Um sinal latente do empobrecimento do vocabulário popular atual é a forma como nos expressamos em relação ao ciclo solar diário. Belos termos como alvorada, aurora, arrebol, crepúsculo e arraiada foram quase que esquecidos para dar lugar aos genéricos 'nascer' e 'pôr' do sol.
Minha opinião sobre a questão GDA x Social, com base nos processos da SAF e nos fatos até agora.
O perfil das escolhas para preparação física permanente, auxiliar permanente e coordenador técnico — baixo custo, forte identificação com a casa, currículos ancorados em ciclos antigos — alimentou uma leitura que passou a circular de imediato: a de que a GDA Luma entraria apenas como financiadora do associativo, deixando a gestão do futebol entregue ao clube social.
Só que existe um ato processual, já praticado e registrado nos autos, que torna essa tese muito difícil de sustentar.
- O ponto que ninguém está destacando: a GDA abriu mão de ser credora.
Em julho, a SAF informou ao juízo que a GDA Luma, então segunda maior credora da recuperação judicial, pediu para sair da lista de credores.
O fundamento: sustenta que seu crédito é extraconcursal, por estar integralmente garantido pela cessão das ações da SAF. Traduzindo para quem não vive de processo: em vez de entrar na fila para receber em dinheiro, o crédito passa a estar amarrado às próprias ações da companhia.
O efeito é numérico e verificável. O passivo sujeito à recuperação judicial cai de aproximadamente R$ 1,286 bilhão para cerca de R$ 1,099 bilhão — uma redução na casa dos R$ 187 milhões.
- Por que isso desmonta a tese da "mera financiadora".
Financiador nenhum abre mão do seu lugar na fila.
Quem empresta quer receber. Quem quer receber protege o crédito, briga por classe, disputa posição, resiste a deságio. É o comportamento natural, e correto de um credor.
A GDA fez o oposto. Trocou a posição de quem tem direito a pagamento pela posição de quem tem direito a participação. Deixou de ser alguém a quem o Botafogo deve dinheiro e passou a ser alguém cujo dinheiro é o Botafogo.
E aqui está o nó: crédito se recebe independentemente da gestão. Ação só vale alguma coisa se a gestão for boa.
Um credor pode ser indiferente a quem escala o time, porque recebe do mesmo jeito. Um acionista, não. Se a GDA converteu seu crédito em posição acionária, ela amarrou o próprio retorno à qualidade da administração. Ficar de fora das decisões seria, nesse cenário, autossabotagem.
- Os outros três motivos.
1. Quem apenas financia, empresta. Quem compra 90%, quer lucro.
Financiador celebra contrato de dívida: juros, garantias, e o pior cenário é o inadimplemento. Acionista controlador não recebe juros, seu retorno vem da valorização e da saída futura.
A GDA assinou contrato vinculante para adquirir 90% das ações da SAF. Isso é capital próprio, não crédito. E o modelo de De Alba, construído no Catalyst Capital e replicado em Cirque du Soleil, Gateway Casinos e na antiga Pacific Rubiales (hoje Frontera Energy), nunca foi aportar e terceirizar: foi assumir assento em conselho e influenciar diretamente recapitalização, geração de caixa e reorganização operacional.
Há ainda o dever fiduciário perante os investidores do fundo. Aportar centenas de milhões e entregar a terceiros a caneta sobre folha salarial, comissão técnica e venda de atletas, as três maiores rubricas de qualquer clube, seria abrir mão exatamente das alavancas das quais depende o retorno prometido a quem confiou dinheiro à gestora.
E há o comportamento processual recente, que fala por si: a GDA foi a financiadora DIP do processo, com US$ 25 milhões, e a nova versão do plano, apresentada em 15 de agosto, deixou de conceder quitação ampla a Eagle e Lyon, preservando uma cobrança de cerca de € 146 milhões. Quem vai ter de ir atrás desse dinheiro é a GDA. Isso é postura de dono, não de patrocinador.
2. Um fundo pequeno precisa de vitrine.
A GDA Luma é uma gestora jovem, com algo em torno de US$ 406 milhões sob gestão e equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais. Não é uma potência global, é uma casa em construção.
Para uma gestora desse porte, o Botafogo é o ativo mais visível do portfólio: cobertura diária, exposição internacional, marca centenária. Nenhum cassino canadense entrega esse holofote.
De Alba, aliás, tem construído publicamente uma narrativa de liderança latina, falou disso em painel em Nova York, e enfrenta, ao mesmo tempo, questionamentos em corte de falências norte-americana envolvendo operações anteriores do grupo. Some as duas coisas: a exposição reputacional já é dele, independentemente de quem gerir. Se o Botafogo naufragar, o nome na manchete será o da GDA, tenha ela decidido ou não. Diante disso, a resposta racional não é se esconder atrás do associativo. É assumir o volante.
3. O que trava a GDA hoje não é vontade. É o closing.
Aqui está a origem do mal-entendido.
Contrato vinculante não é transferência de ações. O acordo foi assinado em 5 de junho, mas a operação ainda depende do fechamento com a Cork Gully, administradora da Eagle Football, detentora de 49% da SAF — participação remanescente após o associativo acionar o bônus de subscrição e assumir 51%. O desenho final devolve o clube social aos 10% e coloca a GDA com 90%. Esse desenho ainda não se materializou.
Enquanto o closing não ocorre, a GDA:
a) não elege sozinha o Conselho de Administração;
b) não tem maioria em assembleia;
c) não nomeia livremente a diretoria estatutária;
d) depende de convergência com o associativo em cada decisão relevante.
Acrescente-se que a companhia está em recuperação judicial, com atos de gestão sob acompanhamento do administrador judicial, fiscalização do Ministério Público e crivo do juízo, inclusive quanto a auditoria e transparência de caixa.
O que se viu nesta semana é o retrato de um interregno, não de um modelo definitivo. Nomeações de baixo custo, currículos da própria casa e interinidade no banco são exatamente o que se espera de uma janela em que ninguém detém poder pleno para contratar um projeto de longo prazo.
- Quando a GDA assumir de vez, temos que nos atentar a:
1) A composição do Conselho de Administração após o closing, quantos assentos cabem à GDA e quem os ocupa;
2) A escolha do técnico definitivo, se sai do mesmo perfil das nomeações desta semana ou de uma busca estruturada;
3) Quem assina as decisões de folha salarial e de negociação de atletas;
4) Quem propõe as alterações ao plano de recuperação judicial;
5) O desfecho do pedido de exclusão do crédito — se o juízo acolhe a extraconcursalidade ou devolve a GDA à fila;
6) Se as cláusulas de competitividade herdadas do contrato com Textor serão reproduzidas no acordo definitivo.
Se, com 90% das ações em mãos e o closing concluído, a GDA mantiver o padrão de indicações desta semana, a tese da financiadora passará a ter lastro.
O Magalhães Lins usou o espaço de uma hora no @CanalDoManel_ para xingar palavrão, defender os beneméritos do social, fazer promessas e declarações, mas não explicar como cada uma delas se concretizará. Preocupante.
#botafogo#GDA#johntextor#SAF#BFR
@decebalulus Se bem que ficar 3 meses dentro de um barco repleto de homens e vendo apenas mar por todos os lados deve fazer o sujeito pauderecer até para a Thais Carla.
@decebalulus Tá aí uma questão interessante para se pesquisar. Ler os relatos dos primeiros europeus que aqui aportaram e conhecer a dieta dos indígenas costeiros.
Caminha, pelo que me lembro, também ficou deslumbrado com as nativas.
Presidente do Botafogo defende escolhas, diz que está ‘faltando cabelo branco’ e ressalta dificuldades: ‘Estou vivendo uma p* desse tamanho’
https://t.co/0NXvcC9i0N
@rfigueiredo04@AnaliseGeopol Essa política paraguaia de permitir estrangeiros comprarem terras fronteiriças é um tiro no pé. Mais hora, menos hora essa região será brasileira.
@isa22408 Não tem que acabar jogo na altitude não. Quem for jogar lá tem que jogar de forma inteligente para superar isso. Não desvie a culpa dos jogadores frouxos e do técnico burro.