Votar em Flávio Bolsonaro não é só um atentado contra a justiça, contra os mais necessitados e contra a democracia. É, antes de qualquer coisa, um atestado de trouxa.
Não seja esse trouxa.
Agora entendi por qual motivo Fux mudou votos e não condenou Bolsonaro no caso do golpistas e lambe o chão dos bolsonaristas. É para atender os desejos da filhinha, que virou desembargadora no RJ aos 35 anos, porque papai ajudou. Vão lotear o país. É isso mesmo que você quer?
Em 2018, nós vimos o discurso saudosista da ditadura e dissemos: ele vai tentar dar um golpe.
Houve quem risse. Parte dos comentaristas políticos normalizou. Chamou de exagero. O Pangaré foi e tentou.
Pois bem, lá vamos nós:
Na sua opinião, o que vão derrubar primeiro?
- SUS;
- Fim da escala 6 por 1;
- A condenação do golpista;
- A prisão do irmãozão;
- Bolsa-Família;
- Aposentadoria;
- Salários;
- Liberdade religiosa;
- Liberdade de expressão;
- Cotas;
- Árvores;
- A Constituição;
- Tudo junto.
Nacionalistas não têm tempo nem interesse de ficar na internet falando mal das pessoas, provocando e causando mal-estar.
Temos um país para defender.
Dialoguem, virem votos, convençam pessoas a irem votar com consciência, expliquem o que é soberania nacional.
Viva o Brasil!
Um exemplo que que vem aí no Brasil, se Flávio vencer:
“O ministro do governo da Bolívia ameaça os juízes e promotores que se encarregarão de julgar o ex-fiscal Mariaca que investigava Cerimedo depois de destituí-lo e substituí-lo por outro com a colaboração dos Estados Unidos.
A Bolívia é uma ditadura.”
No G1 a escolha das fotos de Lula e Flávio votando indica a preferência da empresa.
Não precisa estudar semiótica pra entender.
Basta adaptar o antigo clichê: “Duas fotos valem por mil palavras”.
Essa era a foto na capa do G1
Possíveis punições para este crime eleitoral:
- Detenção de 6 meses a 1 ano;
- Prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período;
- Multa de 5 a 15 mil reais.
Mas eu aposto que o Nunes Marques daria um “Ai, ai, ai! Não pode, Flavinho!”.
E um Chokito.
A reincidência do Brasil
Certa feita escrevi que o sistema, desde o início, deixou Bolsonaro livre, e que ele foi avançando na carreira criminal. Convém repetir. O Brasil tem memória curta e está repetindo o mesmo erro com Flavio.
O Brasil foi passando pano para Bolsonaro por décadas. Em 1987, capitão, planejou explodir bombas em quartéis e na adutora do Guandu, que abastece o Rio. O Exército o mandou para a reserva, aos 33 anos, com soldo vitalício. Não foi punição. Foi prêmio.
Virou político. Fez apologia da tortura e da ditadura. Em 1999 defendeu na televisão o fuzilamento do presidente da República e a morte de uns trinta mil brasileiros. O mandato seguiu intacto.
Foi homofóbico, racista e misógino, Disse a uma deputada, a quem já havia empurrado e ameaçado esbofetear, que não a estupraria porque ela não merecia. Virou réu no Supremo. Custou-lhe dez mil reais de indenização. Barato.
No impeachment de Dilma, dedicou o voto a Brilhante Ustra, declarado torturador pela Justiça. Ustra chegou a buscar duas crianças, de quatro e cinco anos, para que vissem a mãe na cadeira do dragão, nua e machucada. O Conselho de Ética arquivou.
Presidente, ignorou as ofertas de vacina da Pfizer em 2020, combateu máscara e distanciamento e vendeu cloroquina. Mais de 700 mil mortos. A CPI pediu seu indiciamento por nove crimes. A Procuradoria-Geral arquivou.
Perdeu a eleição e tentou um golpe. Só entao veio a condenação: 27 anos e três meses. Em prisão domiciliar, atacou a tornozeleira com um ferro de solda. Hoje está de novo em casa.
Trinta e oito anos de impunidade para uma única punição, mas no sofá de casa.
O Brasil não aprendeu com o pai e repete a lição com o filho.
Flávio estreou aos 19 anos como funcionário fantasma: cargo na Câmara, em Brasília, faculdade e estágio no RJ. O dom da ubiquidade, até então, era privilégio dos santos, que agora censura com a ajuda de um pau mandado. Nada aconteceu.
Deputado estadual, ficou com parte do salário dos assessores. Rachadinha. Queiroz, o operador, admitiu por escrito que recolhia o dinheiro. Uma ex-assessora confessou que devolvia quase tudo o que recebia. O Coaf encontrou 48 depósitos de dois mil reais, em espécie, no caixa eletrônico da Assembleia. O Ministério Público denunciou por peculato, lavagem e organização criminosa. Os tribunais superiores anularam as provas a denúncia foi rejeitada sem que ninguém examinasse o mérito. Nada aconteceu.
Veio a fantástica loja de chocolates, onde o dinheiro vivo entrava em proporções mirabolantes. Uma lavanderia. Nada aconteceu.
Vieram os imóveis: dezesseis comprados, ao menos em parte, com dinheiro vivo. Veio a mansão de seis milhões em Brasília, com um crédito do BRB que a Polícia Federal só agora resolveu investigar. Veio a mansão de Angra, que Richarlison pagou e o amigo de Flávio levou, depois de o senador visitar a casa e gostar do que viu.
Condecorou Adriano da Nóbrega, preso por homicídio e futuro chefe de milícia, e empregou-lhe a mãe e a mulher no gabinete. Uma assessora sua negociou emenda com um condenado pelo assassinato de Marielle Franco.
E veio Vorcaro. Flávio pediu ao dono do Banco Master 24 milhões de dólares. Primeiro disse que era mentira. Depois, que era patrocínio privado. O inquérito por corrupção, lavagem e evasão de divisas foi aberto em julho. Se eleito, dará em nada.
Por fim, o ex-sócio da loja de chocolates abriu a gaveta: festinhas com garotas de programa, um Rolex de 305 mil reais pago por um advogado, equipamentos de academia de presente. Em troca de quê? Ninguém dá relógio de ouro por amor à pontualidade.
O que aconteceu com ele? Nada. Segue candidato a presidente.
O sistema está falhando de novo. Falhou em 1988, e pagamos em 2020, em covas. Falha agora, na véspera. Resta o eleitor, última instância que ainda não foi anulada. Amanhã ele pode mandar Flávio para casa e, de lá, quem sabe, a Justiça crie coragem. Ou pode absolvê-lo nas urnas, como sempre se fez, e descobrir que o filho saiu pior que o pai.
Depois do pobre de direita (que acha que vai perder o Corsa se tarifarem grandes fortunas) e do supremacista pardo, surge outro tipo de bolsonarista: o jornalista acionista. Ou melhor, o “JORNACIONISTA”. O board nem sabe o nome dele, mas ele rasga o diploma pra salvar a empresa.
Atenção Midias hereditárias, esse aí opinando, Felipe Moura, não é "cumunista", "lulista", "petista".
Conseguem ouvir, prestar atenção, ou seguirão fingindo que ninguém tá entendendo o jogo de vocês?
Não aprenderam nada com a Era Jair?
A tal polarização política no Brasil já deixou de ser entre esquerda e direita há muito tempo. Hoje, o contraste entre qualquer coisa no campo do minimamente razoável e a escória da humanidade é tão grande, que não há a menor necessidade de revelar que vai votar em Fulano ou Beltrano.
Basta dizer que você vai votar “pela democracia, pela liberdade, pelos direitos de todos” e todo mundo sabe o que você vai apertar na urna.
É tipo falar de “família miliciana”, só que ao contrário.