🗣️⚡️| De Pena, em uma preleção emocionante antes do jogo contra o Juventude:
“Eu gosto de ler muito e li uma frase que falava: ‘Quem não tem coragem de fazer vai viver para contar a história de quem teve coragem de fazer.’
E sabe por que eu falo isso? Porque cada um aqui teve coragem pra fazer.
Sabe o que eu fiz ontem à noite? Parei pra ver a história de cada um de vocês. Eu sei que você começou no Guarany de Sobral, depois jogou no Horizonte. Você começou no Joinville. Você saiu do Resende. E todo mundo saiu de algum lugar.
Mas vocês todos tiveram coragem de fazer em algum momento das suas vidas, e isso nos trouxe aqui.
Então eu quero que vocês joguem por esse menino! Esse menino que tinha aquele sonho. Esse menino que queria vestir uma camisa assim. Esse menino que queria jogar a Série A, caralho!
Joguem por esse menino! Eu confio em vocês! Todo mundo hoje tem que confiar no outro.
Vamos chegar lá e mostrar por que a gente merece vestir essa camisa. Porque a gente quer subir pra Série A!”
🚨 O colombiano Miguel Borja, ex-jogador do Palmeiras, meteu essa BRINCADEIRINHA aí no clássico entre América e Chivas Guadalajara pelo Campeonato Mexicano! 😳
Meu irmão, isso aí é papo de PUSKÁS! 👏👌
A CBF divulgou o áudio e vídeo do VAR em que o gol do Juventude contra o Sport foi anulado. O jogo estava empatado em 1 x 1, quando Mandaca anotou o que seria o segundo gol do Papo. Porém, após análise do VAR, foi detectado impedimento na origem do lance.
📽: CBF
Goleadores, decisivos e campeões, com entrega e identificação enormes junto à camisa rubro-negra! Carlinhos Bala e Neto Baiano fazem aniversário hoje! Que dupla! Dois 𝐆𝐈𝐆𝐀𝐍𝐓𝐄𝐒 da nossa história!
O Tour da Ilha recebeu o Projeto Inclusão do Amor, que realiza um trabalho de capacitação e inclusão laboral de pessoas com deficiência.
Em uma tarde muito especial, eles conheceram a história do Clube e realizaram um passeio por todo o complexo! Um dia marcado para sempre! ♥️
O Grão de uma Voz Que Não Se Cala
Não o conheço pessoalmente. Nunca apertei sua mão. Nunca nos falamos, nem mesmo por algum aplicativo de mensagem. Não sei como é estar diante dele numa sala, conversar sem uma câmera entre nós, perceber as pequenas coisas que só se percebem quando se está perto de alguém. E, no entanto, quando soube do diagnóstico, senti aquilo que normalmente associamos à perda de alguém próximo: um aperto seco no peito, uma espécie de recusa imediata da realidade, uma vontade quase infantil de que a notícia estivesse errada. O que me incomodou, talvez mais do que a própria tristeza, foi perceber que eu não tinha uma explicação satisfatória para ela. Como alguém que nunca fez parte concretamente da minha vida podia ocupar, de repente, um espaço tão grande dentro dela?
É uma pergunta que me acompanha desde então e para a qual não tenho uma resposta inteiramente satisfatória. Talvez porque a nossa época tenha produzido uma forma de proximidade que as palavras antigas ainda não conseguem descrever muito bem. Conhecemos pessoas sem jamais encontrá-las. Ouvimos suas vozes durante anos sem saber como seria o som de sua fala numa conversa particular. Vemos seus rostos envelhecerem, conhecemos seus gestos, reconhecemos suas pausas, suas expressões, suas pequenas manias, mas continuamos sendo, para elas, completos desconhecidos. Existe alguma coisa de paradoxal nisso. A intimidade é unilateral e, justamente por ser unilateral, parece não merecer o nome de intimidade. Mas diga isso ao corpo quando ele recebe uma notícia ruim. O corpo não parece consultar essas categorias antes de sentir.
Roland Barthes escreveu, depois da morte da mãe, um livro que não é exatamente um diário, mas uma coleção de fragmentos em que a dor aparece sem a obrigação de produzir uma explicação. Em A Câmara Clara, ele também pensa sobre a fotografia, sobre aquilo que uma imagem consegue preservar e, ao mesmo tempo, denunciar como já perdido. Há algo particularmente cruel nessa ideia: uma fotografia nos mostra que alguém esteve ali, mas a própria existência daquela imagem nos lembra que aquele instante passou. O que Barthes chama de “isto foi” talvez seja uma das experiências mais estranhas da memória: reconhecer uma presença justamente no momento em que percebemos que ela já não pode ser recuperada daquela maneira.
É estranho recorrer a Barthes para falar de um homem que ainda está vivo, que ainda fala e que ainda luta pela vida. Talvez seja até injusto com ele e eu não quero isso. Mas existe uma espécie de luto que não espera necessariamente pela morte para começar. Não me refiro à certeza de quando alguém morrerá, porque ninguém sabe disso. Refiro-me à percepção de que uma pessoa pode continuar existindo e, ainda assim, alguma coisa daquilo que conhecíamos nela pode estar ameaçada de desaparecer. É uma experiência difícil de nomear porque não estamos diante de uma ausência completa. Ao contrário, a pessoa está ali. É justamente essa presença, acompanhada pela possibilidade da perda, que torna tudo tão estranho.
No caso de Lito, penso que isso tem muito a ver com a voz. Passamos anos ouvindo aquela voz explicar turbulência, motores, procedimentos, acidentes, segurança, coisas que para muita gente pareciam complicadas demais até que ele as explicasse de uma maneira tão simples e calma que qualquer medo de voar logo deixava de existir. Era uma voz didática e paciente, mas havia nela alguma coisa que não estava necessariamente nas informações. Havia o jeito de respirar entre uma frase e outra, a maneira de construir uma explicação, a pequena ironia quando era necessária, a risada, o modo como ele conseguia falar de um assunto técnico sem parecer distante. Com o tempo, deixamos de ouvir apenas o que ele dizia. Passamos a reconhecer quem estava dizendo.
É isso que Barthes chama, em outro contexto, de “grão da voz”: aquilo que existe na voz para além das palavras que ela transporta. Não é exatamente o significado daquilo que se diz, mas a presença física que permanece na maneira de dizer. É uma ideia que me parece especialmente apropriada para pensar em Lito porque, quando recordo seus vídeos, muitas vezes não me lembro sequer do assunto específico de que ele estava falando. Lembro da voz. Lembro da maneira como ele falava. Lembro da sensação de estar ouvindo alguém que parecia familiar, embora eu nunca tivesse estado perto dele.
Talvez tenhamos passado anos acreditando que estávamos apenas aprendendo sobre aviação quando, sem perceber, estávamos também construindo uma memória afetiva daquela voz. Não era amizade, não era parentesco. Mas certamente alguma coisa estava sendo construída. Uma presença que entrou repetidamente em nossas casas, nos nossos computadores, nos nossos smartphones. Em algum momento, aquela pessoa deixou de ser apenas alguém que aparecia na tela e passou a fazer parte da paisagem das nossas vidas. Creio que seja difícil determinar exatamente quando isso acontece. Não há um momento em que decidimos que alguém se tornou familiar. A familiaridade simplesmente se acumula.
Por isso agora os vídeos antigos me causam uma sensação tão difícil de explicar. Ali está Lito inteiro. Ele gesticula, ri, fala, explica. Tudo parece absolutamente normal. E talvez seja justamente essa normalidade que doa. A imagem não sabe o que nós sabemos agora. Ela continua apresentando aquele homem como se nada tivesse acontecido. Não há doença naqueles vídeos. Não há diagnóstico. Não há medo. Há apenas uma pessoa vivendo um dia comum, falando sobre um avião qualquer, e nós assistimos sabendo que aquele cotidiano, justamente por ser cotidiano, adquiriu agora uma espécie de valor que antes não percebíamos.
É aí que penso novamente em Barthes e no “isto foi”. Não porque Lito tenha deixado de estar aqui, mas porque certas versões de uma pessoa podem se tornar passado antes mesmo que a pessoa desapareça. O homem daqueles vídeos continua existindo na memória, mas a nossa relação com aquelas imagens mudou. O vídeo é o mesmo. Quem o assiste é que mudou. Antes eu via um homem explicando aviação. Agora vejo também aquilo que o tempo pode fazer com um corpo, com uma voz, com uma vida que parecia distante demais para que uma doença pudesse nos alcançar.
Joan Didion, ao escrever sobre o próprio luto em O Ano do Pensamento Mágico, não tenta transformar a dor em uma sequência organizada de sentimentos. Ela observa a própria mente enquanto ela tenta lidar com aquilo que não consegue aceitar. Há algo profundamente humano nisso. O luto, para ela, não é apenas tristeza. É também desorientação, repetição, memória, tentativa de encontrar uma lógica onde talvez não exista nenhuma. Talvez seja por isso que eu reconheça alguma coisa daquele movimento no que sinto agora. Não estou apenas triste por Lito. Estou tentando entender por que estou triste. E talvez essa segunda pergunta seja ainda mais difícil que a primeira.
Não considero hipocrisia sentir isso por alguém que não conheço. Durante muito tempo, talvez eu mesmo tivesse chamado esse sentimento de exagero se estivesse olhando de fora. Mas a cultura em que vivemos tornou essa distância muito mais complicada. Durante décadas, pessoas que nunca encontraríamos fisicamente passaram a entrar diariamente em nossas vidas por meio do rádio, da televisão e, depois, da internet. Algumas delas passaram milhares de horas conosco sem jamais saber que existíamos. Elas acompanharam nossos cafés, nossas viagens, nossos momentos de solidão, nossos dias bons e nossos dias ruins sem jamais terem consciência de que estavam fazendo isso. A relação não era recíproca, mas a presença era real.
Talvez seja esse o ponto que mais me interessa. Não precisamos fingir que existe uma relação que nunca existiu. Não sou amigo pessoal de Lito. Ele não sabe quem eu sou. Não temos uma história compartilhada. Não temos lembranças de uma conversa, de um churrasco num fim de semana qualquer. Mas temos algo que também é uma forma de história: temos o registro de uma presença que se repetiu durante anos. E, para o cérebro e para o coração, a repetição tem consequências. Uma voz ouvida centenas de vezes deixa de ser completamente estrangeira. Um rosto visto durante anos deixa de ser apenas um rosto. Uma pessoa pode ocupar um lugar na nossa memória sem jamais ter ocupado um lugar à nossa mesa.
Talvez seja por isso também que tantas pessoas estejam fazendo alguma coisa diante do que aconteceu. Procurando informações, compartilhando notícias, tentando ampliar o alcance da história, perguntando como ajudar. Existe uma diferença entre simplesmente sentir tristeza e sentir que é preciso fazer alguma coisa com ela. Talvez a ação seja uma maneira de não permanecer completamente impotente diante de uma situação que não podemos controlar. Talvez seja uma forma de transformar o afeto em alguma coisa concreta. Não porque a internet possa resolver aquilo que a medicina ainda não resolveu, mas porque ficar parado diante do sofrimento de alguém que se tornou importante para nós também pode ser insuportável.
E há uma ironia dolorosa nisso tudo. Durante anos, Lito ensinou que turbulência não derruba avião. A frase se tornou quase um mantra, uma maneira simples de explicar que o desconforto não deve ser confundido com perigo e que o movimento do avião não significa, por si só, que ele esteja caindo. Agora, diante da doença, a mesma frase parece voltar para ele de uma maneira que ninguém poderia ter imaginado. A turbulência desta vez não está no avião. Está no corpo. E nós, que durante tanto tempo ouvimos aquela voz nos dizendo para não transformar o balanço em queda, nos vemos agora tentando fazer alguma coisa que talvez seja ainda mais difícil: não transformar o medo em despedida.
Não sei o que acontecerá. E talvez seja justamente isso que eu precise aceitar. Não quero transformar este texto em uma despedida antecipada, porque ele ainda está aqui. Não quero escrever como se soubéssemos o final de uma história que ainda está sendo escrita. O que sei é apenas aquilo que sinto. Sei que uma voz que eu nunca conheci pessoalmente se tornou familiar para mim. Sei que ouvir essa voz durante tantos anos criou uma forma de proximidade que eu não consigo mais chamar simplesmente de distância. Sei que ver aqueles vídeos antigos agora produz uma sensação estranha não estava neles antes.
Talvez seja isso que mais me incomode: perceber que a nossa memória pode transformar um desconhecido em alguém que sentimos falta antes mesmo de perdê-lo. E talvez seja também isso que explique por que tanta gente está triste agora. Não estou chorando por uma intimidade que nunca tivemos. Estou apenas reagindo à possibilidade de perder uma presença que, de alguma maneira, já fazia parte das nossas vidas.
Lito passou anos emprestando sua voz para explicar por que aviões continuam voando mesmo quando tudo ao redor parece instável. Talvez eu esteja fazendo agora o movimento inverso, tentando explicar para mim mesmo por que uma voz que nunca foi dirigida especificamente a mim pode me deixar triste quando está ameaçada.
Força e esperança ao Lito e à sua família.
Créditos: Divulgação – Aviões e Músicas
Quem acompanha o canal de Lito ver ele nesse estado é um tiro no peito. Eu realmente não sei as chances desse estudo salvar a vida dele, mas que ele consiga vaga de forma imediata 🙏