Tem uma coisa em comum que nem a população e nem o mercado financeiro querem: inflação.
E não é essa discussão se a meta deve ser 3% ou de 4%. É uma inflação acelerando e passando de 5%, o que podemos ver em breve se nada for feito pelo lado da política fiscal. Porque nem a Selic em 14% tem sido suficiente. Há algo errado, e não adianta culpar o BC ou o mercado.
Não tem solução mágica, quem viveu nos anos 80 e início dos 90 sabe que várias “fórmulas” foram tentadas. O plano real deu certo porque o governo fez superávit primário. E desde que perdemos essa ancora no final dos anos 2000, o prêmio de risco nos juros subiu (com o breve intervalo com o teto de gastos).
Não adianta reservas e nem BC autônomo. Sem superávit primário, ou perspectiva crível de chegar lá, o risco inflacionário será alto e cobrará seu custo, seja na população de baixa renda corroendo poder de compra, seja nas futuras gerações, na dívida que deixa.
O próprio Collor relata como a ideia do confisco partiu de André Lara Resende, o que ele definiu como “bloqueio ou cerceamento da liquidez”.
Se Lara Resende negar essa afirmação do Collor, não tenho nenhum problema em me retratar aqui.
Fonte min 11:15: https://t.co/CSmqmohtUv
Gente, alguém abrace a Thaís Herédia! 😂 Agora, passada a eleição, bateu aquela preocupação com a economia! E o Itaú, coitadinho, que vai crescer “só” 0,5%? Que tragédia! Estou pensando em organizar uma vaquinha solidária para o banco. Impressionante como certas preocupações econômicas despertam justamente depois das eleições! 🤡💸
Multibilionário por acaso
Um dos fundos mais extraordinários do Brasil tem apenas 1 cotista e é pessoa física.
O PL do fundo é R$ 12 bi (você não leu errado: bi)
Só de BPAC11 tem uns R$ 7 bi.
Tenho a maior admiração e respeito por esta pessoa que eu gostaria de conhecer tomando um bom vinho de Tempranillo.
Agora a pergunta de um bilhão de dólares:
Quanto este camarada perdeu em 26/10/2026 :
===> -0,47% em 26/10/2026
No dia seguinte:
===> +0,47% em 27/10/2026
Quem toca o fundo é um camarada que merece nota 10 em gerenciamento de risco. Aliás, não duvido que o gestor e cotista sejam a mesma pessoa.
Notem: o cara não foi de "all in" em posição direcional pensando em trade eleitoral.
O resultado sugere posição protegida para o evento binário.
Ninguém é multibilionário por acaso.
Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo em Brasília, desde fuga de candidato derrotado a festa de aniversário do vencedor. Isso naturalmente concentra muita atenção da mídia e da sociedade, mas o evento mais importante para o futuro do Brasil segue em organização célere e discreta: o megaacordão para abafar simultaneamente todos os escândalos que atingem poderosos nos três poderes. A peça fundamental neste acordo é a reeleição de Davi Alcolumbre, com o compromisso de não instalação de CPIs ou processos de impeachment. Será interessante ver como os senadores vão se comportar na eleição de 01/02/27, especialmente aqueles eleitos com compromissos efusivos de combate à corrupção e investigação de ministros do STF. A minha posição é pública e foi comunicada serenamente ao próprio Davi: não conte com o meu voto. Concordo que o Brasil precisa de urgente pacificação, mas ela não pode ser construída com base em impunidade e cinismo, ignorando a vontade amplamente manifestada pela sociedade brasileira, que não suporta mais tanta desconexão entre suas necessidades reais e as vontades de uma elite corrompida.
Vou me integrar aos esforços para construir uma candidatura capaz de conquistar a presidência do Senado, partindo de premissas claras: 1) a eleição no Senado não representa um terceiro turno. As eleições presidenciais acabaram e Lula venceu; 2) transparência e combate à impunidade devem ser eixos centrais; 3) o Senado deve formular urgentemente soluções legislativas estruturais que garantam estabilidade fiscal, eleições mais baratas e justas, combate ao crime organizado e resgate da credibilidade da Justiça. Já existem diversos bons projetos que caminham nessa direção, o que falta é liderança e vontade política.
A mudança que tantos desejam não vai cair do céu ou chegar pelas mãos de um salvador da Pátria. Vai chegar pelo trabalho de muita gente, começando agora.
One more amazing thing about Brazil and Lula's campaign:
The NYT today has a gushing profile of a Congressman named @AndreJanonesMG, who became the face of Lula's campaign, its chief communication strategist. and -- as a result of admittedly innovative though extremely creepy digital strategies -- the greatest hero of the Brazilian left. But listen to what the article doesn't mention:
Just 2 years ago -- not 20 years ago or 10 years ago, but 2 years ago -- Janones got caught committing one of the most despicable crimes imaginable: he forced his Congressional staff employees to transfer a portion of their (quite low) monthly public salary to him as a condition for keeping their jobs. The money he stole from his workers didn't go to his campaign: it just went to enrich himself, into his pocket,.
He got caught when the employees secretly taped him angrily telling them they should stop complaining. When all this emerged, the left-wing members of Congress loyal to Lula -- who, remember, claims to lead a movement of workers! The name of Lula's party is the Workers Party -- protected him from all consequences from stealing the salary of his workers.
The pro-Lula judiciary let Janones confess guilt and simply pay back the money that he stole. And yet this doesn't bother anyone on the Brazilian left. Janones has become a beloved figure overnight among left-wing celebrities and is now one of Lula's closest allies. The NYT profile doesn't even mention this in their gushing profile.
In the scheme of Brazil's authoritarianism, it's not the biggest issue, but to me it's one of the most revealing about what frauds these people are:
brazil supreme court decision to seize flavio bolsonaro’s passports immediately after the election looks like political retribution to most brazilians (and to me).
rule of law not what it should be here.
LULA SAI NA FRENTE NA PROJEÇÃO
Eu nunca achei que eu ia postar isso, mas seja pra apontar um belo erro no meu modelo ou não, eu preciso mostrar o que tá acontecendo, por transparência.
Estou tremendo de medo de errar.
Outras iniciativas também dão Lula com vantagem.
If, by the way, the same situation that just happened in Brazil had happened but with the parties switched -- if Bolsonaro had won last night's election and then a pro-Bolsonaro judge sent the Federal Police to seize Lula's passport and bar him from leaving the country -- every major western media outlet and liberal NGOs would be screaming about the authoritarian attack on Brazil's elections and the destruction of basic freedoms.
A realidade é que o PT está no governo. Sem querer advinhar o futuro, resta avaliar quais são os possíveis caminhos do país no próximo governo e para o Brasil.
Realidade atual: dívida pública está numa trajetória insustentável. Temos ainda outros agravantes sobre a situação fiscal que tornam a saída ainda mais difícil pra esse governo reeleito. Tesouro pra se financiar agora vai ter que pagar 14-15% a.a. Sobre uma divida de 82.5% do PIB. Isso da uma despesa de juros de 12% do PIB.
Quanto cresce o PIB nominal? Em situação normal, 2% de crescimento com 4.5 de inflação, PIB cresce 6.5% nominal.
Relação Dívida PIB fica 82.5 x 1.12 / 1.065 =86.761 86.7%
Mas nesse momento todas empresas estão refazendo seu orçamento pra 2027. Duas coisas estão acontecendo: corte de investimento e corte de despesas, parte em mão de obra. A economia já estava desacelerando. Agora ela vai frear. PIB vai ser negativo. Inflação com ajustes de combustíveis e dólar, vai ficar em 5.5% (com sorte) e PIB cai 1% (tomara) e PIB nominal cresce 4.5%. Com isso a conta fica 82.5 x 1.12/ 1.045 já piora pra 88.4%.
Não preciso extender esse raciocínio pra mais 3 anos pra saber que algo vai ser diferente antes disso. O que pode ser diferente?
Opção 1: fazer um ajuste fiscal suficiente pra estabilizar a divida. Na situação atual, se o governo fizer um corte de R$ 300 bilhões (SP 2.2% do PIB) que parece absurdamente alto pra um governo do PT poderíamos ver as taxas de juros caindo pra 11% (9% do PIB) mas um PIB recuando ainda mais, o que reduz o superávit primário pra algo como 1.5% do PIB.
Nesse cenário otimista, teríamos um inflação de 4% e um PIB nominal crescendo 2%. O resultado seria
82.5 x 1.09/ 1,02- 1.5 (SP) ou uma divida de 86.5%. Isso ainda seria insuficiente. O déficit do governo cresceu com receitas crescendo 10% real. O ajuste precisa ser maior.
Opção 2: reduzir a taxa de juros reais de 10% pra 4% via inflação maior. Nesse caso bastaria cumprir o orçamento de déficit zerado indicar 4 diretores do BC com perfil Zanin e Dino e reduzir as taxas de juros.
Inflação vai pra 9%, PIB cresce 1.5%, juros ficam em 11%. Aí temos 82.5 x 1.11/ 1.105. Pronto: a dívida se estabiliza. Esse é o modelo Turquia, Argentina…
O que vão tentar no primeiro ano? Um ajuste modesto pra narrativa e achar que mercado vai acreditar. A inflação vai ser mais alta, os juros mais altos, o PIB vai continuar desacelerando e a dívida ainda cresce e o problema fica maior pro ano seguinte.
Lula disse: Agora vamos colher o que plantamos. Isso foi em 2025. Ele estava certo.
Ele não tem hoje a inflação na meta. Não tem superávit primário. Tem uma dívida mais alta e muito mais cara. Tem um setor privado muito endividado. E duvido que tenha vontade de fazer o que é necessário.
Mas as alternativas são essas.
A verdade é que não vai mudar nada!
Mas o que aconteceu hoje serve pra escancarar que a verdadeira ameaça à democracia brasileira é o STF
Não dá mais para aceitar