Eu disse, há semanas, que o escândalo do Master era de direita, pois é um fato concreto: a maioria dos atores políticos envolvidos são de direita. Os mais importantes também.
Como decidiram voltar com esse assunto, apresento aqui o seguinte
PLACAR DO ESCÂNDALO MASTER.
Bora lá:
Uma mulher trans, com a promessa de uma oportunidade de trabalho, de limpar a casa de um casal, foi vítima de uma emboscada em Ponta Porã, no MS.
Chegando lá, o casal e o próprio namorado da vítima começaram uma sessão de TORTURA contra ela. Marcaram uma suástica em seu braço.
Um casal, e o próprio namorado da vítima, a imobilizaram, cravaram uma faca em seu celular para que ela não pedisse socorro e a espancaram. Depois, o dono da casa pediu que sua esposa colocasse a faca no fogo.
Com essa faca, marcaram seu corpo com uma suástica. Um símbolo de ódio que demonstra a desumanidade dos agressores.
Ela então foi solta, sob ameaça: se denunciasse o crime, cortariam sua cabeça com uma foice.
A vítima voltou pra casa e decidiu denunciar tudo à polícia. Os vermes, sabendo que a crueldade que cometeram foi feita com ódio e raiva da mulher por ela ser quem é, uma mulher trans, não com planejamento e frieza, confessaram o crime.
E eu queria que essa história fosse apenas uma história de coragem, de uma mulher, uma pessoa trans, que confiou em seus direitos, superou o medo e denunciou seus torturadores.
Mas, na verdade, essa denúncia possivelmente só aconteceu por ser a única opção para a vítima.
Pois o "acordo" de que, se ela ficasse em silêncio, deixariam ela viver, foi feito por pessoas que a torturaram e, com ferro quente, queimaram uma suástica em seu braço.
Ela denunciou pois já estava marcada como um animal cujo único futuro é o abate.
E seus agressores acharam melhor confessar. Talvez, pela certeza da impunidade, porque acham que a justiça dos homens será mais complacente do que a justiça das ruas.
Pra essa gente odiosa, mesmo com tantos avanços que ocorreram no nosso judiciário, a condenação pelos seus atos ainda é uma possibilidade mínima.
E é esse o resultado da estrutura de ódio construída para torturar, silenciar e matar mulheres trans, mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres mães, mulheres lésbicas, mulheres brancas, mulheres jovens, mulheres velhas e meninas.
Quantas de nós, após apanharmos, já não fomos marcadas com a promessa de que, se abríssemos a boca, a dor seria ainda maior?
Quantas de nós já não fomos eternamente marcadas pela violência de quem nos deseja e nos odeia?
Quantas de nós já não denunciamos, não por coragem, mas por ser a única opção frente a um mundo inteiro contra a gente?
Enquanto isso, parte do Brasil celebra a transfobia, a misoginia, a LGBTfobia e o ódio transmitido nas nossas telas e pelas bocas daqueles que deveriam trabalhar pela vida e dignidade de todas as pessoas.
A corda está estourando. E ela pode até estourar pro lado mais fraco, o nosso lado. Mas faremos com que ela ricocheteie em nossos agressores e lhes corte como a foice que eles mesmos dizem brandir.
Um monte de gente reclamando dos ambulantes nesse Carnaval. Não quis falar nada antes pra não ser o chato, mas agora já tá na hora de pensar. Beleza, eles atrapalham, atravancam, disputam os clientes.
Mas pra tua cervejinha chegar às 7 da manhã geladaça no meio do bloco do aterro ou nas ladeiras de Santa Teresa é porque fez todo o rolé. Comprou bebida gelo, botou pra gelar e subiu aquilo com tudo. É porque alguém mal ou nem dormiu. É porque alguém nem em casa foi há dias. E a bebida chega geladinha pra tu por 10 reais, po!
Consciência social não se suspende no carnaval. E Carolina Maria de Jesus não é maneira só 40 anos depois quando vira tema de escola. Ambulante, catador, gente que tá fazendo ali do teu lado trabalhando o carnaval inteiro. Repare sempre.
Um salve aos trabalhadores invisíveis do Carnaval!
MEU NOME É TIANA
Tiana, a travesti mais velha do Brasil, aos 92 anos, atravessa o tempo como prova viva de que a identidade trans não é moda, não é invenção recente e muito menos um capricho político.
O documentário Meu Nome é Tiana mostra a história de uma mulher que existiu quando não havia nome, direito ou proteção alguma e que ainda hoje enfrenta o desrespeito.
Para quem insiste em julgar vidas trans sem saber do que está falando, talvez o problema nunca tenha sido a nossa existência, mas a falta de estudo e de humanidade.
Antes de apontar, conheça. Antes de opinar, aprenda.
O documentário está disponível no YouTube e na HBO Max Brasil
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