É triste que as pessoas sejam tão ignorantes sobre o tipo de efeito social que a religião causa nesse nível.
Historicamente, católicos e evangélicos neopentecostais diferem em muitas coisas, mas um dos principais pontos de divergência é a forma como enxergam a glória eterna e a relação entre sucesso, responsabilidade e salvação.
A glória, no catolicismo, tem um caráter comunitário. Não há glória, salvação ou sucesso desvinculados da comunhão com o outro. O individualismo é condenado e, embora a providência divina também faça parte da doutrina, a responsabilização é profundamente pessoal. Deus sabe de todas as coisas, mas o livre-arbítrio continua sendo um princípio central. Você faz escolhas diante da sua comunidade e da sociedade, e são essas escolhas que geram consequências. Se você falhou, falhou porque fez escolhas ruins, porque não fez o suficiente ou porque negligenciou seus deveres para com o coletivo.
No neopentecostalismo, a lógica tende a ser outra. A vitória é, antes de tudo, individual. Você vence porque fez a sua parte, e Deus recompensa sua fé organizando os acontecimentos conforme Sua vontade. Se você perdeu, perdeu porque lhe faltou fé ou porque Deus decidiu que aquele não era o momento. A teologia da prosperidade, que ocupa um papel central em boa parte do neopentecostalismo, reforça justamente essa leitura individualizada da relação entre fé e sucesso.
Tudo isso produz disposições morais diferentes nas pessoas e, consequentemente, nos próprios jogadores. Se você vence, foi porque Deus quis. Se perde, foi porque faltou fé ou porque Deus assim determinou. A derrota deixa de ser, em primeiro lugar, um problema de responsabilidade pessoal, de senso de comunidade ou de compromisso com o coletivo.
O discurso, inevitavelmente, tende a ser mais: 1) egoísta, porque o foco está na relação individual entre o fiel e Deus; e 2) receptivo à derrota, porque ela deixa de ser interpretada como consequência das próprias escolhas e passa a ser entendida como parte do plano divino.
Esse é o Brasil que vem sendo construído nas últimas décadas. Somos, da política ao futebol, cada vez mais egoístas, individualistas e menos responsáveis pelas consequências comunitárias de nossas ações.
🇧🇷 O Brasil pode desperdiçar uma chance histórica, possivelmente de um século inteiro, se não estabelecer a Terrabras e assegurar o monopólio nacional na exploração, mineração e refinação de terras raras.
Assim como o petróleo foi o motor da Revolução Industrial e da mobilidade no século XX, as terras raras são os "metais da tecnologia" do século XXI. Sem terras raras, não há transição energética (ímãs de turbinas eólicas e motores elétricos), defesa moderna (mísseis, radares) ou eletrônicos de ponta.
Atualmente, o setor de terras raras é muito parecido com o que o petróleo era lá no século XIX, um setor que todos sabiam que seria estratégico para todas as nações do mundo, mas que até então poucos países dominavam sua exploração e refinamento, que era monopolizado apenas pelos EUA e países da Europa.
Em 1953, quando as reservas de petróleo no Brasil estavam sendo descobertas, a proposta de criação da Petrobras foi vista com maus olhos por diversos setores da sociedade brasileira que atendiam aos interesses estrangeiros e alegavam que o Brasil jamais teria capacidade de criar do zero uma empresa capaz de extrair e refinar petróleo, ainda mais uma estatal, como era a proposta de Getúlio Vargas. Um grande movimento nacional chamado "O Petróleo é Nosso" foi o grande responsável por pressionar os políticos contrários à criação da estatal, culminando na vitória da soberania nacional sobre o petróleo com a Lei 2004/53 de 1953, que criou a Petrobras e garantiu o monopólio estatal sobre o setor de petróleo, visando o desenvolvimento nacional soberanista sobre o setor. Hoje, o Brasil colhe os grandiosos frutos de possuir uma estatal do porte da Petrobras, que se tornou a maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo.
Hoje, as terras raras já são essenciais para diversas cadeias produtivas, como de superimãs utilizados em motores elétricos, materiais refinados presentes em baterias e metais raros usados para fabricar chips e placas eletrônicas, entre outras aplicações na produção dos mais diversos materiais. Mesmo com tanta demanda, a tendência é que a quantidade de terras raras necessárias para suprir a demanda da produção de carros elétricos, eletrônicos e armas avançadas aumente exponencialmente ano após ano, e é esse cenário que torna tão importante o domínio completo do Brasil sobre sua reserva de terras raras, a qual é a segunda maior do mundo.
A China quase monopoliza o refinamento de terras raras, concentrando 90% da capacidade de refino mundial. Se o Brasil entrar nesse setor com a criação de uma estatal, como a proposta Terrabras, estaria competindo como um dos pioneiros ao lado da China, situação que é extremamente favorável para desenvolver o setor e aproveitar a imensa reserva desses minerais em solo nacional.
O mais importante para o Brasil é garantir que o refinamento dos minérios de terras raras e a produção de componentes avançados, como os já citados ímãs, sejam feitos pela indústria nacional, seja ela estatal ou privada, pois é onde se concentra a maior parte do lucro dessa cadeia produtiva. Caso o Brasil se conforme em vender minerais brutos, estaremos mais uma vez servindo como um mero extrativista que fornece matéria-prima para as indústrias das potências do Norte, repetindo novamente o ciclo de exportar o minério barato e importar o produto manufaturado caro.
Para garantir que a exploração de terras raras gere retorno para o país com seu lucro, o monopólio estatal é atualmente a única alternativa. Caso a exploração seja entregue para empresas privadas, mesmo que nacionais, o risco de toda a lucratividade ir parar nos bolsos de acionistas estrangeiros é enorme, visto o caso da única empresa brasileira que explora terras raras atualmente, a Serra Verde, vendida por apenas US$ 2,8 bilhões para a USA Rare Earth. Outra opção para garantir o mínimo de nacionalização do lucro das terras raras seria a aprovação de uma lei que eleve os impostos sobre exportação de minérios in natura, o que obrigaria as empresas interessadas a refinar sua produção dentro do Brasil antes de exportar, agregando valor em uma cadeia produtiva complexa.
A Terrabras não pode ser vista como apenas "mais uma estatal", mas sim como o estabelecimento da soberania brasileira sobre um setor estratégico que está sendo discutido atualmente no mundo inteiro. Há uma verdadeira corrida pelo domínio do mercado de terras raras e produção dos componentes e materiais derivados delas, e quanto mais o Brasil espera para definir sua estratégia para desenvolver o setor, mais se atrasa nessa corrida que garantirá grandes lucros e desenvolvimento para os países que conseguirem aproveitar efetivamente essa oportunidade de negócio.
@coproduto Eu sei pow mas qual benéficos? Tipo não side effect ou coisas que você consegue fazer com imperativo. Algum caso de uso que functional é uma mão na roda. Tipo seila pq Nubank usa? (Escrevendo isso e pesquisando)
@renanhiramatsu@brunocroh Não manjo nada de front, mas o kotlin tem jit certo? Aot também pelo menos rodando em jvm. E acho que há uma confusão também no termo X uso