Aprendi com Exu que a boca é um terreiro pequeno.
É nela que a palavra gira, que o encanto roda, que muita coisa começa sem ninguém perceber.
Porque boca não foi feita só pra pedir bênção.
Boca também chama. Boca também guarda segredo. Boca também sabe deixar uma vontade acordada.
Exu me ensinou que palavra tem corpo.
Tem palavra que chega de longe e mesmo assim parece perto. Tem palavra que a gente escuta uma vez e passa o resto do dia lembrando.
Aprendi que língua é ferramenta de caminho.
Com ela eu conto história dos meus mais velhos. Com ela eu canto. Com ela eu provoco um sorriso. Com ela eu deixo uma dúvida dançando no ar.
Porque tem conversa que não termina quando a pessoa vai embora.
Fica.
Fica no pensamento. Fica no canto da boca. Fica naquele “num sei não...” que a gente fala sorrindo.
Exu me ensinou a não ter pressa.
Quem conhece o poder da palavra sabe que certas coisas precisam ser ditas devagarinho.
Tem caminho que não se abre no empurrão.
Se abre no jeito.
E talvez seja esse o segredo de Exu: ele sabe que antes de qualquer encontro acontecer, duas coisas já se encontraram primeiro.
A intenção e a palavra.
discordo com carinho pq o 8 de copas é o momento que cai a ficha de que tem que ir embora, tem bastante carga emocional e é fácil voltar atrás
já no 6 de espadas ocorre um distanciamento lúcido da situação, a pessoa já pensou muito sobre e tá indo embora definitivamente